Mulheres: sexo sem prazer
Texto: Fabiana Teófilo
Uma geração criada para não sentir prazer carrega nos dias de hoje a frustração do sexo ruim
Dor de cabeça. Essa ainda é a principal desculpa que as mulheres usam para evitar o ato sexual. Mas, por que evitar algo que, teoricamente, é prazeroso? Alguns profissionais explicam a falta de desejo sexual por parte de algumas mulheres. Depoimentos de esposas infelizes, sexualmente, mostram uma realidade de frustração.
As reclamações sobre sexo ruim, normalmente, vêm de mulheres casadas e com mais de 30 anos. Essa é a geração que recebeu uma educação mais rígida, em que os pais não abordavam o tema com clareza. O sexo para elas não é sinônimo de prazer e sim uma obrigação para com os esposos. "Nós fazemos amor para gerar filhos e, na maioria das vezes, para satisfazer a vontade do homem", disse a dona de casa G.M.C.C., 42 anos, que preferiu não se identificar. Ela contou que nunca teve prazer na relação sexual e não se importa com isso. "Eu sempre falo para minhas filhas que sexo é ilusão. Não há nada de interessante no sexo, ao menos para as mulheres. Sempre que posso vou logo falando que estou com dor de cabeça, assim evito de me irritar", contou. Ela disse, ainda, que sempre sentiu dor e não consegue relaxar. "Faço
às vezes porque se eu não fizer meu marido, certamente, vai procurar outra para satisfazê-lo", afirmou.
De acordo com a psicóloga, Maria Lúcia Biem, a infância e a educação que essas mulheres receberam influenciam fortemente na falta do prazer. "Geralmente não há nada físico ocorrendo, o único problema é a cabeça, a mente", afirmou. Ela explicou que a repressão era muito grande, antigamente, então essas mulheres não têm liberdade de conversar, de falar o que sentem e o que querem. "O assunto sexo era muito afivelado, muito reprimido", afirmou.
Maria Lúcia disse também que algumas mulheres mudam depois de ter filhos. Antes, elas conseguiam sentir prazer, mas com os filhos, isso muda porque a prioridade também muda. Os filhos estão sempre em primeiro lugar. "A mulher, nesse caso, sublima o papel de mãe, deixando o papel de mulher de lado", disse.
De acordo com Maria Lúcia, o fato da mulher estar mais liberal, trabalhando fora de casa, não muda o que ela sente em relação ao sexo, ou seja, a vontade pelo sexo deveria ser a mesma, o que poderia mudar seria o cansaço, o estress, o tempo, mas não deixar de ter vontade.
A psicóloga explicou que a mulher deve analisar o seu papel como mulher, pensando em sexo, criando e realizando fantasias, assistindo filmes eróticos, se produzindo, prestando atenção nas sensações. "Tem que despertar a sensibilidade, fazer massagens, sentir o toque, buscando a estimulação", disse.
É recomendável que as mulheres que sofrem de problemas dessa índole, não se sintam envergonhadas de fazer uma consulta com um especialista em sexologia. A solução
é mais fácil e rápida quando os problemas são recentes. A terapia mais indicada é aquela que se faz com o casal. É necessário e imprescindível o seguimento por parte de um terapeuta sexual para obter o êxito do tratamento. Todas as disfunções sexuais femininas têm tratamento com uma eficácia de 95%.
Parceiro adequado
Para a secretária Estela Maria de Oliveira, 48 anos, o bom sexo depende do parceiro. Ela está casada há 26 anos e tem três filhos. "Meu marido me fala que
às vezes parece que está transando com um cadáver", contou. Estela não sente prazer no sexo, mas para ela, a culpa é do marido. "Ele deita e já quer ir logo para os finalmente. Eu acho que não deveria ser assim. Já falei isso para ele, mas ele sempre esquece e o pior
é que isso não é de agora, sempre foi assim", disse.
De acordo com Estela, a culpa é também da educação que recebeu de seus pais. "Meu pai e minha mãe nunca conversaram comigo e com as minhas irmãs sobre sexo. Quando eu me casei, eu tinha muito medo de transar", afirmou.
O médico ginecologista Laudelino Pádua Cerqueira, concorda com Estela sobre o desempenho do parceiro para o bom sexo entre o casal. "O problema é a falta de adequação de parceiro", afirmou. Ele contou que atende pacientes que reclamam que seus parceiros são rápidos no sexo e não utilizam as preliminares. "Elas querem carinho e afetividade e a falta disso causa a frigidez na mulher. Se a mulher tiver um bom parceiro, ela não será frígida", disse.
Cerqueira disse ainda, que a necessidade fisiológica do homem e da mulher em relação ao sexo é a mesma. "Os dois têm produção de testosterona, o mecanismo de cada um é que é diferente. Para o homem é uma coisa visual e para a mulher é tática. Toda mulher ativada, ou seja, acariciada, certamente vai querer sexo sempre", afirmou.
Ele explicou que o homem tem mais facilidade para se excitar e sentir prazer, mas a mulher quando é amada e seu parceiro sabe utilizar dos meios para acariciá-la, se revela uma excelente amante.
Há no mercado alguns medicamentos urológicos para provocar a ereção como o Viagra, Vasomax e Uprima, mas para tratar os problemas femininos sobre a falta de interesse pelo sexo nada foi descoberto até agora. Sabe-se que cientistas estudam e testam algumas fórmulas para fabricar um medicamento que aumente o fluxo sangüíneo a nível de clitóris, mas ainda não há nada novo no mercado. "O Viagra eles testaram em mulheres também, mas eu ainda acredito que o melhor remédio é o carinho do parceiro correto", afirmou Cerqueira.
Disfunções Sexuais Femininas
Em alguns casos as mulheres se demonstram interessadas, mas não conseguem manter uma boa relação sexual. O problema nesses casos pode ocorrer devido a disfunções sexuais.
Há mulheres que sofrem alterações, ou seja, disfunções sexuais femininas e fazem com que as relações sexuais não sejam satisfatórias. Veja abaixo algumas delas:
Dispareunia ou Coitalgia - São doenças que a mulher apresenta durante o ato sexual, tornando-o doloroso e dificultoso. Abrange desde a irritação vaginal pós-coito até uma dor profunda que impede a relação sexual
Anorgasmia - É um bloqueio do componente orgásmico, mas não da excitação. É uma disfunção bastante freqüente.
Vaginismo - É a impossibilidade de realizar o ato sexual, devido a contração involuntária dos músculos do terço inferior da vagina.
Desejo sexual inibido ou Anafrodisia - Trata-se de uma inibição da excitação em geral. Apresenta-se por uma falta de sentimentos eróticos, sendo para essas mulheres a relação sexual como um castigo. A situação provoca insatisfação e depressão.