PM localiza acusado de matar taxista
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A Polícia Militar localizou, ontem, um dos acusados pelo assassinato do taxista Ben Hur Maronna, 45 anos, morto à pedrada no final de semana, na Vila Celina. Edmar Aparecido Bernardis, 19 anos, conhecido por Leandro, e que já esteve internado na Febem por roubo, furto e tráfico enquanto menor, é acusado de ser o autor do crime. Um outro possível envolvido está sendo procurado pela polícia.
Três mulheres que teriam indiretamente participado do crime foram identificadas e figuraram como testemunhas do assassinato. Elas contaram que o crime foi motivado por um desentendimento ocorrido entre o acusado e a vítima. Bernardis confirmou a versão das mulheres, alegando que tinha dinheiro para pagar a corrida, mas que o taxista estava "zoando" com eles.
O homicídio teria acontecido após um desentendimento no clube Veredas. O acusado e seu companheiro saíram do clube porque teriam sido ameaçados de morte por um grupo freqüentador do local. Os dois embarcaram no táxi da vítima e pediram para que ele os levasse até o Núcleo Fortunato Rocha Lima.
No caminho, Bernardis encontrou sua irmã, sua prima e uma amiga menor e fez que elas embarcassem no veículo. Os envolvidos alegam não conhecer a vítima, mas foram unânimes em dizer que o taxista desconfiou que algo errado estava acontecendo e começou a discutir com Bernardis, que estava sentado ao seu lado.
O passageiro resolveu enfrentar o taxista e foi para o banco traseiro, de onde começou a espancar a vítima. Seu companheiro teria retirado uma pequena arma prateada e ameaçado o taxista de morte. A situação começou a ficar incontrolável no interior do veículo. O taxista teria começado a trafegar em alta velocidade e em ziguezague, amedrontando os passageiros e irritando Bernardis.
A vítima teria parado o carro na Vila Celina e dito que não prosseguiria, momento que teria tido início uma briga entre o taxista e o acusado. Os dois teriam trocado agressões e Bernardis teria se apossado do extintor de incêndio, com o qual teria desferido um golpe contra a vítima. Já no chão, o taxista pediu socorro, mas Bernardis teria apossado-se de uma pedra de mais de 10 quilos e soltado-a sobre o rosto do taxista, que estava no chão, por duas vezes.
Em seu depoimento, Bernardis alegou estar embriagado e que depois do crime observou que a vítima estava viva. Ele alega que a arma era de brinquedo e que não houve tiros em função disso. Na versão das testemunhas, o revólver era uma pistola verdadeira, porém com defeito e sem condições de uso.
Bernardis contou para a polícia quem era seu companheiro, porém o nome foi mantido em sigilo, para não atrapalhar as investigações, segundo o delegado titular do 1.º Distrito Policial, Marcelo Nagib Haddad.
O delegado pediu a prisão temporária por 30 dias de Bernardis como de seu companheiro. "Entendo que o crime foi hediondo e que necessita de investigações que possam esclarecer totalmente os fatos. A versão apresentada por Bernardis pode não ser confirmada pelo seu companheiro. Vamos checar todas as informações fornecidas por ele e pela testemunhas", disse.
Por enquanto, o delegado acredita em homicídio, mas dependendo do resultado das investigações, o caso poderá ser enquadrado em latrocínio. Se ficar provado que houve o roubo de algum bem, eles responderão por latrocínio.
"Bernadis foi interno da Febem por um ano e meio. Ele respondeu sindicância por furto, roubo e tráfico de drogas", explicou.