Coligações e autarquias dominam 1.º debate entre candidatos a vice
Texto: Daniela Bochembuzo
As questões sobre coligações partidárias e o papel das autarquias municipais dominaram o primeiro Debate de Candidatos a Vice-Prefeito de Bauru, realizado no último sábado pela TV Preve em parceria com o Jornal da Cidade. Dos sete candidatos convidados, participaram apenas Celso Martha
(PMDB), Dudu Ranieri (PFL) e Laércio Pereira (PSTU), vices, respectivamente, de Tidei de Lima (PMDB), Nilson Costa (PPS) e Estela Almagro (PT).
Wilton César da Silva, vice de Carlos Sandrin na chapa do PT do B, e Eliana Cristina Machado, vice de Thomaz Zamonaro
(PRN) na coligação Renova Bauru, não justificaram a ausência. Eraldo Bernardo Marques (PV), companheiro de chapa de Tuga Angerami (PSB), enviou carta à produção do debate dizendo que sentiu-se prejudicado por outros candidatos não terem confirmado presença e preferiu não ir. Também por correspondência, Ricardo Carrijo (PTB), vice de Pedro Tobias (PDT), informou que tinha assumido outro compromisso no mesmo horário do debate e não poderia participar.
Sem quatro candidatos a vice, Martha, Ranieri e Pereira contaram com 120 minutos, divididos em sete blocos, para expor suas propostas de campanha. A primeira parte do programa destinou-se à apresentação dos participantes, que tiveram 3 minutos cada para expor currículo e propostas.
No segundo, quarto e sexto blocos, os candidatos responderam a perguntas formuladas pelo jornalista Nélson Gonçalves, repórter do Jornal da Cidade, e por Duda Trevisani, diretor-presidente do Grupo Preve. No terceiro e quinto blocos, os postulantes a vice fizeram perguntas entre si - a ordem para perguntar e responder foi definida em sorteio prévio com a presença de representantes dos partidos e coligações -.
Nesses cinco blocos, a maioria das perguntas feitas pelos jornalistas e pelos candidatos esteve relacionada às autarquias municipais e às coligações. Celso Martha, por exemplo, foi questionado a respeito dos novos papéis da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e sobre o Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Sobre a Cohab, do qual foi presidente, Martha afirmou ser necessário rediscutir seu papel e buscar novas parcerias para a implementação de núcleos habitacionais e posicionou-se contra a terceirização da cobrança, efetuada durante a administração de Nilson Costa. O peemedebista defendeu a revisão da participação da Prefeitura de Bauru como acionista da empresa. "Não há mais necessidade de sermos acionistas majoritários", argumentou.
Em relação ao DAE, Martha disse ser contrário
à privatização da autarquia e propôs a busca de recursos junto ao BNDES para financiar o sistema de tratamento de esgoto. No caso da Emdurb, disse ser contrário ao desmembramento da autarquia em pequenas empresas por acreditar que a medida oneraria os cofres públicos. "A terceirização de alguns serviços prestados pela empresa poderia redimensionar seu papel junto à Administração", comentou.
Para Laércio Pereira, o excesso de cargos de confiança na Prefeitura, autarquias e na Cohab são uma das causas do comprometimento do orçamento municipal. "O dinheiro que deveria ser aplicado no social é desviado para o pagamento de salários de cargos comissionados", acusou. Em razão disso, o vice defendeu a necessidade de remodelar os gastos, priorizando saúde e educação. O investimento em prioridades, acredita, é a solução para reequilibrar o orçamento.
Pereira acusou ainda os governos do PMDB no Estado e de Tidei no Município, por meio das obras do viaduto, de desequilibrar os cofres públicos. Martha rebateu a acusação e garantiu que Tidei, enquanto prefeito, aumento a arrecadação de Bauru e culpou Antonio Izzo Filho pelo crescimento da dívida municipal. O vice do PSTU não aceitou a resposta e utilizou-a para argumentar que o orçamento participativo é a melhor maneira de garantir investimentos no social.
Pereira também não poupou críticas à coligação PFL-PPS-PST, da qual Dudu Ranieri é candidato a vice-prefeito e que tem o izzista Pedro Valentim como um dos candidatos a vereador. Ranieri assumiu toda a responsabilidade pela aliança com o PST. "Foi um erro. Não sabia que a coligação na proporcional teria que ser levada
à majoritária. Sobre Valetim, ele é um coitado, que sofre com problemas de sobrevivência, não tem dinheiro nem para o ônibus. Se tivesse furtado algo enquanto estava na Prefeitura com o Izzo, teria condição financeira boa hoje em dia", justificou.
Ranieri disse ainda que o fato de ter participado do movimento Fora Izzo e de apoiar hoje Nilson Costa, vice de Izzo, não
é uma incoerência. "Tenho certeza que o Nilson Costa não sabia de nada das falcatruas que o ex-prefeito fazia. Nilson é um homem com honradez, honestidade e dignidade
ímpares e merece voto de confiança da população", defendeu.
Através do debate, Dudu mostrou que tem opiniões diferentes do prefeito e fez questão de frisá-las. O vice de Nilson Costa, por exemplo, é contra a velocidade máxima permitida pelas lombadas eletrônicas e radares. Ranieri garante, no entanto, que essas diferenças acabam no campo programático. "Nossa proposta de governo
é única e isso é o que importa. Os pormenores existem em todas as candidaturas", disse.
O primeiro Debate de Candidatos a Vice-Prefeito de Bauru foi encerrado com um bloco para as considerações finais dos postulantes. Dudu Ranieri citou a federalização da dívida e pediu para que o eleitorado fique atento às campanhas milionárias e às promessas. "Na última campanha milionária, o candidato acabou atrás das grades", lembrou. Celso Martha garantiu que Tidei de Lima irá terminar as obras do viaduto e pediu à população que investigasse o passado dos candidatos. Já Laércio Pereira assumiu a defesa da implantação do orçamento participativo e disse que os candidatos trabalhadores são a melhor opção para o eleitorado.