07 de julho de 2026
Geral

Juca Chaves

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Juca Chaves traz "Socorro" a Bauru

Texto: Gustavo Cândido

O cantor e humorista Juca Chaves apresenta, na próxima sexta-feira, no Centro Cultural em Bauru seu espetáculo

"Socorro", há quatro anos em cartaz com muito sucesso por todo a País. Retornando de uma apresentação em Marília, Juca esteve em Bauru no sábado pela manhã para conhecer o novo teatro, onde teve a companhia do prefeito Nilson Costa. Muito simpático e, é claro, sempre bem humorado, ele elogiou o teatro e conversou com o Jornal da Cidade sobre o espetáculo que trará a cidade, que, como sempre, tem na sátira política o seu forte. Sátiras que um dia conferiram ao cantor e humorista o apelido de "menestrel maldito" nos anos 70.

Jornal da Cidade - Essa não é a sua primeira visita a Bauru, é?

Juca Chaves - Não. Estou aqui porque estou vindo de Marília, onde fiz um show e estarei de volta na quinta-feira para me apresentar na sexta. Vai ser a primeira vez que me apresento nesse teatro, mas já venho a Bauru desde 1959, praticamente inaugurei a televisão aqui e fiz muitos shows. Vim muito para Bauru no tempo que a estrada ainda era de terra batida. Uma vez estava entrando na cidade com o meu Thunderbird, estava entrando na cidade a 170 km por hora, de repente vi uma placa que indicava o fim da estrada em 30 metros, pisei no freio o carro voou, caindo numa estrada de terra. O carro demorou um mês para ser consertado, o cara de uma oficina da Ford que existia na época arrumou e nem me cobrou nada, até porque eu não teria como pagar porque tinha investido todo o dinheiro no carro. Mas venho aqui desde que a estrada era de terra. O que não tinha antes era o teatro, que é fundamental para a vida cultural de uma cidade. Mas agora tem e espero que esse seja o primeiro show de uma série.

Jornal da Cidade - Como é o espetáculo "Socorro"?

Juca - Ele está em cartaz há quatro anos e nele eu canto as sátiras políticas que eu fiz da "nova república", do Clark Gable do Maranhão, José Sarney, até o Dom Fernando 2º - O Garboso. Entre eles falo da oposição, do Lula, do vice Itamar, do Fernando Collor de Ménem, dos escândalos da grande atriz de televisão Nicéia Pitta, do Lalau, do escândalo da Jorgina. O brasileiro esquece rápido dos escândalos, eu não esqueci não. Tenho até uma da manicure do nosso treinador da seleção, eu lembro sempre das coisas boas da vida. Também canto minhas modinhas de amor, desde as mais velhas como "A Cúmplice", até as mais novas como uma que se chama "Viver de Humor, Morre de Amor", que é uma modinha de amor que exalta o tempo, que a verdadeira riqueza de uma pessoa. Depois das canções conto algumas piadas, penso eu que faço aquilo que se chama de "humor inteligente". Acho que o espetáculo está bom, mas sou suspeito para dizer. Pelo preço está bom. Hoje o teatro cobra um preço de pizza.

Jornal da Cidade - Você é praticamente o único que faz esse tipo de sátiras no Brasil. Por que?

Juca - Porque quando aparece outro a gente manda exterminar

(risos). Na realidade não apareceu ninguém porque ninguém é tão louco. Mas não sei se

é bom porque quando você faz uma coisa tão independente você fica isolado, sai na frente a acaba lutando contra todos.

Jornal da Cidade - As sátiras não te criam problemas?

Juca - Criam, sempre criaram. Eu sai do Brasil por causa daquela música "Brasil já vai à guerra", quando compraram o porta-aviões. Agora vão comprar outro, eu pergunto: o que eu posso fazer senão cantar a música de novo? Eles deveriam comprar submarinos russos que são mais baratos (risos). O Brasil é bom para comprar essas coisas.

Jornal da Cidade - Atualmente você tem tido problemas com suas obras?

Juca - Existe um policiamento da própria mídia. A ditadura militar não foi tão forte como a ditadura de alguns jornais brasileiros que boicotam mesmo. Te põe numa prisão da comunicação. Mas o brasileiro lê pouco, ele prefere ver a notícia do que lê-la.

Jornal da Cidade - Por que o espetáculo se chama "Socorro"?

Juca - E por que não chamar? Existe palavra que a gente tenha mais vontade de dizer do que essa? (risos).

Serviço

Juca Chaves apresenta o espetáculo "Socorro", na sexta-feira, dia 25 de agosto, no Centro Cultural, às 20 horas. Os ingressos podem ser comprados pelo preço de R$ 20,00, no Centro Cultural a partir de terça-feira. Professores que apresentarem um hollerith pagam R$ 15,00.