08 de julho de 2026
Geral

Construção

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 2 min

Verticalização excessiva carrega estrutura

Texto: Andréia Alevato

Quando a verticalização é excessiva, os equipamentos institucionais (escolas, núcleos de saúde, etc), as redes de água e esgoto, as ruas e as linhas de ônibus podem ficar sobrecarregados.

Porém, quando essa verticalização é controlada, a infra-estrutura já existente é otimizada, segundo a secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Regitano.

"Quando a verticalização é controlada,

é interessante porque otimiza uma infra-estrutura que foi colocada. Ao invés de fazer um bairro muito distante, e ter que levar novos equipamentos e infra-estrutura até ele, faz um edifício numa área menor, onde já exista essa infra-estrutura e equipamentos", disse a secretária de Planejamento. A verticalização obedece regras da Lei de Zoneamento da cidade, criada em 1982. Essa lei diz que através da taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento é que se pode fazer a verticalização ou não.

"Existem regiões da cidade em que esse coeficiente

é um. Isso significa que se a área tem 1.000 m², a construção pode ter, no máximo, 1.000 m². Se o coeficiente for quatro, a construção pode ter 4.000 m². A lei limita a verticalização na cidade", completou Maria Helena.

O coeficiente de aproveitamento no Centro de Bauru é maior do que na Zona Sul, mesmo assim, a verticalização nessa região da cidade é muito maior.

A Lei de Zoneamento também determina que em alguns bairros

é proibida a construção de edifícios. Isso aconteceu porque os moradores desses bairros mobilizaram-se para que não fossem construídos prédios ali. Os primeiros bairros que conseguiram essa proibição foi o Jardim Estoril, Estoril II, Estoril IV, Jardim Dona Sarah, Parque Paulista e Jardim Europa.

"Isso é bom porque é a população que se mobilizou e reivindicou um direito. Mas não pode ser uma coisa picotada. O interesse tem que ser coletivo", ressaltou a secretária de Planejamento.

Até hoje, foram feitas várias retalhações na Lei de Zoneamento. Por isso, o Conselho de Desenvolvimento Urbano (Condur) está priorizando a revisão da Lei de Zoneamento dentro de um novo conceito.

"O que se pensava na década de 80, mudou. Não concordamos com muita coisa. Hoje, queremos regular as atividades", disse.

Segundo Maria Helena, o Poder Público e o Condur querem incentivar mais ainda a verticalização na área central de Bauru, principalmente se o prédio for residencial, porque o trabalho de revitalização do centro passa por habitação.

"Ninguém vai ao centro hoje depois que as lojas fecham. Devemos criar incentivos maiores para que prédios residenciais sejam construídos naquela região", explicou.

Vazios urbanos

Para a secretária de Planejamento, a única vantagem da cidade ter muitos vazios urbanos, principalmente nos fundos de vale, é que o Poder Público pode desenvolver diversos projetos, como o de sistema viário, parques e drenagem urbana, sem ter que fazer grandes desapropriações.

"Se a cidade estivesse inteira construída, para desenvolver projetos, precisaríamos de grandes desapropriações", concluiu Maria Helena.