Vigiar funcionários não é a melhor solução
Produção cresce mais quando as pessoas sentem-se valorizadas
No livro Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, o escritor George Orwel, imagina uma sociedade totalmente dominada pelo Estado. As pessoas são controladas o tempo todo pelas "teletelas", esse equipamento serviria tanto para observar os cidadãos quanto para doutriná-los, através da propaganda. Vivendo sob vigilância constante o indivíduo desaparece, dando lugar a massa.
Charles Chaplin, previu algo parecido em seu filme Tempos Modernos, onde os funcionários de uma metalúrgica são controlados pelo chefe, através de uma tela gigante.
Para o psicólogo, Dorival Zoldan, a utilização de sistemas de vigilância no controle de funcionários, pode trazer sérios problemas a longo prazo, como o estresse e diferentes tipos de traumas. "As pessoas deixam de agir naturalmente, reprimindo seus sentimentos. " Na sua opinião esse método seria uma recriação do mundo imaginado por Orwel.
JC: Quais as conseqüências para as pessoas que ficam expostas a essa situação?
Zoldan: A mesma dos personagens do livro. Medo, insegurança e ansiedade. A pessoa deixa de viver por conta própria, ficando única e exclusivamente preocupada em transmitir uma boa imagem. Essa repressão de sentimentos causa a morte do indivíduo, ele passa a ser um autômato.
JC: Existe um ganho real de produtividade com esses métodos?
Zoldan: Só no começo, por exemplo, o funcionário que daria uma espreguiçada para relaxar, não faz isso quando está sendo filmado. Essa tenção de ter que parecer produtivo o tempo todo gera um grande desgaste físico e mental.
JC: Quais as alternativas para os empresários?
Zoldan: Os ganhos de produção são maiores quando o funcionário é reconhecido como indivíduo, os empresários precisam conhecer seus funcionários para mantê-los motivados.
JC: 1984 é agora?
Zoldan: Sim. Quando adota-se esse tipo de controle sobre o funcionário.