Treino: rebelião e morte em Pirajuí
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A encenação de situações vividas no dia a dia de muitas prisões, foi simulada com o objetivo de treinar policiais militares
Um preso é jogado do andar de cima do prédio e se esborracha no chão. A polícia age rapidamente e consegue deter a ação dos detentos rebelados. Os bombeiros combatem os focos de incêndio e tudo acaba bem. Embora pareça uma situação assustadora, tudo não passou de uma simulação, realizada na
última quinta-feira num prédio abandonado na cidade de Pirajuí.
O treinamento do Pelotão da 2ª Cia da PM teve por objetivo preparar os homens para movimentos de presos, até a chegada da Tropa de Choque, que em situações de rebelião em presídios teria que se deslocar de Bauru.
A simulação durou pouco mais de uma hora e contou com a presença de uma policial feminina daquela cidade. Foi desenvolvida no prédio de um antigo frigorífico. Toda as situações de perigo foram montadas a fim de aproximar a situação fictícia da real.
Segundo o comandante da 4º BPM/I, tenente coronel Eliseu Eclair Teixeira Borges, o exercício teve por objetivo formar uma tropa de ação imediata. "Nas duas penitenciárias de Pirajuí há 1.700 presos de alta periculosidade. Em rebeliões ou movimentos de presos, a Força Tática vem de Bauru. Para preencher este espaço de tempo estamos treinando o pessoal que trabalha na rua, a fim de que eles ajam formando uma frente de primeiro combate."
A frente de primeiro combate, segundo o comandante, agirá rapidamente, dando segurança à comunidade. "Até que chegue a tropa de Bauru. Nós já tivemos outros treinamentos. Este é o primeiro treinamento completo".
De acordo com o tenente coronel, as instalações escolhidas para o exercício eram muito semelhantes à de um presídio em rebelião. "Foi uma simulação baseada na história real. Essas instalação são bem próximas de uma penitenciária, inclusive toda o entulho, sujeira do
prédio ajudou a tornar a situação mais real."
O treinamento foi um pedido do comando da 2 ª Cia, Capitão Airton Martinez, preocupado com a segurança dos moradores, segundo o tenente Jorge Duarte Miguel, que coordenou o treinamento.
Na opinião do tenente, com as duas penitenciárias na cidade, o risco de rebeliões é constante. "Rebeliões que já aconteceram e poderão acontecer na cidade. O objetivo foi treinar a tropa de ação imediata até a chegada do efetivo de Bauru que tem que ser reunido para depois se deslocar. O pelotão tem que poder atuar numa circunstância totalmente adversa."
O tenente conta que a simulação de rebelião em presídio tem início com a constatação de um foco de rebelião, localizado em uma das celas. "Começa no instante em que foi detectado o foco de rebelião com reféns. A tropa de ação imediata entra em ação para controlar a situação até a chegada do Pelotão de Choque".
A primeira ação dos policiais são movimentos que a tropa faz. Característicos de choque. Com formações diversas. O objetivo é desestimular o oponente que está assistindo aos movimentos. Os presos observam a ação da polícia fazendo os movimentos de posicionamento".
A movimentação da polícia se desloca e bate com os cacetetes nos escudos dando um ar de "guerra" ao exercício. Uma música atrapalha o som imitando os gritos dos presos revoltados. As viaturas ligam as sirenes e tudo parece real.
Percebendo o alto grau de treinamento do efetivo policial militar, os presos se acalmam e tem início a rápida negociação. Mesmo negociando, eles continuam querendo medir forças com a polícia e ameaçam jogar um preso do andar de cima do prédio. Os cães se posicionam e se preparam para o ataque. É hora da decisão. O acordo não
é fechado entre as partes e um corpo 'voa' do alto do edifício.
A situação fica insustentável e o comando da 2ª Cia e do Batalhão opta pela invasão do prédio. O efetivo do Corpo de Bombeiros é acionado para evitar que alguns incidentes possam acontecer. Sabe-se que há focos de incêndios. Ou talvez haja armadilhas ou um coquetel molotov.
A tropa invadiu a área onde estavam os presos e gradativamente avança, acuando os rebelados. Cela a cela é visitada pelos policiais, assim como os corredores. O Corpo de Bombeiros acompanha o trajeto dando cobertura.
A tropa chega ao local onde os presos estão acuados. Eles se rendem antes que a munição química seja usada. Todos são algemados e retirados do local. As celas são vistoriadas. As armas são apreendidas. Os rebelados transferidos e o treinamento chega ao fim.