07 de julho de 2026
Geral

CPFL

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

Consumidora reclama de corte de energia feito pela CPFL

Texto: Patrícia Zamboni

A consumidora procurou o JC para dizer que o corte de energia em sua casa teria sido feito irregularmente e sem notificação aos moradores da casa

Depois de dois dias sem energia elétrica em sua casa, Zizoélia dos Santos Pletti, moradora da quadra 3 da rua Domingos Pletti, procurou o Jornal da Cidade para fazer uma reclamação sobre um problema que teve com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e que não teria conseguido resolver com seus diversos telefonemas à sede da empresa em Bauru. A moradora teve o fornecimento de energia suspenso, na quarta-feira, através da ação de funcionários da empresa que fizeram o corte sem comunicar os donos da casa. Após a intervenção do JC, ontem, uma instalação provisória foi feita no local, no início da noite.

De acordo com Zizoélia, no último dia 24 um funcionário da CPFL esteve em sua casa e teria deixado um recado com a filha de 11 anos - já que ela e o marido estavam trabalhando

- de que o poste residencial pelo qual passa a fiação da rede elétrica precisaria ser pintado por estar apresentando sinais de ferrugem. Para fazer isso, o prazo estipulado foi de 15 dias, segundo Zizoélia.

"O funcionário que veio aqui deixou recado com a minha filha, porque eu e meu marido estávamos trabalhando. Minha filha me disse que eles tinham dado um prazo de 15 dias para eu pintar o poste de luz da minha casa porque estava enferrujando. Eu mandei pintar no dia seguinte. Só que ontem (quarta-feira) outro funcionário veio, cortou a luz da minha casa e levou o relógio de medição embora. Novamente, isso foi feito na presença somente das minhas filhas, que têm 12, 11 e 8 anos", conta Zizoélia.

De acordo com ela, o recado deixado pelo funcionário da CPFL, na quarta-feira, teria sido de que o poste estava em situação irregular, com risco de cair, e que o relógio de medição estaria com defeito. Segundo a reclamante, o aviso foi feito verbalmente pelo funcionário da CPFL, que teria dito que um novo poste residencial e um novo relógio de medição deveriam ser providenciados para que a rede de energia pudesse ser religada.

"Isso não está certo, porque quando eles vieram aqui na semana passada só disseram que era para pintar o postinho. Eu não sabia que eu ia ter que fazer outro, ninguém falou diretamente comigo. O poste não está caindo e está chumbado numa base de concreto. O único problema é que ele estava com um pouquinho de ferrugem, mas quando eles mandaram pintar o poste, eu fiz isso no dia seguinte. Agora, como eles aparecem aqui e cortam a minha luz sem avisar e sem dar prazo nenhum? Eu tenho três filhas pequenas, não posso mais ficar sem energia em casa", disse, indignada, a reclamante.

De acordo com Zizoélia, ontem ela entrou em contato novamente com a CPFL para tentar resolver o problema do corte de luz e obter mais informações sobre o problema que estaria ocorrendo em sua casa. Porém, a única resposta que teria obtido foi a de que deveria providenciar outro poste e outro relógio de medição para ter a energia elétrica religada em sua casa. "Têm outros postes na rua onde eu moro que estão bem piores do que o meu e a CPFL não fez nada disso nessas casas", reclama Zizoélia.

A CPFL

Em contato com a Assessoria de Imprensa da CPFL, em Campinas, a reportagem obteve a resposta de que esse caso foi considerado perigoso, urgente, e que o procedimento utilizado pelos funcionários da empresa "faz parte da exceção, e não da regra". A medida de corte de energia teria sido tomada pelo fato dos funcionários terem constatado que a base do poste residencial estava "esfarelando" e que isso representava risco iminente para os moradores da casa, vizinhos e transeuntes.

De acordo com a Assessoria, em contato com o gerente de serviços de campo da CPFL, em Bauru, teria sido obtida a informação de que a troca do poste residencial de energia precisava ser feita com urgência. O problema teria sido identificado durante uma inspeção rotineira do padrão de entrada, que significa o poste de luz da residência, a caixa que abriga o medidor e o próprio medidor. Segundo a Assessoria, quando é constatado algum problema que oferece risco de acidentes, o morador é notificado e recebe um prazo, que varia de acordo com a gravidade da situação.

Diante da constatação sobre o processo de esfarelamento da base em que o poste está instalado, teria sido estipulado um prazo de 15 dias para que o poste e o medidor fossem substituídos. Segundo a Assessoria de Imprensa, o gerente de área da CPFL de Bauru teria afirmado que foi deixada uma notificação por escrito na casa, explicando sobre os procedimentos que deveriam ser tomados. A informação difere da versão passada à reportagem pela moradora, que disse que as filhas tinham recebido apenas um recado verbal e que o pedido era somente de que o poste fosse pintado.

A atitude da CPFL ter enviado uma equipe de volta ao local, antes de expirar o prazo concedido pela empresa, e ter efetuado o corte de energia, foi justificada pela Assessoria de Imprensa como uma ação que iria garantir a segurança dos próprios moradores e de outras pessoas. A Assessoria informou, ainda, que essa situação foi considerada uma exceção ao sistema de trabalho da CPFL. Ou seja, a justificativa para o corte inesperado de energia foi o fato desse caso ter fugido

à rotina - em relação aos procedimentos comumente utilizados pela empresa -, por oferecer perigo de curto-circuito ou maiores danos.

De acordo com a Assessoria de Imprensa, por ter sido considerada uma exceção e pelo fato do problema ter chegado até a sede principal da CPFL, em Campinas, uma equipe foi enviada até o local para uma análise técnica sobre a possibilidade de ser feita uma ligação provisória, sem utilizar o poste residencial da casa. Porém, se não houvesse "possibilidade técnica" para prosseguir com a instalação, a moradora continuaria sem energia elétrica até providenciar um novo poste.

Essa informação foi passada por volta de 18h20 e,

às 19h25, a reportagem conseguiu entrar em contato com a reclamante, Zizoélia Pletti, que confirmou a instalação provisória feita pelos funcionários da CPFL.

O novo prazo estipulado aos moradores para providenciar a regularização da situação atual, segundo a Assessoria, é dia 18 de setembro. De acordo com as informações obtidas pela reportagem, Zizoélia receberá, gratuitamente, um novo relógio de medição. O investimento da moradora será fazer a caixa de alvenaria que abriga o relógio e comprar um novo poste.