07 de julho de 2026
Geral

Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

Arremessos com artificiais: tiro certo

Texto: Roberta Mathias

Um grupo de pescadores aproveitou o final de semana passado para aprender a arremessar. Evitar cabeleiras e acertar "na mosca" foram alguns dos objetivos. O orientador do grupo? Rubinho Almeida Prado.

Pescadores e amantes da pesca esportiva estiveram reunidos no final de semana, em Arealva, às margens do rio Tietê, para um curso de arremesso com Rubinho Almeida Prado. A convite do pescador Pedro Conchinelli Júnior e de José Roberto Pengo, proprietário da chácara Doce Vício

(nome escolhido para os viciados em pescaria pela esposa Sônia), Rubinho orientou e falou sobre a importância da pesca esportiva aos interessados.

Com paciência e didática de quem já está habituado a enfrentar os vícios e "preguiças" dos pescadores, ele ensinou passo-a-passo vários tipos de arremessos, falou sobre a tão indesejada cabeleira e colocou desafios e metas ao grupo. Sempre buscando o aproveitamento da energia para impulsionar o arremesso.

Ele esteve acompanhado de Laércio da Costa Quatrocci e Marcos Valério da Costa, que fazem parte da equipe da Pescaventura, escola de pesca que Rubinho criou há mais de um ano, além de José Fernando de Almeida Prado, que sempre está ao lado de Rubinho em cursos, pescarias e eventos pelo País.

Avaliando o curso ministrado a pescadores de Bauru e Jaú, Rubinho se diz satisfeito. "Foi ótimo. Eles saíram do zero, eu reduzi bem, tive que cortar três arremessos para que eles pegassem o tempo dos movimentos, mas foi perfeito.

É preciso ter um condicionamento para pegar o movimento completo." Além disso, a prática é fundamental.

Depois de um dia inteirinho de arremessos em várias direções

(até para o alto!), os pescadores já estavam conscientes dos conceitos de energia e movimento transmitidos e a quantidade de acertos cresceu consideravelmente. Agora, eles se preparam para ir pescar e também visitar a Feipesca 2000, em São Paulo.

Riquezas do Brasil

Rubinho foi o principal impulsionador do movimento a favor da pesca esportiva no Brasil e ele conta como o País evoluiu nesse aspecto. Em poucos anos, muita coisa mudou. "Há uma preocupação maior dos governantes, principalmente governadores e prefeitos, com relação à possibilidade da sua região, da sua cidade, vir a ser um pólo de pesca esportiva, atraindo o turismo. Como uma indústria que traz muito recurso e leva pouco da região, leva mais a saudade, a memória."

Ele salienta que a pesca gera recursos e empregos: "pois não só ganham os hotéis, os guias, as lojas de pesca, mas toda a cidade pelo efeito do turismo. Ele movimenta cerca de 50 mecanismos de uma cidade. Ganha o farmacêutico, quando o turista compra um remédio; ganha o vendedor de sapatos; de roupas; o revisteiro; ganha o dono do bar. Essa cascata

é muito interessante, a gente sente que os governantes estão mais sensíveis com relação a este potencial."

Para a pesca esportiva no Brasil, Rubens Almeida Prado é um nome muito expressivo. Kdu Magalhães, experiente pescador do Rio de Janeiro, detentor de vários recordes e o único, no Brasil, a ter IGFA Certfied Captain, conta que aprendeu muito sobre a importância da pesca esportiva com Rubinho.

"No início, quando ele começou a escrever na Pesca & Cia., não gostava muito. Mas aos poucos comecei a entender a sua filosofia, a qual adotei. Seus primeiros programas de TV, me faziam morrer de rir. Só faltava beijar os peixes. Mas aos poucos comecei a entender que a sua mensagem não era piegas, mas sim uma maneira de evitar nossa ação predatória." Kdu abriu mão do prazer de embarcar o peixe pra ter um prazer muito maior: o de liberar o peixe.

"Aos poucos comecei a entender que o preservacionismo era a forma sensata de atuarmos. Peixe é uma coisa muito importante para só pegarmos uma vez." Kdu acrescenta: "se não fosse os artigos e vídeos do Rubinho, existiriam muito menos pescadores esportivos no Brasil".

O grupo

André Luiz Fernandes

Antônio Carlos Ramos

Antônio Mantovani

Carlos Artur Serrano Vieira

Carlos Roberto Fernandes

José Roberto Pengo

Marcus Vinícius F. Ramos

Pedro A. Conchinelli Júnior

Pérsio Pedro Simão

Para saber mais

www.pescaventura.com.br

******História de pescador *******

Estranho paladar

Prezados senhores,

A minha história não é uma mentira e sim um acontecido que, se quiser, exitem sete testemunhas para confirmar e minha história.

Quando do preenchimento da represa do rio Tietê, que faz limite com Uru, fomos para pescar traíra, ou melhor, "taraíra". E, como todo pescador, que não vai pescar sem levar um litrão de "mé", cachaça mesmo, partimos para a pesca. Quando chegamos no aterro do lago, já encontramos com um pescador que estava tirando peixes de suas redes.

Como a melhor isca é peixe, cada pescador foi cortando suas iscas e, na saída, tomava um gole de pinga. Eu fiquei por último, só que eu não bebia, mas comia. Com isso, o pescoço da garrafa ficou todo melecado de peixe, mas como a garrafa continha quase meio litro de pinga, para não esquentar, botei o fundo do litro no meio de uma moita, com a metade dentro d'água.

Depois de uns 15 minutos, mais ou menos, resolvi dar uma golada e qual foi a minha decepção, o litro estava se mexendo e de cabeça para baixo, todo fora da água.

É que uma jaracuçu, ou melhor, uma enorme cobra estava tentando engolir o litro, mas não conseguia. Porque somente o pescoço da garrafa estava dentro de sua boca, pois ela não conseguia fazer o restante passar em sua boca.

Vendo isso, não espantei, somente fiz um griteiro para que os meus companheiros vissem com seus próprios olhos. Caso eu contasse, na certa iria levar um surra, porque uma cobra engolindo um litro de pinga, ninguém iria acreditar. A marca da cachaça era Menegete, que já não

é mais fabricada.

Bom, o que aconteceu, na verdade, foi o seguinte: o gargalo do litro estava sujo de peixe que os companheiros, com suas mãos sujas, acabaram melecando por completo. O litro, pela metade, ficou com o cheiro, entre a água e o capim e a cobra jamais iria raciocinar que vidro não amassa como se fosse um sapo ou coelho.

Confira os companheiros/testemunhas desta aventura. Eles ainda residem em Uru e podem confirmar a história: Sebastião Ribeiro, Erotides Soares da Silva, Sereno e Antônio Luan.

Valter José Buso é pescador, contador de histórias e morador de Uru-SP.