No Dia da Árvore, sibipiruna da Rodrigues Alves será recuperada
A recuperação da última sibipiruna remanescente da antiga arborização do trecho central da avenida Rodrigues Alves, até recentemente atacada por pragas, e a garantia de sobrevivência do vegetal através de decreto, apresentado em placa ilustrativa no local, são as atividades que vão marcar em Bauru hoje, Dia da Árvore. A iniciativa é da Prefeitura, através da Secretaria do Meio Ambiente (Semma) que, com isso, pretende estimular a reflexão sobre os danos que o ser humano pode causar ao meio ambiente.
De acordo com o secretário Luiz Pires, a intenção, em nível municipal, é alertar para que o que aconteceu com a Rodrigues Alves não venha a se repetir em outras vias públicas da área central. "O pior é que a supressão das árvores nessas ruas e avenidas já está avançada", assinala, preocupado. Comerciantes e empresários são os responsáveis, segundo Pires, pois acham que as árvores dificultam a visualização das fachadas.
A Secretaria do Meio Ambiente está procurando deter o processo, através da adoção do rigor absoluto na concessão de autorizações para suprimir qualquer exemplar. Ao mesmo tempo, estuda ações para repor as árvores na área central. Pires lembra que esse setor urbano é o que recebe diariamente maior fluxo de pessoas. "Nos dias quentes, que são freqüentes em Bauru, elas precisam se proteger dos raios solares, responsáveis atualmente até por casos de câncer de pele. Ou seja, conservar a arborização é inclusive uma questão de saúde pública, sem falar na umidificação do ar promovida pelos vegetais", afirma.
A última árvore da avenida Rodrigues Alves no trecho entre as avenidas Nações Unidas e Pedro de Toledo fica na Praça Dom Pedro II, na calçada oposta à Câmara Municipal - há, ainda, alguns poucos exemplares de resedás, espécie arbustiva, ao longo das calçadas. Até o mês de junho, a sibipiruna estava com metade do tronco comprometida por pragas como brocas, cupins e fungos.
O corte já estava inclusive autorizado, quando a Semma decidiu recuperá-la, em função da importância ambiental, histórica e paisagística. Primeiramente, foi feita a retirada de toda a parte interna do tronco, que já estava danificada pelas pragas, em operação coordenada pelos agrônomos da pasta.
Em seguida, a sibipiruna recebeu tratamento contra brocas, cupins e fungos. Foi feita poda de redução da copa, para diminuir o peso da árvore, ao mesmo tempo em que se retiram os galhos mortos ou atacados pelas pragas. Hoje, Dia da Árvore, a partir das 7 horas, o processo será concluído com a concretagem da parte oca do tronco.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente, a medida, inofensiva ao vegetal, vai permitir que ele possa novamente resistir
à força do vento, sem risco de queda. Se tudo der certo, o concreto acabará sendo envolvido pela casca do tronco, "como um gesso para apoio da árvore", explica Pires.
Placa
Após a conclusão da concretagem, prevista para as 9h30, a Semma vai afixar, ao lado da sibipiruna, uma placa com o decreto municipal que declarou a árvore como imune ao corte, garantindo sua sobrevivência. O dispositivo legal, de número 8.792, do dia 17 de julho deste ano, toma por base o valor histórico do exemplar vegetal e a atual lei de arborização urbana da cidade.
Junto ao decreto, serão afixadas fotos com o panorama do trecho central da Rodrigues Alves nas décadas de 30, 40 e 50, além do aspecto atual da avenida. "A comparação servirá para que as pessoas reflitam sobre como o local era mais bonito e agradável no passado, quando todos podiam caminhar tranqüilamente pelas calçadas, sob a sombra das árvores", justifica o secretário do Meio Ambiente.