07 de julho de 2026
Geral

Circuitos internos

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Medo da violência faz crescer o uso de circuitos internos de televisão

"Sorria você está sendo filmado." Frase torna-se comum na vida das pessoas

Ser filmado por circuitos internos de televisão, já faz parte da rotina das pessoas. No mercado, nos prédios, indústrias e lojas de conveniência as lentes da câmaras registram tudo. As opiniões sobre esse assunto não são unânimes. O que para uns é segurança, para outros é invasão de privacidade.

A equipe do Jornal da Cidade conversou com o síndico de um prédio, de Bauru, que preferiu não se identificar. Segundo ele a medida de instalar um circuito interno de televisão, contou com o apoio de 100% dos moradores. Após a instalação das câmaras os problemas com depredação, praticamente acabaram. "As pessoas passaram a ser mais responsáveis, ninguém reclamou".

Apesar de todo cuidado com a ética, o síndico não deixa de achar divertido observar o comportamento das pessoas.

"Algumas pessoas mudam de comportamento quando estão próximas as câmaras, outras levam a vida normalmente, se precisar ajeitar a roupa ajeitam". Ele conta que são várias as cenas incomuns. "Com um pouco de dinheiro dava para fazer um filme bom" , diverte-se.

Para o empresário Ricardo Oliveira, dono de uma empresa de segurança, na capital, o cuidado com esse material deve ser de quem instala o equipamento. "A linha entre a segurança e a invasão de privacidade é tênue, os nossos clientes são orientados sobre esse fato". Para Oliveira, o aumento da instalação de sistemas de segurança

é mais um reflexo da globalização. "Nos Estados Unidos, as casas já têm o sistema previsto no projeto". Ele acredita que esse fenômeno irá repetir-se no Brasil.

Moradora de um prédio que também adota o sistema de vigilância, a dentista Vanesca Hortolan, reconhece que no começo não se sentia a vontade. "Eu brincava com os porteiros, porque eu não podia acabar de me arrumar no elevador", porém com o tempo acabou acostumando-se.

"Acho que não tem problema, pois hoje em dia isso

é comum", conclui Vanesca Hortolan. Hoje ela não vê mais problema em passar batom, ou acabar de pentear o cabelo enquanto usa o elevador.

A empresária, Lucilene Cavenaghi, dona de um posto de gasolina, sabe que o sistema não é uma garantia de segurança total. "Pode não impedir 100%, mas ajuda muito". Mesmo com o sistema implantado o posto sofreu três assaltos nos últimos quatro anos. Apesar das ocorrências, ela está satisfeita com o investimento feito no equipamento

" Caso não tivéssemos as filmadoras esse número de assaltos seria bem maior", acredita Lucilene Cavenaghi.

Os prejuízos com pequenos furtos também levaram o empresário, Jad Zogheib, a instalar sistemas de vigilância em sua rede de supermercados. "Nosso prejuízo era estimado em torno de 1% a 2%". Após a instalação do sistema esses números cairam pela metade. "Os clientes não reclamam por estarem sendo filmados", garante Zogheib .

De olho nos avanços tecnológicos a Polícia Militar de Bauru, adota o uso de filmagens em ocasiões especiais."Desde que não ofenda a liberdade individual das pessoas é um recurso válido", garante o Comandante da 7ª Companhia, capitão Manoel Messias Mello. A polícia já usou o equipamento com eficiência, para prender uma quadrilha de traficantes que atuava na perifeia da cidade. "Instalamos o equipamento na rua, assim não violamos a intimidade de ninguém", assegura o capitão.

A coordenadora de vendas, de uma empresa de segurança bauruense, Jessy Martins, observou uma mudança no objetivo dos seus clientes. Hoje em Bauru as empresas são as maiores consumidoras desse tipo de serviço. No entanto, a preocupação dos empresários da região, não tem sido exclusivamente a segurança. "Quando você começa a controlar mais o funcionário, existe um aumento de produção". Essa visão não é compartilhada pelo psicólogo Dorival Zoldan, segundo ele o ganho de produção

é apenas inicial, com o tempo o funcionário tende a ter sérios problemas. "Isso é o assassinato do indivíduo", afirma Zoldan.