07 de julho de 2026
Geral

Debate

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Debate da USC teve vaias e aplausos

Texto: Nélson Gonçalves

No debate entre os prefeitáveis, platéia foi diferencial. Thomaz Zamonaro (PRN) ganhou muitas vaias da platéia

O penúltimo debate entre os prefeitáveis de Bauru, realizado anteontem, sob coordenação da TV USC, no auditório da Universidade do Sagrado Coração, teve a presença de seis candidatos. Pedro Tobias (PDT) não compareceu. O encontro teve como característica marcante a presença de público, que lotou o auditório da USC. Entretanto, se a presença do público deu mais estímulo à performance dos prefeitáveis, por outro, acabou gerando desconforto. O público acabou se transformando em uma espécie de torcida. Assim, houve vaia e aplausos para os candidatos.

A apresentação individual dos candidatos para tomarem assento proporcionou um espetáculo à parte pelo público, boa parte de estudantes, logo no início. O mediador, Luiz Victorelli, chamou a atenção para o respeito aos participantes do evento. Apesar disso, alguns candidatos foram vaiados, outros receberam um misto de aplausos e vaias. A reação era imediata a partir da convocação dos sete candidatos pelo mediador. Entre os candidatos presentes, Thomaz Zamonaro (PRN) foi o menos festejado. O candidato enfrentou a rejeição do público, com vaias e apupos, durante toda a primeira parte do evento.

Na apresentação, os candidatos parabenizaram a iniciativa. Destaque para Sandrin que disse que "Bauru é uma filha da pátria. Ele também alfinetou Nilson Costa (PPS) novamente sobre os radares. Já o candidato do PPS reclamou de "má vontade da imprensa". Vaiado também na apresentação, Thomaz disse que a "juventude leva a eleição na brincadeira". Os candidatos também apresentaram vídeos de até um minuto cada um.

Na primeira sessão de perguntas, a estudante de jornalismo da Unesp Angélica Muniz questionou Tidei de Lima (PMDB) sobre isenção na tarifa do transporte coletivo em Bauru, como ocorre no Rio de Janeiro. Tidei lembrou que o sistema

é gerido pela Câmara de Compensação e disse que prefere implantar o passe integração que beneficiaria toda a população e não só o estudante.

O estudante de jornalismo da USC, Moisés Rocha, indagou Thomaz se sua candidatura deveria ser levada a sério e perguntou sobre suas posturas em relação aos ataques. Zamonaro disse "eu nunca menti e não tenho um defeito que o senhor possa levantar. Eu estou apenas lembrando alguns defeitos de alguns candidatos". O estudante replicou porque Thomaz poupa Pedro Tobias (PDT) das críticas. "Eu não conheço o Tobias e não tenho ligação com ele", comentou Thomaz.

A estudante da Unesp, Angélica Muniz, perguntou para Nilson Costa (PPS) qual sua ação para asfaltar a cidade? O candidato argumentou que a pavimentação está defasada há anos. Nilson acrescentou que não existe asfalto de graça, "o munícipe paga a despesa com seus impostos". Moisés Rocha da USC questionou Tuga (PSB) sobre sua aliança, citando que o arco de apoio estava à direita de FHC, lembrando o PPB de Maluf e Izzo Filho. Tuga disse que foi oposição a "muitas iniciativas do governo FHC, como a fúria privatista. Eu rompi com o Izzo quando ele foi eleito, isso é público e não tenho aliança com ele. Se fizer levantamento no grupo do Tobias verá que ele tem muita gente do Izzo. A aliança com o PPB e PL é pragmática, eu não saí de um isolamento com isso".

Angélica Muniz perguntou a Estela (PT) sobre a situação dos adolescentes e das crianças infratoras. A petista disparou contra a política dos governos tucanos e defendeu o programa de renda mínima. Em seguida, Moisés Rocha questionou Sandrin sobre o transporte coletivo. O candidato do PT do B comentou que as distâncias longas prejudica o sistema.

No segundo bloco, Thomaz e Tidei debateram sobre propostas para a juventude, Tuga e Sandrin comentaram sobre ações na área cultural. Aqui, outra pérola do debate. Sandrin lançou a apresentação de peça de sua autoria: "20 anos de amor", arrancando aplausos da platéia. Tuga defendeu a criação de uma fundação cultural, para atração de investimentos no setor. Sandrin fechou a série: "sua proposta é ótima", o que levou a mais aplausos e risos da platéia.

Nilson e Estela discutiram sobre as pesquisas eleitorais. Nilson indagou que algumas pesquisas tentam "levar para o eleitorado que a eleição já está decidida". Estela concordou e atribuiu o fato a uma campanha pelo "voto inútil". Nilson completou que "algumas pesquisas são dirigidas". Sandrin e Zamonaro falaram sobre a sociedade bauruense. Já Tidei questionou Nilson sobre a redução da dívida do Município, de quase R$ 100 milhões para menos de R$ 7 milhões, no atual governo. Nilson disse que a dívida "foi rolada e reduzida". Depois, o prefeito alfinetou Tidei com a citação da dívida do Viaduto, que compôs a federalização. Tidei veio no contra-ataque afirmando que Nilson não reduziu, mas rolou a dívida. Os candidatos protagonizaram o momento mais tenso do debate, sem consequências extras, entretanto.

No final deste bloco, Estela questionou votações de Tuga contra e a favor de FHC. "A conveniência é seu perfil? Em qual dos momentos devemos acreditar?", alfinetou a petista. Tuga comentou que teve nota 9 do Diap, órgão que avaliou o desempenho de deputados federais durante seu mandato. Depois, o candidato do PSB disse que sua aliança tem hegemonia de esquerda e que "o PPB resolveu apoiar uma proposta já pronta, já elaborada".

No bloco seguinte, os candidatos falaram sobre prestação de núcleos habitacionais, municipalização de educação, filas nos Postos de Saúde e problemas de estrutura no Jd. Nicéia. No bloco seguinte, Moisés Rocha, da USC, questionou Estela sobre seus defeitos. A candidata citou falta de estrutura na campanha. Tuga foi indagado sobre ataques no programa de televisão. Ele respondeu que se defendeu em alguns casos e não ofendeu seus adversários. Thomaz foi instigado a responder se concorda ou não com a eventual saída de Tobias (PDT) da Assembléia Legislativa

(AL). O candidato do PRN disse que Pedro Tobias não deveria deixar a AL. Depois, criticou que o debate é tendencioso.

No mesmo bloco, Nilson Costa falou sobre a integração da universidade com a sociedade. Já Tidei de Lima foi indagado sobre seu fraco desempenho nas pesquisas de intenção de voto. O candidato do PMDB respondeu criticando que esta eleição tem "campanhas milionárias. Existem dois candidatos com grupos econômicos fortes e um candidato que usa a máquina. Estamos preocupados com campanhas milionárias". Depois, os candidatos falaram sobre educação, término do Hospital Regional, área verde, banco do povo e tratamento do esgoto. A maioria dos temas, entretanto, foi lançado para críticas indiretas, sem discussão aberta do conteúdo programático. No final, os candidatos fizeram seus comentários. No geral, o debate foi positivo e cumpriu sua principal função: proporcionar ao eleitor mais uma oportunidade de ouvir os candidatos, mesmo que estes, em alguns posicionamentos, tenham deixado o conteúdo a desejar.