07 de julho de 2026
Geral

Tiro de Guerra

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Coronel ameaça fechar TG de Agudos

Texto: Fabiana Teófilo

O coronel Almeida e o prefeito de Agudos, Afonso Conde discutiram muito antes de chegar a um acordo

O coronel do Comando Militar do Sudeste (CMSE), Pedro Eduardo Paes de Almeida esteve durante manhã de ontem em Agudos com o objetivo de inspecionar o Tiro de Guerra (TG) local. Durante sua visita ele constatou que o acordo firmado entre a Prefeitura Municipal de Agudos e o Ministério do Exército em 1998 não estava sendo cumprido. "O Ministério do Exército sempre cumpriu a sua parte do acordo, mas a Prefeitura de Agudos não fez o mesmo", afirmou.

Diante da situação, o coronel afirmou que irá pedir o fechamento do TG. De acordo com ele, a decisão será do CMSE. "Vou propor o fechamento e a decisão deve ser tomada logo, porque provavelmente no ano que vem já não haverá incorporação. A possibilidade de fechamento é de 80%", disse.

Entre os itens do acordo que, segundo o coronel, a Prefeitura não cumpriu está a criação de uma sede polígono de tiro, manter em boas condições as instalações locais com verba prevista no orçamento municipal, compra de instrumentos para a fanfarra (que não existe), custeio das despesas de água, luz, telefone, entre outros. O coronel Almeida afirmou que o sargento designado para ser o responsável pelo TG de Agudos teria que receber um informativo contendo o valor do orçamento municipal que seria repassado, mas nunca recebeu. Ele pediu também a prestação das últimas três contas de descentralização de recursos da Prefeitura para o TG, mas não teve retorno. "Não há nenhuma conta. Elas não existem porque os recursos não foram descentralizados", afirmou.

A reportagem não pôde acompanhar a conversa entre o prefeito Afonso Conde e o coronel Almeida. Mas, do lado de fora da sala, se ouvia discussão a gritos e até ofensas. Depois de, aproximadamente 20 minutos, o coronel Almeida e Conde falaram com a imprensa. O tom de voz já era outro, quando Almeida disse esperar que o TG de Agudos continue funcionando por muitos anos e que o fechamento não caberia a ele. "O problema de fechamento ou não, não é da minha parte", afirmou.

O coronel disse ainda que o prefeito se comprometeu, dentro do menor prazo possível, fornecer ao TG as reivindicações do Ministério do Exército.

Erro de comunicação

O prefeito Afonso Conde disse que o problema com o descumprimento do acordo vem ocorrendo desde 1995. "Nós assumimos uma situação complicada e estamos tentando reestruturar aos poucos", afirmou. De acordo com ele, se depender da Prefeitura o Tiro de Guerra não deverá fechar. "O que está sendo pedido já está sendo providenciado. Isso foi um erro de comunicação. Não teremos problemas em atender as reivindicações", afirmou.

Sobre a fanfarra, o prefeito disse que estava aguardando uma resposta do Governo Estadual. "Como não há mais prazos, a Prefeitura vai providenciar todas essas coisas", afirmou.

Conde disse que antes do final do ano estará cumprindo a lista de itens impostas no acordo com o Ministério do Exército. "Seguramente podemos providenciar tudo antes do final do ano. Estou surpreendido pela simplicidade de algumas coisas que estão sendo pedidas e nós não teremos dificuldades em atender. Outros, se não conseguirmos com o governo, faremos também através da Prefeitura, sacrificando outra área, mas podendo evitar o fechamento do Tiro de Guerra", explicou.

Conde não soube informar o valor do repasse mensal da Prefeitura para o Tiro de Guerra. "Nós temos uma verba que sempre foi colocada no gabinete e os pedidos do sargento são repassados para que sejam atendidos. Não sei precisar exatamente a verba", afirmou.

Ele disse, ainda, que o valor previsto no orçamento municipal para os gastos do TG, normalmente não é suficiente.

"Geralmente gastamos mais daquilo que está destinado. Não temos problemas em manter o Tiro de Guerra. Torno a repetir: é um erro de comunicação", afirmou.