07 de julho de 2026
Geral

Escola

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Escola instala câmera de vídeo no pátio e banheiro

Texto: Ieda Rodrigues

Os alunos da escola estadual Stela Machado, desde anteontem, estão sendo vigiados por câmeras de vídeo instaladas nos banheiros masculino e feminino, no pátio e na entrada do prédio. A direção e a Associação de Pais e Mestres (APM) da escola disseram ao JC que resolveram recorrer às câmeras numa tentativa de inibir as pichações de paredes e brincadeiras com bombas, colocadas principalmente nos banheiros.

A escola, localizada na Vila Pacífico, é uma das maiores da rede estadual em Bauru, com 2.280 estudantes matriculados. As câmeras de vídeo estão causando polêmica. Alguns pais e alunos não concordam com o dispositivo, alegando invasão de privacidade. Já outros pais e alunos aprovam a nova medida, afirmando que assim a segurança na escola será maior.

Maria Célia Gonçalves Lopes, diretora substituta da escola Stela Machado, disse que as câmeras de vídeo estão em fase de teste, por dois meses. Ao final deste período, a direção da escola e a APM vão decidir se continuam ou não com a vigilância eletrônica. Maria Célia contou que as paredes da escola, principalmente as dos banheiros, vinham sendo freqüentemente pichadas e bombas explodiam no banheiro, chegando a quebrar vasos sanitários.

Por causa das pichações, as paredes vinham sendo pintadas a cada dois meses, o que representava um custo alto para a escola, de acordo com Maria Célia. Na última pintura, segundo ela, foram gastos cerca de R$ 200,00. A diretora ressaltou que a instalação de câmeras é uma medida extrema, pois os alunos, há muito, tempo vinham sendo orientados a preservarem a escola, não fazendo pichações nas paredes e nem brincadeiras com bombinhas.

Maria Célia garantiu que as privadas estão foram do alcance de foco das câmeras instaladas nos corredores dos banheiros e, portanto, não há invasão de privacidade. Antes de instalar as câmeras de vídeo, a diretora consultou o Departamento Jurídico da Diretoria de Ensino de Bauru, que a informou que a medida é legal.

As câmeras ficarão ligadas 24 horas e se ocorrer qualquer ato de vandalismo na escola ou algo que é proibido, como fumar, a direção da escola e APM vão requisitar as fitas para saber exatamente o que aconteceu e quem são os responsáveis. De acordo com a diretora, os responsáveis serão punidos de acordo com o regimento da escola, que vai de advertência verbal à transferência compulsória.

Durante a fase de teste, a escola não terá despesa com as câmeras. Se depois do teste, direção, APM, professores e alunos decidirem pela manutenção da vigilância eletrônica, será uma empresa será contratada. O dinheiro para pagar os serviços deve sair do caixa da APM. Numa empresa consultada pelo JC, a instalação de seis câmeras custa em torno de R$ 2,4 mil.

Outra escola estadual de Bauru, a Plínio Ferraz, localizada no Jardim Terra Branca, também recorreu a câmeras de vídeo. No entanto, segundo informou uma funcionária da escola, as câmeras não estão mais funcionando porque foram danificadas por alunos.

Dirigente de ensino acha a medida extrema

A dirigente regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, disse que prefere a educação à medidas coibitivas ou punitivas, como a vigilância eletrônica. No entanto, ressaltou que cada escola tem uma dose de autonomia para decidir como resolver seus problemas. "Particularmente, eu sou contra as câmeras de vídeo em escolas, não gostaria que a educação se embrenhasse por esse caminho, mas respeito a decisão da escola porque cada um sabe o problema que vive", disse.

Para Edinéa, o ideal é que a escola resolva os seus problemas, como o de pichações e brincadeiras com bombas, através da conscientização dos alunos.

"O ideal é conscientizar esses alunos porque, ao contrário, quando não tiver ninguém olhando, não tiver câmera, ele pode fazer coisa errada", explicou.

Aluno acha que privacidade é invadida

Um aluno da 8.ª série, que entrou em contato com o JC e pediu para não ter seu nome divulgado, acha que as câmeras instaladas nos banheiros tiram a privacidade dos estudantes. Ele disse que estava sentindo-se envergonhado em usar a privada, mesmo tendo a garantia da direção da escola de que a câmera focaliza apenas o corredor.

Já a mãe do estudante, após conversar com a direção da escola, aprovou a medida. Ela disse que é um direito da escola fiscalizar os estudantes. A mãe de outro estudante da 8.ª série, que pediu para não ter seu nome publicado com receio de represálias, também é contras câmeras de vídeo nos banheiros.

Ela disse que seu filho está sentindo-se vigiado e classificou a atitude da direção da escola como extrema. Para ela, as câmeras poderiam ser instaladas do lado de fora das portas dos banheiros se a direção e a APM da escola quer saber quem entra e sai e quanto tempo fica no banheiro.

APM e Grêmio aprovam câmeras

Maria Elizabete Lopes Pereira e Sônia Maria Pimentel Maurício, respectivamente diretora executiva e vice-diretora da APM da escola Stela Machado, aprovam a instalação das câmeras de vídeo na unidade educacional. Para elas, a vigilância eletrônica será a melhor maneira de coibir que os alunos pichem as paredes, que fumem dentro da escola (principalmente nos banheiros), que "matem" aula ficando escondidos nos banheiros.

Na opinião delas, com as câmeras, a direção da escola e a própria APM saberão com clareza o que ocorre dentro da unidade. Se ocorrer algum ato de vandalismo ou alguma coisa proibida pelo regimento da escola, com as câmeras, a direção terá como melhor investigar o caso e, se for o caso, punir o responsável, disseram.

Thiago Pita e Luiz Henrique de Campos, ambos com 16 anos e alunos do 2.º ano do ensino médio da escola Stela Machado, respectivamente presidente e segundo secretário do Grêmio Estudantil Poder, também aprovam as câmeras de vídeo.

Eles disseram que a medida é boa porque as paredes do banheiro eram constantemente pichadas e as portas, quebradas, além de bombas, que chegaram a destruir vasos sanitários. Os estudantes acreditam que, agora, com as câmeras de vídeos, os responsáveis por esses atos de vandalismo vão ficar inibidos.

Na opinião dos dois representantes do grêmio estudantil, a vigilância eletrônica trará mais segurança para todos na escola. Eles afirmaram que a maioria dos alunos

é favorável à instalação das câmeras.

A diretora substituta da escola, Maria Célia Gonçalves Lopes, ressaltou que o objetivo da direção da escola com a instalação das câmeras é que os alunos tenham um ambiente saudável e que se dez ou 20 reclamam, mais de 2.200 elogiam a medida.