07 de julho de 2026
Geral

Reivindicação

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores reivindicam rede elétrica

Texto: Adilson Camargo

Durante manifestação realizada ontem de manhã, moradores do Jardim Manchester exigiram eletricidade para o bairro

Moradores do Jardim Manchester organizaram uma manifestação no centro da cidade, ontem de manhã, para tentar sensibilizar as autoridades municipal em relação a falta de rede elétrica no bairro.

Segundo Claudecir dos Santos Tavares, mais conhecida no bairro como Cláudia, os moradores do Jardim Manchester esperam há muito tempo uma solução para o problema.

"Nós estamos fora dessa coisa de política. O que nós queremos é a energia elétrica que

é um direito nosso, um direito do cidadão", afirmou Cláudia, organizadora da manifestação, diante da presença de vários cabos eleitorais de um candidato a prefeito que faziam campanha no local, no mesmo horário. A manifestação política acabou ofuscando o protesto dos moradores, que estavam em um número bastante reduzido se comparado com os manifestantes políticos.

Segurando velas acesas, como uma forma de protestar contra as atuais condições a que estão sujeitos, os moradores do Jardim Manchester saíram da Praça Rui Barbosa e caminharam pelo calçadão da Batista e foram até a Praça Machado de Melo. Cláudia disse à reportagem do Jornal da Cidade que as reivindicações, pedindo a instalação de uma rede de energia elétrica no bairro, estão sendo feitas há quase sete anos.

"Existem pessoas que moram no bairro há mais de oito anos e ainda não tiveram o prazer de contar com luz elétrica em suas casas", disse.

Segundo ela, alimentos que precisam ser conservados em geladeira são consumidos no menor espaço de tempo possível.

"Com essa falta de onde guardar os alimentos, eu já perdi feijão, carne, leite. É como se eu tivesse pego o dinheiro que gastei para comprá-los e o tivesse rasgado. Porque esses produtos estragaram e eu tive que jogar tudo no lixo", reclama. Cláudia disse que, em razão da falta de rede elétrica, nem mesmo a oportunidade de assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Sydney eles tiveram. "Nós temos televisores e geladeiras em nossas casas, mas não temos como colocá-los para funcionar."

Ela disse que já entrou em contato com a Prefeitura e com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), para saber da viabilidade de ser instalada a rede no bairro. A resposta da Prefeitura foi a de que as reivindicações seriam atendidas, mas, contrariamente, a resposta obtida junto a CPFL não teriam sido muito animadoras. Cláudia disse que a empresa afirmou aos moradores que enquanto a Prefeitura não rediscutir a dívida que tem com a empresa a rede elétrica não será instalada.

"Nós queremos que as pessoas dessa cidade fiquem sabendo que em pleno ano 2000 existe um bairro em Bauru que não tem energia elétrica. O que nós queremos não

é camiseta, nem régua, nem caneta. Queremos energia", protesta Cláudia.

Eliana de Almeida, outra moradora do bairro presente à manifestação, disse à reportagem que para iluminar o interior das residências, eles usam butijão de gás, que dura cerca de vinte dias. Para passar as roupas, usam o pré-histórico ferro à brasa. Para tomar banho, os moradores esquentam a água em forno à lenha, como era feito antigamente. "Dizem que as prioridades do ser humano são a água e a luz. A água nós já temos, agora falta a luz. Não tem como a gente continuar nessa situação. É difícil, muito difícil!"