Ex-despachante é denunciado por irregularidades
Texto: Patrícia Zamboni
Ex-despachante policial tem dez denúncias e B.O. registrados no 3º DP. Filha do ex-dono diz que o pai não tem condições de pagar suas dívidas
O ex-despachante policial Modelo é alvo de aproximadamente dez Boletins de Ocorrência (B.O.) registrados por ex-clientes no 3º Distrito Policial de Bauru e de uma denúncia que chegou diretamente ao Jornal da Cidade através de Maria Aparecida Carvalho Dias Paluan, também ex-cliente do despachante. A queixa dela é sobre o registro de inadimplência, na Secretaria da Fazenda, em relação ao pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) referente a 1998, sendo que a reclamante diz que prova o pagamento efetuado diretamente no despachante, naquela época.
De acordo com Maria Paluan, que foi cliente do ex-escritório de despachante - dirigido por Paulo Nelson Chiuso - durante 20 anos, quando ela o procurou, em agosto, para pagar o IPVA e o licenciamento do seu carro referentes ao exercício de 2000, foi surpreendida com a informação de que constava, na Secretaria da Fazenda, um débito no valor de R$ 742,36, referente ao ano de 1998.
"Esse débito aparece na Secretaria da Fazenda mas eu deixei tudo pago em dinheiro no despachante. Tanto é que em 99 não tive nenhum problema para fazer o pagamento do IPVA e da taxa de licenciamento do meu carro", afirmou Maria Aparecida, mostrando a original do documento do seu veículo referente a 1999. "Eu e meu marido fomos clientes do Chiuso durante 20 anos e tínhamos plena confiança nele. Não me conformo com isso que está acontecendo", disse.
De acordo com Maria Paluan, no final de agosto deste ano - época em que tinha que fazer o licenciamento do seu veículo, que tem final de placas 6 -, ela começou a entrar em contato com o despachante pelo telefone. Porém, estranhou o fato de não conseguir uma resposta concreta do proprietário do escritório.
"No final de agosto eu comecei a ligar para o Nelson com o objetivo de acertar os pagamentos do exercício de 2000. Mas, eu achei que ele estava demorando muito para combinar as coisas comigo e dar entrada nos papéis. Um dia, fui até o escritório e vi que estava fechado. Uma vizinha me disse que ele estava trabalhando em outro despachante e me deu o endereço. Fui até lá e perguntei o que estava acontecendo. Ele me disse que tinha sido passado para trás, cassado pela Ciretran e que não tinha condições, no momento, de me ressarcir", disse Maria Paluan.
Nas contas feitas por ela, agora ela está, perante a Secretaria da Fazenda, com uma dívida de R$ 1.305,46 (correspondente aos R$ 742,36 do IPVA 98 - valor corrigido para a época atual -, mais R$ 511,00 do IPVA deste ano, mais a taxa de R$ 51,62 do seguro obrigatório - Dpvat - do exercício de 2000, já que ainda não pôde regularizar a situação do seu veículo, este ano, em função dos débitos pendentes registrados na Fazenda. "Em 98, o despachante só regularizou o licenciamento do meu carro com o dinheiro que eu dei. O pagamento do IPVA continua em aberto na Secretaria da Fazenda. O resultado é que eu sempre paguei tudo em dia e agora não estou podendo utilizar o meu prórpio carro para não ser multada", reclamou Maria Paluan.
Cassação
De acordo com o delegado da 5ª Circunscrição de Trânsito de Bauru (Ciretran), Dernival Mauro Inforzato, a Ciretran já efetuou os procedimentos administrativos que cabem ao órgão, fazendo a cassação da licença do titular do ex-despachante Modelo. "Aqui na Ciretran já foi feito o procedimento administrativo em relação a esse despachante, que culminou com a cassação da credencial do titular. Ou seja, o Chiuso não está mais autorizado a trabalhar como despachante. Segundo Maria Paluan, que também me procurou hoje (ontem), Chiuso estaria trabalhando em outro escritório. Mas isso não significa que ele esteja ilegal porque esse despachante não está no nome dele. Esse escritório em que ele está, segundo a denunciante, é credenciado junto à Ciretran", informou.
De acordo com Inforzato, se for provado que Chiuso continua trabalhando nesse ramo, mesmo sem ser o titular de um escritório, o dono do despachante no qual ele está atuando, segundo a denunciante que procurou o JC, poderá ser punido pela Ciretran. Porém, segundo Inforzato isso só poderá ser feito através de uma denúncia.
"Só poderemos apurar a atual situação do Chiuso, sobre ele continuar no mercado, se recebermos alguma denúncia em relação às atividades que ele esteja exercendo. Isso poderá ser feito através de uma sindicância", informou o delegado.
No 3º DP, o delegado Dinair José da Silva disse que existem dez boletins de ocorrência registrados contra o ex-despachante Modelo. Segundo ele, está sendo desenvolvido um inquérito policial sobre esse caso e várias pessoas estão sendo ouvidas, inclusive, pessoas que procuraram a delegacia para reclamar sobre valores pagos ao despachante para solicitar serviços que não foram executados. "O inquérito está correndo e, no momento certo, o titular do ex-despachante Modelo poderá responder pelas irregularidades que tenha cometido", disse Silva.
Procurado pela reportagem para se manifestar, Chiuso não foi encontrado em sua residência. Porém, sua filha, Roseli, disse que poderia responder pelo pai porque trabalhava com ele no ex-Modelo. Segundo ela, houve um problema de ordem administrativa que levou ao fechamento do ex-despachante "do dia para a noite", sem entrar em detalhes sobre esse problema.
"Nós tivemos um problema administrativo no escritório e fechamos do dia para a noite. Infelizmente, ficamos devendo para algumas pessoas e temos consciência disso. Sabemos que devemos e não negamos isso, só que no momento, não estamos conseguindo resolver tudo de uma vez. Meu pai está trabalhando de favor em outro despachante e ganhando um salário mínimo. Eu e meu marido, que também trabalhavávamos com o meu pai, estamos desempregados. Não temos como pagar a todos que devemos no momento, infelizmente. Temos cerca de R$ 10 mil em cheques sem fundo de ex-clientes na nossa mão e, por enquanto, não temos a quem recorrer nem como pagar nossas dívidas. Eu e meu marido estamos procurando emprego", disse Roseli.