08 de julho de 2026
Geral

Unimed

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Polícia vai questionar crise entre Unimeds

Texto: Josefa Cunha

O delegado do 3.º DP de Bauru, Dinair José da Silva, estará notificando nos próximos dias a Unimed-Bauru e o hospital Beneficência Portuguesa para averiguar os motivos da suspensão dos atendimentos aos usuários da Unimed de São Paulo. O rompimento com a cooperativa da Capital foi anunciado no último final de semana, via imprensa, e pegou de surpresa os conveniados, que estão desde a última segunda-feira sem assistência médica na cidade. Conforme veiculou o Jornal da Cidade na última terça-feira, o corte nos atendimentos teria razões de ordem financeira. A Unimed de São Paulo estaria devendo R$ 1,2 milhões

à co-irmã bauruense e aproximadamente R$ 100 milhões a todo o sistema no Estado.

A interferência da Polícia na crise veio por conta de um boletim de ocorrência registrado na tarde de ontem por um usuário que não conseguiu atendimento para sua filha na Beneficência Portuguesa. O usuário, conveniado ao Uniplan pela Caasp, foi informado que teria de deixar um cheque-caução caso quisesse ser atendido. Revoltado, procurou a Polícia na tentativa de preservar seus direitos.

A princípio, o delegado não fala em crime por parte da cooperativa ou do hospital. "A situação seria outra se algo de grave tivesse acontecido com a menina em razão dela não ter recebido assistência. Poderia se configurar, aí, um caso de negligência, mas isso felizmente não aconteceu", justificou. Silva, no entanto, quer explicações concretas sobre os motivos da suspensão nos atendimentos.

O delegado achou estranha a forma como o problema foi comunicado aos usuários. "Pelo que sei, a Unimed-Bauru informou em dias não úteis (sábado e domingo) que não estaria mais atendendo os conveniados da Unimed de São Paulo, sem conceder qualquer prazo para que os mesmos pudessem se adequar. Por que essas pessoas não foram cientificadas com antecedência, já que se tratava de um convênio médico, ou seja, de algo que está sempre na iminência de ser utilizado? É algo que mexe com a saúde das pessoas", questionou, lembrando que todos os prestadores de serviço têm o dever de garantir prazos hábeis aos seus usuários.

Outro ponto que causou estranheza e que será apurado pelo delegado é o fato de a Unimed-Bauru ter acusado mal gerenciamento por parte da unidade da Capital. Na opinião de Silva, esse tipo de declaração provoca temeridade, pois deixaria no ar um clima de insegurança. "Se foi a má administração que gerou essa crise e esse prejuízo aos usuários, como ficar tranqüilo? Quem nos garante que as demais Unimeds estão sendo bem gerenciadas e que não vão, de uma hora para outra, suspender os atendimentos?

É um aspecto a se investigar com profundidade", adiantou Silva.

As averiguações pretendidas pelo delegado ocorrerão

à margem de investigações oficiais. Antes de qualquer e eventual providência, Silva quer ouvir as justificativas que Unimed e Beneficência Portuguesa irão apresentar. O delegado não descarta a possibilidade de denunciar o caso ao Ministério Público caso algum aspecto ilegal de conduta seja confirmado. Uma das hipóteses já consideradas é a ocorrência de desrespeito

às regras previstas no Código de Defesa do Consumidor.