Evangélicos somam 15% da população
Texto: Andréia Alevato
Quinze por cento da população bauruense são evangélicos. O número é superior à média do País, que gira em torno de 10%.
Bauru tem uma igreja evangélica para cada 900 habitantes. O Conselho dos Pastores Evangélicos de Bauru considera esse número "um mínimo ideal", já que a projeção do trabalho evangélico no Brasil é que se tenha uma igreja para cada mil habitantes.
"Em Bauru, temos uma igreja evangélica para cada 900 habitantes. Esse número é considerado um mínimo ideal, porque a projeção do trabalho evangélico no País é que se tenha uma igreja para cada mil habitantes. Então, esse número é superior em Bauru, o que é bom. Em todo o Brasil, a média
é de 10% da população sejam evangélicos. Em Bauru, esse número é de 15%", disse o pastor Edson Valentin de Freitas Filho, presidente do Conselho dos Pastores Evangélicos de Bauru.
Fiscalização
Na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), que expede os alvarás de funcionamento de estabelecimentos, inclusive igrejas, estão inscritas apenas 114 igrejas, isso contando as igrejas católicas, evangélicas e templos similares e ligados à religião.
Segundo a titular da pasta, Maria Helena Rigitano, a fiscalização se torna difícil, porque muitos alugam prédios em nomes de pessoas físicas e a freqüência com que se abre e fecha uma igreja é grande.
"Essas igrejas abrem e fecham com muita freqüência. Além disso, muitas dessas igrejas são abertas em nomes de pessoas físicas", explicou a secretária de Planejamento.
Hoje, a Seplan faz a fiscalização nesses estabelecimentos depois que recebe reclamações de vizinhos.
"É o único jeito de sabermos quando se abre mais uma igreja na cidade", completou.
Lei
Até as 22 horas, as igrejas podem fazer o barulho que quiser que não estão infringindo a Lei do Silêncio.
Essa lei permite que danceterias e bares funcionem com um limite de som de 80 decibéis até às 22 horas, um som considerado muito alto pela Seplan. Essa mesma lei exclui as igrejas, que podem fazer qualquer tipo de barulho até as 22 horas.
Algumas realmente incomodam os vizinhos com o som dos cultos. No Geisel, por exemplo, o morador Wilson (que preferiu se identificar apenas pelo primeiro nome para evitar conflitos com os vizinhos) disse que não consegue assistir televisão na sala de sua casa nos dias de culto.
"Não sei para que um som tão alto. São poucas pessoas e o lugar é pequeno. Até parece que Deus é surdo", reclamou o morador.
Falta informação
Uma lei municipal determina que instituições religiosas tenham desconto no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), nas contas de água e até de luz. Mas, mesmo assim, a maioria das igrejas, principalmente as evangélicas, estão em nome de pessoas físicas.
O presidente do Conselho dos Pastores Evangélicos de Bauru acredita que isso acontece porque muitos pastores desconhecem a lei.
"Já vimos vários casos de que o pastor não sabe que se a igreja estiver regularizada na Prefeitura, ela terá diversos benefícios, como o desconto do IPTU", disse o pastor Edson.
Nomes variados
Assim como a quantidade, os nomes das igrejas evangélicas também são variados.
O presidente do Conselho dos Pastores Evangélicos de Bauru explicou que as denominações mudam de uma igreja para outra para que haja uma identificação mais rápida. Os estilos de cultos e a administração de cada igreja também variam, mas a base religiosa é a mesma.
"São oito igrejas Batistas em Bauru e cada uma tem um nome diferente, como forma de identificação, como a Primeira Igreja Batista de Bauru. A mesma coisa acontece com as denominações, como as Pentecostais. O que muda são os estilos de cultos e a administração. Cada uma tem um modelo de culto e de administração. Então, quando se fala em Assembléia de Deus, sabe-se que a igreja tem um modelo de administração e de culto. Quando se fala em Presibiteriana, sabe que é um outro modelo de administração e de culto. Mas na base, é a mesma coisa", explicou o presidente do Conselho.