08 de julho de 2026
Geral

Artigo

Luciano Dias Pires
| Tempo de leitura: 2 min

Sete candidatos em 1947

Texto: Luciano Dias Pires

Bauru vive, atualmente, momentos de intensa agitação no campo político, visto as eleições que indicarão o novo ocupante do Palácio das Cerejeiras, bem como aqueles que irão compor o Legislativo para o próximo quatriênio. A propaganda corre solta pela cidade, com muros, paredes, painéis, jornais, revistas etc., ostentando a divulgação dos que trabalham pela conquista dos votos dos bauruenses.

Mais de 300 nomes aspiram uma cadeira em nossa Câmara Municipal, enquanto que outros sete, com vistas à Prefeitura, desenvolvem intensa campanha à procura dos votos necessários

à vitória. Se o nosso eleitorado ficou surpreso com esse número, lembramos que há 53 anos a então pequena Bauru, que a exemplo de todo o Brasil voltava ao regime democrático, tendo em vista a queda de Getúlio Vargas, também surpreendeu com igual número de políticos que na época postularam o cargo de chefe do Executivo.

A cidade foi, em 1947, notícia nacional, pois figurou nas informações das emissoras de rádios e nos jornais, visto a quantidade de candidatos apresentados pelos diferentes partidos que existiam na época. A Capital da Terra Branca

(naqueles tempos este ainda era o slogan) foi, portanto, destaque na imprensa brasileira.

As eleições para a presidência da República e para o comando do Estado de São Paulo já haviam sido realizadas, com os triunfos do gen. Eurico Gaspar Dutra (apoiado por Getúlio Vargas) e de Adhemar Pereira de Barros, respectivamente.

Em Bauru, o pleito municipal era um acontecimento até mesmo inusitado, pois depois de muito tempo o direito de voto seria novamente exercido dentro da maior liberdade. A movimentação atingia todos os setores da cidade. Partido Social Democrático, Partido Social Progressista, Partido Trabalhista Brasileiro, União Democrática Nacional, Partido Trabalhista Nacional, Partido Socialista Brasileiro, Partido Republicano e Partido de Representação Popular, foram os que apresentaram candidatos.

Feita a apuração, com os trabalhos realizados sob a presidência do juiz Eugênio Teixeira de Andrade, os resultados apontaram a vitória do saudoso advogado Octávio Pinheiro Brisolla (PR), o qual de 1918 a 1921 já havia dirigido os destinos de Bauru, com o total de 2.261 votos, seguido de João Simonetti (PTB-PSD) com 2.068 sufrágios; José Rodrigues Gonçalves (UDN), em terceiro lugar, com 1.750; Breno Ribas (PSD), em quarto lugar, com 1.718; Darcy César Improta (PTN), em quinto lugar com 1.403; José Lemos de Almeida (PSB), em sexto com 667 e Jurandyr Bueno (PRP), com 321 votos. Para a presidência do Legislativo, foi eleito Victor Curvello Júnior, do PSD.

Foi assim que Bauru viveu momento de intensa vibração naquele 9 de novembro de 1947, quando 10.463 eleitores compareceram

às urnas, cuja abstenção foi de 15%. Transcorridos 53 anos, a Sem Limites volta a apresentar cerca de sete candidatos

à Prefeitura Municipal, sendo que entre todos os nomes que lutam por um triunfo consagrador, alguns não haviam nascido naquele longínquo 1947.