Casos de aftosa no Sul afetam pecuária paulista
Apesar de ser considerado zona livre da doença, estado mantém controle da vacinação
Os focos de febre aftosa que surgiram recentemente no Rio Grande do Sul, deixaram as autoridades sanitárias em estado de alerta. Homens do Exército e da Marinha estão patrulhando mil quilômetros de fronteira com o Paraguai. O objetivo
é impedir a entrada de gado ilegal que possa ter aftosa. De acordo com a Defesa Sanitária, na região de Bauru, existem 400 mil cabeças de gado. Apesar do tamanho do rebanho, o último caso notificado foi em 1994.
A aftosa pode ser transmitida através do ar e da água, chegando atingir 50 quilômetros do local de origem. Para evitar a disseminação da doença, o Ministério da Agricultura, estabeleceu o controle rigoroso do trânsito de animais e de carne com osso. São exigidos atestados de vacinação e respeitadas quarentenas. Na opinião do diretor do Escritório de Defesa Agropecuária, em Bauru, Vladmir Souza Nogueira Filho, isso não significa que o transporte clandestino não possa ocorrer. "Precisamos continuar atentos. Drogas são proibidas e nem por isso deixam de ser transportadas", destacou.
Os principais sintomas da febre aftosa são o surgimento de aftas na boca do animal, e feridas nos cascos. Além disso, podem ocorrer machucados nos tetos das vacas. "É fácil descobrir a contaminação, pois o animal fica babando sem parar, devido as feridas na boca", explica Nogueira Filho.
Segundo ele, não existem remédios para a doença. O animal morre ou acaba ficando curado com o tempo. Normalmente, os animais doentes são abatidos para evitar que a doença se espalhe.
Nogueira faz um alerta: apesar do Estado de São Paulo ser considerado zona livre de aftosa, é preciso continuar a vacinação total dos rebanhos. "Deixar de vacinar
é, antes de mais nada, burrice. Se surgirem casos da doença, os produtores perderão dinheiro", afirma.
Para ele é preciso o comprometimento de todos os envolvidos na questão, "Quem não vacina o gado tem que ser denunciado pelos vizinhos", defende.
Prejuízo
O presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde Guimarães, acredita que os efeitos dos focos de aftosa no Rio Grande do Sul, já estão sendo sentidos na região de Bauru. "Havia uma expectativa grande, por parte dos produtores, de uma alta acentuada no preço", afirmou.
O excesso de oferta de boi, criado em confinameto, já vinha derrubando as cotações. Com o cancelamento de contratos de exportação, a oferta deve aumentar, diminuindo ainda mais os preços.
O Estado de São Paulo é considerado zona internacional livre de aftosa. Apesar disso, a descoberta de casos da doença, no Rio Grande do Sul, compromete as exportações do Estado. "Os americanos e europeus são muito criteriosos com as questões sanitárias", explica Guimarães. Segundo ele, esse fato será prejudicial para São Paulo. "Para eles, importa apenas o país de origem", afirmou.
Um dos reflexos dessa situação, é o possível adiamento da data prevista para erradicação da doença no Brasil. O Ministério da Agricultura esperava atingir a meta em 2005. Esse adiamento afetaria diretamente as exportações. Atualmente, o Pais está dividido em quatro regiões, conforme o risco de ocorrência da aftosa (veja o mapa).
Contaminação Humana
Em 20 anos trabalhando como veterinário do Estado, Nogueira Filho disse nunca ter visto um caso de aftosa humana. O médico infectologista Marcelo Pesce confirma: "É muito difícil acontecer", destaca.
Porém, um fator para a pequena quantidade de casos pode ser o erro de diagnóstico. "Apenas com um exame superficial, a aftosa pode ser confundida com uma estomatite, devido o surgimento de feridas na boca", informa o médico.
Da mesma forma que ocorre com os animais, não existem remédios para combater a doença e o doente acaba ficando curado com o tempo. Mesmo assim, é preciso consultar um médico.
Serviço
Qualquer caso suspeito de contaminação deve ser imediatamente comunicado ao Escritório de Defesa Agropecuária. O telefone é (14) 227-0955.