Jingle cria imagem musical do candidato
Texto: Daniela Bochembuzo
Executado incansavelmente, o jingle tem o objetivo de transmitir ao eleitor o ritmo e a emoção da campanha eleitoral
Com veiculação maciça nos programas eleitorais gratuitos de rádio e televisão, os jingles políticos conseguem, não raro, substituir, durante o período eleitoral, os hits pop nas paradas de sucesso. As melodias simples, somadas a refrões fáceis de decorar, transformam os jingles em peça publicitária fundamental para a construção da imagem do candidato.
"O jingle dá o ritmo e externa a emoção da campanha política", explica Carlos Previdello, o Billy, diretor-comercial da TBR Produções. Segundo Billy, o sucesso de um jingle pode ser medido pelo número de pessoas que o cantam fora e dentro dos showmícios.
Estela Almagro, candidata à Prefeitura pelo PT, não fez ainda nenhum showmício, mas o seu jingle de campanha já está na boca do povo. O refrão simples
("Muda Bauru, muda já / Todos queremos Estela lá") tornou a música uma das preferidas das crianças, independente dos pais serem eleitores ou não da prefeitável petista.
A base melódica da música de Estela Almagro é o jingle da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A letra foi adaptada pelo compositor Jotha Luís e agradou ao partido. "É alegre, gostosa e agradável de ouvir", afirma José Carlos Pereira Batata, marido da prefeitável e candidato a vereador.
No caso da campanha de Batata, ele próprio arriscou - sem ser músico - adaptar a letra de uma música da dupla Gian & Giovani. O resultado tornou seu jingle um dos hits das eleições bauruenses para vereador: "Vamos dar as mãos, 13 - 1 - 2 - 3 / Quem errar o voto, perde a vez".
As adaptações, no entanto, são pouco adotadas durante o período eleitoral. Isso por que o candidato, ao fazer a modificação, deve pagar o direito autoral para o compositor da música original, sob o risco ainda de custear taxas cobradas pelo Escritório Central de Arrecadação do Direito Autoral (Ecad), de acordo com o número de execuções públicas da composição.
Em razão disso, o compositor Jotha Luís prefere compor músicas inéditas para a campanha eleitoral. Ele é o músico preferido entre os políticos bauruenses. O sucesso explica-se pelo seu histórico musical. De apelo popular, as composições de Jotha já ajudaram a embalar muitas vitórias, entre elas dos deputados estaduais Rodolfo Costa e Silva (de São Paulo) e Carlos Braga, além do ex-prefeito Antonio Izzo Filho (no seu segundo mandato) e do ex-vereador Hélio Pires.
Mas o sucesso de Jotha Luís extrapola os meios políticos. Suas composições foram gravadas por muitas vozes famosas do cenário musical nacional. Nesse grupo estão as duplas Leandro & Leonardo, que gravou "A Rotina", Zezé di Camargo & Luciano, com "As Rédeas do Possante", e Rosa & Rosinha, que está regravando
"Bobeou, a Gente Pimba", um dos maiores hits da carreira do Trio Parada Dura. Sula Miranda, Gretchen e César & Paulinho são outros clientes do compositor.
Em razão disso, Jotha Luís está assinando nada mais que dez jingles para as eleições municipais. São de sua autoria as músicas das campanhas dos prefeitáveis Estela Almagro (PT), Pedro Tobias (PDT) e Tuga Angerami (PSB), além de Agamenon (PDT) e Santo Natale
(PSDB) e mais cinco candidatos da região.
"O pessoal me procura porque consigo levar direitinho a idéia do candidato para a música. Tenho tino para compor. Faça das minhas composições um casamento entre a melodia e a letra", afirma Jotha Luís.
A maioria dos jingles políticos executados atualmente em Bauru tem ritmo sertanejo, seja estilo "bailão de rodeio" ou "country". Mas há espaço para pagode, balada e axé. Quanto mais alegre, mais apelo popular terá.
Isso não impede, no entanto, que candidatos arrisquem investir no estilo gospel. Esse é o caso de Tidei de Lima (PMDB), cujo refrão "Levanta, Bauru, com Tidei / Vamos lá"
é entoado por um coral claramente inspirado nos grupos batistas norte-americanos - o que inclui vocalistas com fraque e vestidos longos -. Seria o Harlem bauruense?