Prefeitáveis querem Fundação Cultural
Texto: Daniela Bochembuzo
Tuga Angerami, Pedro Tobias e Nilson Costa defendem instituição como forma de ampliar atividades culturais e garantir mais recursos
Para os prefeitáveis Tuga Angerami (PSB), Pedro Tobias
(PDT) e Nilson Costa (PPS), a questão sobre a implantação de uma política cultural para Bauru passa pelo debate sobre a criação de uma Fundação Cultural. A idéia é que o órgão agilize a realização de atividades culturais, garantindo, além das verbas orçamentárias, recursos junto à iniciativa.
Outro ponto relacionado à área, apontado por três candidatos à Prefeitura, é a descentralização das atividades ligadas à Secretaria Municipal da Cultura. Os planos de governo incluem ainda propostas para fomentar a leitura, teatro, artes, cinema e dança, como realização de oficinas e festivais.
Tuga Angerami (PSB) quer manter a postura de investir maciçamente na cultura, a exemplo do que fez durante a sua administração, entre os anos de 1983 a 1988. Para tanto, considera necessário instituir a Fundação Cultural. De acordo com ele, o órgão é que definirá e conduzirá as políticas culturais do Município, facilitando as parcerias com a iniciativa privada.
Com a fundação, Tuga pretende desvincular o setor cultural da administração direta. Isso, no seu entendimento, seria uma maneira de implementar novos projetos a partir da captação de recursos particulares, sem os trâmites burocráticos exigidos em nível de secretaria do governo.
"Não se trata de desonerar a Prefeitura no setor cultural, mas de uma possibilidade de ganhar agilidade. A administração municipal continuará assegurando as verbas do Orçamento e ainda poderá captar recursos de fora para voltarmos a democratizar a cultura em Bauru. Precisamos urgentemente criar oportunidades para os produtores de cultura e abrir novamente o acesso da população a ela. Acreditamos que a Fundação nos dará agilidade para usufruirmos das leis de incentivo
à cultura", salienta.
Os candidatos Pedro Tobias e Nilson Costa também desejam, casos sejam eleitos, privilegiar a discussão sobre a Fundação Cultural. O pedetista não se aprofunda na questão, já o atual prefeito afirma que a criação da instituição pode ser um caminho para que a cultura em Bauru possa ampliar suas realizações, desenvolvendo atividades mais participativas e subvenções.
Dentro da proposta de ampliação dos serviços prestados pela Secretaria Municipal de Cultura, Nilson Costa considera necessário reestruturar e adequar os equipamentos culturais que estão ligados ao órgão. Esse é o caso do Centro Cultural, cujos terrenos vizinhos o candidato pretende desapropiar para ampliar seu espaço físico. Outros exemplos são o projeto de bibliotecas-ramais, cujas unidades, em sua maioria, necessitam de nova estrutura física; e o Museu Ferroviário, que teria um segundo módulo.
Nilson quer ainda criar a Escola Municipal de Iniciação Artística (Emia) e formar grupos estáveis de estágio remunerado, como a Orquestra Jovem, a Banda Municipal, o Grupo de Dança e a Companhia de Teatro. "Queremos manter o trabalho sério e bem desenvolvido atualmente pela Secretaria da Cultura, que é direcionado à formação cultural. Dessa maneira, estaríamos formando cidadãos mais sensíveis, criativos e participativos no desenvolvimento de nossa cidade", afirma.
Estela Almagro (PT) vê de maneira bastante crítica a atual política municipal de cultura. Para a candidata, a estrutura existente é centralizadora e burocratizante e carente de inventários sobre equipamentos e manifestações culturais, assim como de informações sistemáticas sobre o conjunto de produções de bens culturais e simbólicos.
"Implantou-se uma política de eventos fácil, imediatista e subordinada ao marketing cultural que caminha a reboque dos interesses de pequenos grupos e elites. O que se tem entendido por política cultural em Bauru, nesses últimos anos, é uma prática inconsistente, antidemocrática e centralizadora. Pior ainda, não tem levado em conta as diferenças regionais, étnicas, religiosas e de gênero", critica Estela.
