Eternizando o samba
Texto: Fabiano Alcantara
Beth Carvalho se apresenta hoje, na Cervejaria dos Monges, com o show "Pagode de Mesa"
Um dos maiores nomes da música brasileira em todos os tempos, Beth Carvalho chega hoje a Bauru para mostrar porque "o samba agoniza mas não morre". Na Cervejaria dos Monges, ela mostra seu novo trabalho, "Pagode de Mesa".
No espetáculo, Beth prova a sua grande versatilidade e as suas possibilidades de intérprete do samba. Apresenta também um grande "pagode de mesa", onde desfila o fino repertório do seu disco mais recente. Leia a seguir a entrevista que Beth Carvalho concedeu ao JC Cultura.
JC Cultura - O que acha da valorização do samba de raiz e artistas que estavam fora da mídia como é o caso de Leci Brandão e Jorge Aragão?
Beth Carvalho - Estamos vivendo um novo momento no samba. O samba no Brasil funciona como uma Bolsa de Valores. Ora está em alta, ora em baixa, mas está sempre presente porque o samba é a resistência de um povo e, por isso, muitos querem bombardear. O samba é mais que um gênero musical
é a cultura de um povo.
Atualmente percebo que renovei meu público sem perder aquele que eu tinha, com jovens interessados e que conhecem muito sobre o samba. Em São Paulo, por exemplo, conheci o grupo Quinteto em Branco e Preto, que é formado por jovens entre 18 e 25 anos. Eles sabem muito do samba. Já fiz várias apresentações com este grupo, inclusive este show, de hoje, na Cervejaria dos Monges, em Bauru, estarei com o Quinteto em Branco e Preto. Isto me faz feliz. Este convívio com os jovens é a maior prova de que as coisas em relação a conscientização sobre o samba melhoraram.
JC Cultura - Na sua opinião por que existe polêmica em relação ao samba "se morreu ou não"?
Beth - "O samba agoniza mas não morre", afirma Nelson Sargento. E, isto é verdade. Como já expliquei embora o samba esteja ora em alta, ora em baixa ele está sempre presente porque é a resistência de um povo, por isto sempre tem alguém querendo bombardeá-lo.
JC Cultura - Quando saiu o CD "Pagode de Mesa" e quantas cópias ele vendeu?
Beth - "Pagode de Mesa" foi lançado no final do ano passado. Já vendeu muito mais de 100 mil cópias. Estou em meio a seleção do próximo CD que se chamará "Pagode de Mesa 2". Já recebi mais de 400 composições da maior qualidade e, já no próximo dia 11 vou gravá-lo ao vivo, aqui em São Paulo. Este novo CD será produzido por mim com arranjos do maestro Ivan Paulo.
JC Cultura - O que vem a ser exatamente o pagode?
Beth - O samba nasce num fundo de quintal. Para mim os pagodes de fundo de quintal tem como simbolismo o "fundo de quintal de nosso coração, ou da minha alma, que
é a alma sambista". É essa expressão que me lembra o convívio, a tantos anos por exemplo, com os pagodes da Tia Doca, da Clementina e da Chiquita sambando no Cacique de Ramos com os compositores versando em volta. Estes são os verdadeiros pagodes que funcionam como uma terapia popular. Sua alegria natural faz com que as pessoas consigam transformar sua dor e atenuá-las.
JC Cultura - Se o samba agoniza mas não morre, qual
é o futuro do samba?
Beth - O samba engloba a terapia e cultura popular e com isso se transforma poderosamente na resistência de um povo. Por isso, em relação ao seu futuro, vejo o samba com otimismo e conscientização das novas gerações.
Serviço
Beth Carvalho com o show "Pagode de Mesa". Hoje, às 23 horas na Cervejaria dos Monges. Patrocínio: Ford, Tilibra e Caixa Econômica Federal. Apoio: Saint Paul Residence, Sat Engenharia, 96 FM e Jornal da Cidade. A Cervejaria fica na avenida Getúlio Vargas, 7-50.