08 de julho de 2026
Geral

Tentativa de homicídio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Tentativa de homicídio está sob sigilo em Iacanga

Texto: Adilson Camargo

O delegado Jader Biazon decretou "sigilo de Justiça" para, segundo ele, não comprometer as investigações

Um desentendimento entre três pessoas, ocorrido em um bar, em Iacanga, na madrugada do último sábado, quando houve uma tentativa de homicídio, fez com que o delegado Jader Biazon tomasse uma atitude radical. Ele decretou sigilo absoluto - juridicamente conhecido como "sigilo de Justiça"

- sobre o caso. Ninguém, além do próprio delegado e da juíza Rossana Teresa Curioni e do promotor Mário Suguiyama Júnior, ambos do Fórum de Ibitinga, teve acesso ao Boletim de Ocorrência, nem mesmo o advogado de uma das vítimas. Todo esse segredo em torno do assunto está sendo observado, segundo o delegado, para que o andamento das investigações não seja prejudicado.

De acordo com o relato de uma das vítimas, que foi ouvida pelo Jornal da Cidade, Genivaldo de Oliveira Santos, 47 anos, mais conhecido como Peixe, a tentativa de homicídio teria sido motivada por questões banais. Segundo ele, o autor dos disparos foi Francisco Carlos da Silva, locutor de rodeio, mais conhecido como Chiquinho, que ficou muito irritado com uma atitude do jovem Bruno César Paterno, de 20 anos, o qual teria mexido no chapéu do locutor. Santos afirmou ainda que Chiquinho, aparentemente, não estava embriagado e que a irritação dele pode ter sido amplificada por questões políticas, uma vez que os envolvidos apóiam candidatos distintos, na briga pela Prefeitura de Iacanga.

Ainda segundo relato da vítima, após o desentendimento, Chiquinho teria ido até um veículo estacionado próximo ao bar, pegou uma arma e efetuou dois disparos contra Santos. Mas, segundo ele, os disparos falharam. Ainda mais irritado, Chiquinho teria efetuado mais dois disparos, os quais atingiram a perna de Santos e o pé esquerdo de Paterno. Depois disso, o agressor teria fugido do local com o veículo que estava estacionado próximo ao bar. As vítimas foram encaminhadas ao Pronto Socorro de Iacanga, e liberadas horas depois.

O delegado Biazon afirmou que a apuração dos fatos ainda não terminou. "Nós já ouvimos várias pessoas, e, em princípio, o delito ainda não está totalmente esclarecido. O autor dos disparos já foi identificado, mas ainda está faltando apurar algumas circunstâncias que envolveram o fato."

Para o delegado, o problema maior, é que algumas pessoas envolvidas com a política local estão querendo usar o fato com fins eleitoreiros. "Foi um fato que ocorreu por um motivo fútil, e estão querendo transformar isso em motivação política, que na realidade não houve. Nós estamos evitando a divulgação das informações que constam dos autos do inquérito para não interferir nas eleições, para não prejudicar nenhuma das partes envolvidas e assim manter a nossa imparcialidade", comentou o delegado.

Para decretar sigilo absoluto sobre o fato, Biazon se baseou no artigo 20 do Código do Processo Penal. Para ele, todos os inquéritos policiais deveriam ser sigilosos. "Mas muitos delegados acabam colaborando com a imprensa e fornecem alguns dados. Mas o Código é claro. Todos os inquéritos deveriam ser mantidos em segredo, principalmente quando se quer dar uma conotação política ao que aconteceu."