07 de julho de 2026
Geral

Cooperativa

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Cooperativa de crédito abre segunda

A partir de segunda-feira, entra em funcionamento a cooperativa de crédito Alcred, ligada à Unimed (Cooperativa de Trabalho Médico) de Bauru. Inicialmente, a nova instituição, que tem a mesma área de atuação de um banco comercial, terá como público alvo os médicos filiados à Unimed-Bauru e seus familiares diretos. Porém, em breve, o leque será ampliado para outros profissionais da área da saúde.

Para participar da Alcred, os cooperados integralizam uma cota de R$ 2 mil, sendo R$ 1 mil à vista e mais cinco parcelas de R$ 200,00. Esse dinheiro fica disponível para o correntista, corrigido, caso venha a sair da cooperativa de crédito, informa o médico Ricardo Berriel, presidente da Alcred.

Além disso, em caso de lucro, anualmente, os participantes vão receber uma participação. Um exemplo disso foi uma Alcred, com 300 cooperados, de menor porte que o potencial da de Bauru, que distribuiu R$ 800 mil a seus associados, no ano passado, conforme informou Berriel.

A Alcred já foi instalada com sucesso em outras Unimeds do Estado e do País, entre elas, a de Ribeirão Preto, Araraquara e Avaré. Ao todo já são 20 dessas cooperativas.

A cooperativa de crédito funciona como um banco comum, só que com uma legislação própria, regulamentada e fiscalizada pelo Banco Central (BC).

Para facilitar a aprovação junto ao BC foi indicado um número mínimo de cooperados. Por este motivo, somente agora a Alcred está ampliando a participação, numa condição de maior facilidade.

Com a cooperativa de crédito, os participantes terão a possibilidade de evitar o elevado custo dos financiamentos em bancos que fazem parte do sistema financeiro. Segundo Berriel, muitos médicos não conseguem equipar ou mesmo modernizar seus consultórios pelo preço que o dinheiro tem nestes bancos. Segundo ele, por não visar lucro e operar com custos baixíssimos, a Alcred vai poder oferecer taxas de juros mais baixas pela própria natureza. Além disso, os participantes terão todas as vantagens, inclusive cheque especial, com juros mais baixos, entre 3,9% a 4,9%, contra uma média entre 7% e 10% do mercado. Além disso, as taxas de financiamentos de equipamentos será mais baixa do que o mercado, num percentual de 2% mais TR, em 24 meses, contra 3,9% mais TR do mercado, facilitando a vida dos cooperados. Outras diferenças dos bancos comerciais, como a não cobrança de várias taxas são realidade. O talão de cheques, por exemplo, só será cobrado a partir do terceiro, ainda assim uma taxa de R$ 3,00, contra uma taxa entre R$ 3,50 e R$ 6,00 cobrada nos comerciais a partir do segundo.

Osvaldo Rodrigues Azenha Júnior, diretor administrativo da Alcred e diretor da Unimed-Bauru, destaca que a adesão dos profissionais à nova cooperativa de crédito

é questão de tempo. Segundo ele, é natural que o médico vá checar no mercado e na Alcred as taxas cobradas pelas operações. "Quando ele perceber que aqui é mais baixo, sempre, vai vir para cá", afirmou.

O potencial de cooperados da Alcred-Bauru é considerado grande, já que a Unimed possui 600 médicos membros. Como há possibilidade de adesão de parentes diretos

- pai, mãe, esposa (marido) e filhos - dos profissionais, esse potencial sobe para cerca de 1,5 mil associados.

A cooperativa de crédito não pode fazer a compensação de cheques, em razão da legislação. Por isso, foi realizado um convênio com o banco Real para a realização deste serviço. O terceiro membro da diretoria da Alcred-Bauru

é o médico Enidelcio de Jesus Sartori, que ocupa o cargo de diretor financeiro.

Número 1

A conta número um da Alcred-Bauru é da Unimed-Bauru que deve direcionar para cooperativa de crédito grande parte do dinheiro que, até agora, pulverizava entre diversas instituições. Sua movimentação mensal está em torno de R$ 7 milhões, revelou Carlos Eduardo Sacomandi, presidente da cooperativa dos médicos.

Sacomandi lembrou que o Banco Central fiscaliza muito esse tipo de cooperativa, o que dá uma maior tranqüilidade e segurança aos correntistas.

Ricardo Berriel não acredita que a Alcred enfrentará problemas com a má lembrança que muitos médicos tem da Cooperativa de Crédito Agropecuária (Banco do Cintra), que quebrou juntamente com a corretora Valorama, há cerca de 15 anos. Ele diz que a atual cooperativa não tem dono, como era o caso do Banco do Cintra. "Não tem nada a ver. A outra (Cintra) era uma corretora de valores disfarçada de cooperativa. É muito diferente", destacou.

Berriel disse estar confiante no futuro da Alcred-Bauru. Ele lembra que, pela qualidade dos cooperados, as taxas de risco de operação será muito baixa, possibilitando uma situação de mais vantagens para todos os associados.