07 de julho de 2026
Geral

Dívida externa

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

Bauruense reprova pagamento da dívida externa e acordo com FMI

Texto: Josefa Cunha

Quase 14 mil bauruenses votaram no Plebiscito da Dívida Externa, realizado em todo o país entre os últimos dias 2 e 7. Por diferença esmagadora, a população local manifestou-se contrária ao pagamento da dívida externa e à manutenção do atual acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo dados da coordenação municipal do plebiscito, 13.817 pessoas depositaram seus votos nas 74 urnas espalhadas pelo centro da cidade no período de votação. O número corresponde a 7,05% do colégio eleitoral de Bauru, estimado em aproximadamente 196 mil eleitores. Puderam participar todos os cidadãos maiores de 16 anos.

A população respondeu às três seguintes questões: "O governo brasileiro deve manter o atual acordo com o FMI?", O Brasil deve continuar pagando a dívida externa sem realizar uma auditoria pública desta dívida, como previa a Constituição de 1988?" e "Os governos federal, estadual e municipal devem continuar usando grande parte do orçamento público para pagar a dívida interna aos especuladores?".

Na primeira questão, 12.790 respondentes votaram que não

(92,6%), contra 861 que disseram sim. Em relação

à segunda pergunta, o número de contrários foi ainda maior: foram 13.320 (95,7%) contra 478 (3,5%). Na terceira e última, 13.316 (96,4%) votaram não, enquanto apenas 363 (2,6%) assinalaram sim. Os votos brancos e nulos para todas as respostas não ultrapassaram a marca de 1%.

O plebiscito foi organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs

(Conic), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE) e por vários outros organismos. Em Bauru, os trabalhos foram coordenados pelo Conselho Diocesano de Leigos e pelo Centro Bauruense de Ação Comunitária

(Cebac).

Os resultados da votação em todo o Brasil serão encaminhados ao governo federal e servirão como forma de pressão popular para que a questão da dívida externa seja reavaliada. Toda a campanha visa a priorização dos problemas sociais do país, que poderiam ser resolvidos a médio prazo somente com os valores dos juros pagos. Segundo dados do Banco Central, a dívida externa brasileira aumentou de US$ 148 bilhões para US$ 243 bilhões nos últimos seis anos. Neste mesmo período, o Brasil teria pago algo em torno de US$ 126 bilhões aos credores a título de amortização do principal e de juros.