07 de julho de 2026
Geral

Genéricos

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

População aceita os genéricos, mas eles não atendem à demanda

Texto: Josefa Cunha

Eles foram alvo de polêmicas, estiveram por meses em destaque na mídia, provocaram dúvidas quanto à sua eficácia, mas agora estão bem cotados no mercado. Os remédios genéricos, em pesquisa informal realizada nas principais drogarias de Bauru, já atraem 40% dos consumidores, mas ainda são insuficientes enquanto substitutivos.

Dos cerca de 80 genéricos liberados para a venda, pouco mais de 40 podem ser encontrados nas prateleiras das farmácias. O número é muito pequeno se comparado aos mais de 11 mil medicamentos que figuram nas tabelas oficiais de preços.

É claro que não se pode pensar em um genérico para cada medicamento de referência (os tradicionais), mas a possibilidade de substituição é substancialmente limitada.

Os genéricos à disposição no mercado substituem apenas os mais procurados, como analgésicos e antibióticos, mas já há muita gente cobrando a expansão deles. A farmacêutica Gislaine Aparecida Garcia conta, por exemplo, que é costumeiramente procurada por clientes em busca de genéricos para receitas odontológicas e veterinárias. Os substitutos para os psicotrópicos

- que também não existem - figuram igualmente na lista de procura. Tais exemplos revelam que, ao contrário do que possa parecer, a população aceitou bem a iniciativa e está informada quanto às vantagens de custo advindas com ela. O preço de um genérico pode ser até 50% menor do que o respectivo de "grife".

O balconista Robson Luiz Rosini disse que quatro em dez pessoas que chegam à farmácia onde trabalha pedem o medicamento genérico. "Nem sempre é possível atender, porque não tem genérico para todos os produtos", comentou. Rosini afirma que, quando possível, orienta a compra do genérico mesmo se o cliente não pede. A farmácia poderia até evitar esse tipo de conduta, já que ganha menos com os genéricos, mas o raciocínio

é inverso. "O cliente que gasta menos, acaba comprando mais e daí o lucro vem do giro. É bom para quem compra e para quem vende", expôs.

Em outra drogaria, localizada numa área mais popular da cidade, os genéricos são procurados por mais de 70% da clientela. A parcela restante resiste ou por estar acostumada com os remédios convencionais - neste grupo, os idosos são maioria - ou por não confiar nos genéricos para tratamentos mais sérios. "Esses tomam o genérico para curar uma dor de cabeça, mas não arriscam se for para uma doença mais grave", revelou uma balconista.

O incentivo ao uso dos genéricos também vem encontrando guarida nos profissionais de medicina. Nas farmácias visitadas pelo JC, seis em cada dez médicos que prescrevem receitas estariam oferecendo opções aos pacientes.

"Às vezes, o médico chega a prescrever três alternativas medicamentosas, sendo uma de referência, outra similar e a genérica. Quando o médico não dá a opção, mas o genérico existe, nós oferecemos ou o próprio cliente solicita o genérico. Nesses casos, porém, eu autorizo a substituição no verso da receita, mencionando a troca e a lei que a permite", disse Gislaine Garcia. Na maioria dos casos, os médicos não costumam orientar a substituição para analgésicos e xaropes, embora existam os genéricos.

"Quase sempre, eles só dão opção para antibióticos", contou Rosini.

Todos os clientes que se deixaram entrevistar nas farmácias afirmaram não ter resistência ao uso dos genéricos. O eletricitário Anésio Celerindo de Almeida, por exemplo, disse que sua esposa costuma levar os medicamentos substitutos para casa. "Desde que haja o genérico, não há porque não optar pela troca", opinou. A professora Célia Duarte é outra que não teria problemas em substituir os remédios tradicionais. "Acho que se os genéricos estão no mercado é porque passaram por análises e são confiáveis. Graças a Deus, porém, não precisei nem de um nem de outro até agora", brincou.