Por entender a política cultural como instrumento de resgate de identidade e auto-estima da população, a prefeitável diz ser necessário democratizar e descentralizar sua gestão. Isso, de acordo com Estela, se faz com ações regionais específicas, como a criação de Casas de Cultura, promoção de fóruns permanentes de cultura, parcerias com outras esferas do poder público e elaboração de políticas integradas nas áreas de cultura, educação, saúde, esporte e lazer.
Pedro Tobias também entende a cultura como instrumento de integração, mas de auxílio à educação e aos projetos de formação. Entre eles, o candidato lista a Divisão de Ensino às Artes, a Biblioteca Rodrigues de Abreu e as bibliotecas ramais e a Divisão de Museus. Ele defende ainda que o trabalho da Secretaria Municipal de Cultura deve estar em consonância com a Oficina Cultural e aliado a instituições de ensino, como universidades e escolas públicas e particulares.
"A população precisa ter mais acesso à cultura, não apenas através de eventos, mas também por meio de atividades de formação. Dessa maneira, a cultura funciona como pólo irradiador de educação. Neste ponto, a parceria com outros organismos da própria Prefeitura, bem como universidades, Oficina Cultural, escolas estaduais e particulares e iniciativa privada é fundamental", afirma Tobias.
Para garantir a democratização da área, o pedetista quer criar o Conselho Municipal de Cultura, favorecendo a participação da comunidade nas discussões da secretaria e na definição de políticas de utilização de equipamentos culturais, como o Sambódromo, o Anfiateatro Vitória Régia e o Teatro Municipal. Sobre o Carnaval, o candidato pretende criar uma Comissão Permanente, que trabalharia o ano todo na organização da festa. Outras propostas são a valorização dos produtores culturais e a realização de festivais.
Tidei de Lima (PMDB) planeja criar uma tradição cultural em Bauru a partir da realização de festivais de teatro. Com a medida, o candidato planeja ampliar o espaço para os artistas amadores e fomentar a vinda de peças de atores profissionais. Mas, para ser referência, o peemedebista acredita ser fundamental investir nos artistas bauruenses.
"É preciso abrir espaço para aqueles que vivem da arte. Para isso, é necessário criar novos mecanismos de incentivo, como uma feira de artesanato, e meios que garantam a crescente profissionalização. Além disso, temos que formar o público e isso passa pelas oficinas, que devem ser realizadas no Centro Cultural e nos centros comunitários", propõe.
Como ocorreu quando era prefeito, entre os anos de 1992 e 1996, Tidei quer fazer dos corais uma marca de seu governo. Se eleito, ele pretende fomentar essa atividade a partir da realização de festivais e do incentivo à criação de novos grupos. Outro traço de sua gestão será a busca das raízes culturais rurais do Município.
A cultura rural de Bauru teria como epicentro o distrito de Tibiriçá.
"Quero fazer de lá um novo Embu. Nesse local, realizaríamos feiras semanais com arte culinária e artesanato rurais, além de rodeios. Esta é uma forma de sair da cultura tradicional e valorizar as coisas simples, que fizeram parte do passado de muitos bauruenses e que são nossas raízes comuns. É preciso cutucar isso", defende.
Para Thomaz Zamonaro (PRN), a implantação de uma política municipal de cultura deve incluir necessariamente a valorização dos servidores públicos que trabalham no setor. "Quero dar dignidade a eles, oferecendo melhores salários e condições de trabalho, como novos equipamentos e instalações", promete.
Zamonaro planeja incentivar a realização de atividades teatrais nas EMEIs e incrementar as oficinas de pintura, música, dança e outros setores. "A Secretaria da Cultura está um pouco apagada, vejo pouca atuação dela. Por isso,
é necessário colocar um profissional do ramo para ser secretário do órgão, não um aventureiro. Quero também valorizar os funcionários de carreira e os artistas bauruenses, que poderiam ministrar cursos à população. Há muita gente boa na área cultural", comenta.
Carlos Sandrin (PT do B) considera necessário catalisar o trabalho das oficinas e colocar em seus programas atividades que resgatem o passado. Em relação à música, por exemplo, diz ser importante ensinar as peças clássicas, como as valsas vienenses. O mesmo vale para a dança e o teatro.
"Quero preparar os jovens para serem artistas. A partir de aulas, eles aprenderiam teatro e, depois, teriam a oportunidade de apresentar peças teatrais. A primeira peça a ser encenada é "20 Anos de Amor", de minha autoria. A mesma idéia vale para outras expressões de arte", conclui.