Transposições sobre trilhos na área central são inviáveis
A implantação de transposições sobre os trilhos da Ferroban (antiga Fepasa) nas ruas Agenor Meira, Rio Branco e Gustavo Maciel, no centro da cidade, para desafogar o trânsito na área, é inviável, do ponto de vista técnico. No caso da rua Agenor Meira, há o prédio da antiga estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, atualmente em processo de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural, Codepac, exatamente sobre o traçado da rua. O imóvel, inclusive, deve ser cedido para a Prefeitura, para a instalação do Museu Ferroviário Regional.
Na altura das ruas Rio Branco e Gustavo Maciel, a dificuldade
é o movimento constante de trens no pádio de manobras da Ferroban, que fica no local. O tráfego ferroviário faria com que a eventual passagem permanecesse constantemente interrompida ao trânsito de veículos, o que na prática não representaria qualquer melhoria no sistema viário do centro da cidade, como argumentam dirigentes da empresa.
As avaliações foram apresentadas pela direção da ferrovia à Prefeitura na manhã desta quarta-feira, dia 30, durante vistoria técnica feita ao longo dos trilhos da Ferroban na zona urbana por um grupo de trabalho composto por representantes de ambas as partes. O responsável por transposições de trilhos em áreas urbanas, Siriney Garla, foi quem fez a exposição da análise à secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano.
Jardim América
A passagem de nível entre o Parque das Nações e o Jardim América, na zona sudoeste, da qual está sendo solicitada a oficialização, foi examinada na vistoria. Para a Ferroban, a medida só poderá ser adotada em caráter precário, por causa da característica da ligação, que é em diagonal, prejudicando a visibilidade. O risco é ampliado porque há uma curva nos trilhos da ferrovia nas proximidades do local. A passagem será mantida até que a Prefeitura implante outra transposição, sob os trilhos, na área - uma obra prevista para os próximos anos, em virtude dos custos.
A transposição da ferrovia na avenida Comendador Martha já é oficial, mas a Ferroban manifestou preocupação com o intenso movimento de veículos na área. Solicitou maior sinalização no local, o que será atendido pela Emdurb, Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural. Pediu, também, a capinação em torno da passagem de nível, para ampliar a visibilidade dos motoristas. A Sear, Secretaria das Administrações Regionais, fará o serviço.
Uma outra ligação foi vistoriada, a que fica entre o Jardim América e um pequeno bairro carente. Ali, os problemas são a segurança - os trilhos fazem uma curva nas proximidades - e o lixo existente no córrego ao lado das casas. As Secretarias de Saúde e do Meio Ambiente farão um trabalho de conscientização entre os moradores. A algumas centenas de metros dali, na altura da fábrica da Ceval, antiga Sanbra, uma passagem de pedestres receberá melhorias por parte da Ferroban. E uma ligação mais ao sul, quase fora da área urbana, entre uma gleba da ferrovia e um bolsão de entulhos será interditada. A área de descarga de materiais de construção vai ser fechada pela Secretaria do Meio Ambiente, por ser irregular.
Limpeza em execução
Durante a vistoria, representantes da Prefeitura e Ferroban constataram que a limpeza das áreas ao longo da ferrovia já está sendo executada, através de ação conjunta entre trabalhadores dos dois órgãos. Quanto ao lixo atirado nas lateriais dos trilhos, a Secretaria de Saúde vai desenvolver um projeto de conscientização junto aos moradores das áreas próximas para evitar que a prática continue. Há também pequenos bolsões de entulhos, que serão eliminados. Depois, passarão a ser fiscalizados pela população, contatada pela Secretaria do Planejamento, para que não reapareçam.