07 de julho de 2026
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IBGE

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

IBGE descobre centenários em Bauru

Texto: Ieda Rodrigues

Ultrapassar a marca dos 100 anos num País onde a expectativa média de vida é de 71,4 anos para mulher e 63,9 anos para homem, é uma proeza. Mas recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estão fazendo o Censo 2000, já descobriram dois centenários em Bauru: Mariana Honório de Jesus que, pelos cálculos da família tem 105 anos, e Raimundo Egídio de Oliveira, que afirma ter 102 anos.

Sem documentos que comprovem a idade e com a memória já fraca, Mariana contou que nasceu próximo a um rio (município de Reginópolis, segundo Benedita Gonçalves de Almeida, 62 anos, uma das filhas) e mudou-se para Bauru quando a cidade ainda "estava em construção". Pelos cálculos de Benedita, Mariana nasceu em 1895.

Tirando uma varicose em uma das pernas, Mariana goza de boa saúde e ainda é bastante ativa: acorda bem cedo e acompanha a filha o dia todo, de um lado para o outro, nos afazeres domésticos. De vez em quando ainda varre o quintal da casa onde mora com a filha, na Vila Falcão. Para a reportagem que visitou Mariana em companhia da supervisora do IBGE Célia Menezes Frescato, e do agente censitário Luismar do Nascimento Pinto, ela contou que, quando jovem, trabalhou muito: costurava, tirava leite e plantava, além de cuidar da casa.

Muito falante e com bom humor, Mariana relembra com saudade dos bailes que participou. "Ah, eu gostava é de dançar baile", disse várias vezes. A filha, Benedita, disse que no penúltimo aniversário, quando fez 104 anos, ela ainda dançou. "Quando tem oportunidade ela ainda dança. Mas agora, por causa da ferida na perna, não pode mais", explicou Benedita.

Mariana casou-se em Bauru e teve 16 filhos, mas seis deles morreram quando eram crianças, de acordo com Benedita. Viúva há quase 20 anos, não soube dizer quantos netos, bisnetos e tetranetos têm. Benedita disse que apenas alguns dos seus dez irmãos mantêm contato constante com sua mãe. Dois dos filhos, Pedro Gonçalves Duarte e Francisco Gonçalves Duarte, Mariana estaria sem ver há mais de 40 anos, segundo Benedita.

Mariana não sabe ler e escrever, mas é esperta e conhece o valor do de dinheiro, de acordo com Benedita. "Outro dia ela pegou uma nota de R$ 1,00 e disse que aquela nota não valia nada', disse a filha. Aposentada, Mariana recebe um salário mínimo por mês, dinheiro com o qual ela e sua filha sobrevivem.

De Pernambuco para Bauru

Raimundo Egídio de Oliveira é outro morador centenário de Bauru encontrado pelo IBGE. Com boa memória, apesar de estar com um lado do corpo parcialmente paralisado em função de um infarte recente, disse ter 102 anos e ter chegado a Bauru, vindo de Pernambuco, em 1947 para trabalhar na zona rural.

Para reportagem, mostrou um livro onde anotou que tem 52 netos, 23 bisnetos e sete tetranetos. Raimundo mora no Jardim Filomena com sua mulher, Sebastiana Maria de Oliveira, 85 anos, e um dos filhos, Pedro Raimundo de Oliveira, 52 anos, que orgulha-se em cuidar do pai centenário. Apesar da idade, antes do infarte, Raimundo dedicava-se a algumas plantações, principalmente do pé de coentro, perto de sua casa.

Pedro explicou que seu pai come de tudo, mas gosta mesmo é de um bom peixe com coentro. Recuperando-se do infarte, agora passa o dia em casa, tomando sol e ouvindo música sertaneja raiz, segundo contou seu filho. Raimundo teve 15 filhos com Sebastiana, sua segunda mulher, mas sete deles morreram quando crianças, ainda em Pernambuco.

Censo vai até 31 de outubro

O Censo Demográfico 2000 do IBGE começou no dia 1 de agosto e vai até 31 de outubro próximo. Em Bauru, cerca de 420 recenseadores estão nas ruas colhendo os dados. São aplicados dois tipos de questionários: um básico e outro de amostragem. A estimativa do IBGE é que a cidade tem 313 mil habitantes, mas não há dados, por enquanto, sobre quantos moradores têm mais de 100 anos.

O questionário básico apresenta 18 questões para traçar o perfil de cada morador e registrar as características da residência, como a quantidade de cômodos e o tipo de domicílio (casa ou apartamento). Já o questionário de amostragem é aplicado a apenas 10% da população e tem 53 questões. Esse questionário também aborda questões como migração, instrução, nupcialidade, emprego, rendimento e escolaridade.