Divisão de colméia deixa abelhas alvoroçadas
Texto: Ieda Rodrigues
Como ocorre todos os anos na entrada da primavera, já está aumentando o número de solicitações ao Corpo de Bombeiros e à Associação dos Apicultores de Bauru para retirada de abelhas que "mudam-se" para estabelecimentos comerciais, casas e outros locais da área urbana, deixando os moradores apavorados. Os especialistas afirmam que não há motivo para pânico, mas é bom tomar cuidado, principalmente os alérgicos à picada de abelha.
Na segunda-feira, por exemplo, quando fez muito calor, uma colméia de marimbondos pousou no toldo de entrada de uma empresa localizada na quadra 14 da rua Júlio Maringoni, nos Altos da Cidade. Com receio que as vespas picassem algum cliente e os funcionários, a responsável pela empresa, Marcia Ceschini, pediu a ajuda dos bombeiros.
Como os marimbondos estavam representando risco a quem entrasse ou saísse da empresa, a única alternativa foi a exterminação da colméia. O apicultor José Eufrasino dos Santos, credenciado pela Associação dos Apicultores, disse que nos últimos dias retirou várias colméias da área urbana, levando-as para um apiário.
No ano passado, abelhas do tipo europa atacaram e mataram um cachorro e várias galinhas no Parque Real. Na ocasião, algumas pessoas foram picadas e uma delas precisou de atendimento médico. Apesar de não ter registro de mortes em função de ataque de abelhas em Bauru, muitos moradores preferem distância dos insetos. Santos ressaltou que, no caso do Parque Real, as abelhas atacaram porque as frutas da árvore onde estavam instaladas, com o vendo, passou a bater contra a colméia.
Uma pequena minoria diz que convive bem com as abelhas, que o segredo é não perturbar a colméia, pois, assim, os insetos não atacam. É o caso de Eugênio Nunes Medeiros, morador na Vila Alto Paraíso. Uma colméia de estrelinhas mora, há cerca de três anos, na varanda de um dos quartos da casa da Medeiros. Ele disse que ninguém da família nunca foi picado pelos insetos.
Os bombeiros só intervêm em casos de abelhas se houver risco à pessoa ou animal, explicou o capitão Cláudio Vanderlei Pereira de Nardi, do Corpo de Bombeiros. Ele ressaltou que, até em função da legislação ambiental, os bombeiros não podem exterminar as abelhas. Portanto, quando são solicitados por pessoas preocupadas com colméias em suas casas ou qualquer outro lugar, os bombeiros orientam a procurar os apicultores.
Os dois profissionais credenciados pela Associação de Apicultores para fazer a retirada de abelhas na área urbana cobram uma taxa pelo serviço, que varia conforme o grau de dificuldade do trabalho. José Eufrasino dos Santos explicou que, dependendo de onde a colméia está, precisa trabalhar dois dias para conseguir retirar as abelhas e colocá-las em uma caixa.
A técnica usada por ele é a fumaça próximo
à colméia e dos lados opostos à caixa. Como não gostam de fumaça, as abelhas refugiam-se na caixa. A taxa mínima é de R$ 20,00. Mas se o solicitante provar que não tem condições para pagar pelo serviço ou em casos de abelhas em vias públicas, o apicultor é reembolsado pela Prefeitura.
Capitão Nardi alerta que o risco das abelhas é atacar pessoas alérgicas ao veneno desse inseto. A médica pediatra alegologista Joaquina Maria de Melo Correia confirma o perigo e diz que poucas picadas podem levar à morte se a pessoa for alérgica.
Ela explicou que alergia no local da picada é uma reação normal do organismo ao veneno da abelha e passa logo. No entanto, em pessoas alérgicas, o veneno da abelha causa vermelhidão pelo corpo todo e pode provocar asfixia, independente do local de onde foi picada.
A orientação, em caso de sintomas de alergia ao veneno da abelha, é procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. O veneno começa a fazer efeito em minutos após a picada. As pessoas que já sabem que são alérgicas devem sempre trazer consigo um antídoto para o veneno.
Serviço
Os apicultores credenciados pela Associação dos Apicultores podem ser contactados pelos telefones 238-1251 e 232-1961.
Fartura de alimento na primavera propicia divisão de colméias
O zootecnista Luiz Pires, que é secretário do Meio Ambiente, explicou que a entrada da primavera é o período que a colméia divide-se. Por haver mais flores e, portanto fartura de alimento, as colméias maiores produzem novas rainhas.
Essas rainhas deixam a colméia onde nasceram, para formar novas colônias. Como, às vezes, o local escolhido para a nova morada é distante da colméia de origem e as abelhas saem carregadas de mel, elas abelhas costumam fazer uma ou mais paradas no caminho. Nessas situações, podem pousar para descansar sobre qualquer superfície.
Luiz Pires esclarece que, diferente do que muitos pensam, as abelhas, por estarem carregadas de mel, estão menos agressivas durante a divisão das colméias. No entanto, explica, como a quantidade de abelhas que compõem a colméia é tão grande que fica quase impossível não pertubá-las. Quando isso ocorre, as abelhas podem atacar, num procedimento de defesa.
A orientação do zootecnista é para que a população não tente espantar ou matar a colméia que porventura pare nas casas, lojas, árvores ou outro lugar qualquer. O correto é solicitar a ajuda de apicultores, que vão retirar a colméia e levá-la para um apiário.
Luiz Pires explicou que quando a abelha pica uma pessoa ou animal, deixa feromônio (cheiro característico) no ferrão. As demais abelhas da colméia entendem o cheiro como um alerta de agressor e tendem a atacar aquele mesmo local.
Associação dos Apicultores
Nivaldo Vitta Guiom, presidente da Associação dos Apicultores de Bauru, alerta para a necessidade de preservar as abelhas e tranqüiliza quem tem medo de ser atacado por elas. Desde que n ão sejam incomodadas, as abelhas não atacam e podem morar na área urbana sem problemas, afirma ele.
No entanto, ressalta que se forem incomodadas por uma pessoa ou animal, as abelhas podem tornarem-se agressivas. Guiom disse que na divisão de colméias, na verdade, as abelhas ficam alvoroçadas porque estão felizes com a mudança, e não agressivas.
Ele lembrou que as abelhas são importantes para a polinização das flores e, conseqüentemente, para a produção de determinadas culturas, como as frutas. Por isso, orienta as pessoas a não perturbar as abelhas e, em hipótese alguma exterminá-las.