07 de julho de 2026
Geral

Antidoping

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Polícias de Bauru não sabem como vão ser os testes

Texto: Rita de Cássia Cornélio

As polícias Militar e Civil de Bauru ainda não receberam oficialmente a comunicação de que os policiais serão submetidos a exames antidoping e a testes de integridade. A decisão do secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Marco Vínicio Petreluzzi, de submeter os policiais a testes e exames, é bem-vinda, na opinião do comandante do Comando de Policiamento de Interior (CPI), coronel Cid Monteiro de Barros.

Ele afirmou que "quem não deve, não teme. Se fugirmos dos testes e exames, podemos ser mal entendidos pela opinião pública. Vamos mostrar à opinião pública o que somos e o que estamos fazendo", ressaltou.

Ele acredita que não haverá constrangimento por parte dos policiais. "Não temos nenhum constrangimento em nos submeter aos testes e exames. Não sabemos qual será o impacto sobre a tropa. Não sabemos se todos os policiais serão submetidos ou se vão escolher um grupo daqui e outro dali", disse.

O comandante lembrou que tanto na área civil quanto na militar há policiais que se envolvem com traficantes e viciados no trabalho diário. Sobre o teste de integridade, as famosas "pegadinhas" citadas pelo secretário, o coronel tem opinião formada. "Desconhecemos esta forma de teste. Não sei como eles serão aplicados. Acho que a idéia poderia ser aproveitada em outras áreas para testar a honestidade de outros profissionais", disse.

Barros coloca-se à disposição para qualquer tipo de teste. "Tudo o que eles quiserem colocar em teste e verificar nossa ética e moral será bem-vindo". Ele não acredita que o exame antidoping será cobrado do policial. "Não sabemos se a corporação

é quem vai pagar o exame. Eu acredito que o governo deve arcar com estas despesas. Os nossos vencimentos não são lá essas coisas e na certa os policiais não terão como arcar com os custos", ressaltou.

O diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior-Bauru (Deinter-4), Anivaldo Registro, não foi encontrado para comentar o assunto. O seu assistente, o delegado Mário Leite de Barros Filho, limitou-se a dizer que a polícia Civil está aguardando determinação oficial para poder se manifestar. "Vamos acatar a decisão", afirmou.

Medida inconstitucional

As medidas de controle da polícia, anunciadas pela Secretaria de Segurança Pública, podem ser inconstitucionais. Os testes de integridade, que prevê as famosas "pegadinhas" para surpreender policiais corruptos, contraria o Código Penal brasileiro. A simulação não serve como prova de crime.

Mesmo não sendo obrigatório, o exame antidoping poderá colocar o policial em situação difícil e constrangedora. Se ele não se submeter ao exame, corre o risco de ficar marcado, ser perseguido, etc.

Inspirada em Nova York

A idéia de submeter os policiais brasileiros a testes e exames para demonstrar se eles estão ou não envolvidos com entorpecentes e corrupção foi inspirada na política de prevenção de crimes entre policiais de Nova York.

A diferença é que em Nova York a legislação permite que o policial envolvido com drogas seja expulso. No Brasil, não há essa hipótese, uma vez que a legislação não permite. No Brasil, nenhum policial será obrigado a submeter-se ao exame antidoping que, segundo o secretário, tem o objetivo de tratar o policial e não puni-lo.

Petreluzzi promete afastar policial de suas funções para que ele seja recuperado. Os testes e exames serão aplicados num prazo de 20 dias. Petreluzzi não anunciou de que forma eles serão aplicados.