Em Confiança
Leonardo de Brito
SENSACIONAL
Num jogo emocionante, proibido para cardíacos, a seleção brasileira feminina de basquete reabilitou-se ontem de alguns tropeços seguidos, conseguindo derrotar a fortíssima Rússia. Mesmo sem contar com Janeth boa parte do tempo, devido ao número de faltas, as brasileiras atuaram com garra e avançaram para as semifinais. O jogo começou equilibrado. Enquanto as russas apresentavam excelente aproveitamento de três pontos, as brasileiras procuravam trabalhar bem a posse de bola para pontuarem. Mas foram os arremessos de três pontos que permitiram à Rússia liderar o placar durante quase todo o primeiro tempo. O amigo Antônio Carlos Barbosa pediu tempo para acalmar as jogadoras, que voltaram melhor e encostaram em 32 a 30. Com uma roubada de bola de Janeth, Marta empatou o jogo. Nesse momento a partida estava num ritmo alucinante, com os dois times trocando roubadas de bola e pontuando nos contra-ataques. Nossa seleção terminou o primeiro tempo perdendo por 39 a 38. Mas o pior para o Brasil é que Janeth ia para o intervalo tendo feito quatro faltas. Na segunda etapa, o Brasil aproveitou o primeiro ataque para pular na frente do placar, mas antes dos cinco minutos iniciais, a Rússia já tinha marcado 27 pontos no jogo com bolas de três pontos. Só que o time europeu não esperava que, sem Janeth em quadra, Adriana e Helen iriam chamar a responsabilidade para si. O Brasil virou o jogo para 56 a 54. Quando faltavam pouco menos de sete minutos para acabar o jogo, Janeth voltou para a quadra, o que deu um toque de experiência para o time brasileiro, que mantinha uma vantagem de quatro pontos no marcador. Mas faltando quatro minutos para acabar a partida, Janeth cometeu a quinta falta e foi eliminada do jogo. Sem a sua principal jogadora, o Brasil parou e a Rússia virou para 65 a 64 faltando menos de dois minutos para acabar o jogo. Mas as brasileiras fizeram da garra a principal virtude. Quando faltavam dois segundos para o fim, Alessandra fez a cesta que deu a sensacional vitória brasileira.
QUEDA INESPERADA
Com a inesperada derrota do Brasil, a Argentina terá a responsabilidade de representar a América Latina nesta sexta-feira, pelas semifinais do torneio de vôlei masculino das Olimpíadas. Será também para os argentinos uma possibilidade de revanche contra a Rússia. Na outra partida, Itália e Iugoslávia disputam o direito de passar à final. Os argentinos sofreram segunda-feira, na última rodada da primeira fase, uma derrota categórica contra os russos, por 3 a 0, e quase ficaram fora da competição. Uma vitória da Iugoslávia sobre a Coréia do Sul promoveu a ressurreição dos platinos, que ontem, nas quartas-de-final, derrotaram um Brasil franco-favorito, até então um time invicto, que só havia perdido um set nestes Jogos de Sydney. Que pena. Nossa seleção ia tão bem! A equipe de Radamés Lattari ganhou todos os jogos quando podia perder, mas foi derrotada justamente pela arqui-rival Argentina, que teve muita garra para vencer com alma e justiça os brasileiros, por 3 a 1.
O PROBLEMA DE RC
Fora da Seleção Brasileira desde o último jogo contra a Bolívia, Roberto Carlos reconheceu em entrevista a uma rádio da Espanha, que só não foi convocado porque Romário não gosta dele. "Esse é meu principal problema na Seleção: Romário. Não tenho nada contra ele, mas ele tem contra mim e não posso fazer nada", disse RC, que tentou tirar a culpa de cima de Wanderley Luxemburgo pelo fracasso na Olimpíada.
SUPERVISOR
Se Luiz Felipe Scolari assumir o comando da Seleção, Dunga poderá ser o supervisor. O capitão da equipe que conquistou o tetracampeonato mundial toparia o convite. Dunga já tem até as razões para o fracasso da equipe olímpica brasileira em Sydney. Segundo ele, faltou entrosamento. No entanto, ele cita outras causas para o insucesso, como imaturidade coletiva e o excesso de confiança na conquista da medalha de ouro. Para o ex-jogador, o maior erro dos brasileiros, em geral,
é achar que são os melhores do mundo e invencíveis.
VALORIZAÇÃO
Mais do que o reconhecimento do povo chileno, a boa campanha nas Olimpíadas de Sydney está fazendo com que o valor dos passes dos jogadores da Seleção nacional sejam inflacionados. O time comandado pelo técnico Nelson Acosta disputa a medalha de bronze nesta sexta-feira contra os Estados Unidos. Para se ter uma idéia da valorização dos atletas chilenos, o meia Tello, que teve seu passe comprado por um empresário por US$ 1,5 milhões (aproximadamente R$ 2,7 milhões), deverá custar após as Olimpíadas US$ 8 milhões - quase R$ 14,5 milhões. Outro que teve o passe valorizado foi o ala Olarra. Antes das Olimpíadas seu passe custava US$ 3 milhões (cerca de R$ 5,4 milhões), agora, o clube que quiser contratar o jogador terá que desembolsar, no mínimo, o dobro.
CPI/JÁ
Depois do fracasso na Olimpíada e as graves denúncias extra-campo contra Wanderley Luxemburgo, a CPI do futebol deve sair mais depressa do que imediatamente. Aliás, o senador
Álvaro Dias, autor do requerimento que propõe a instauração da CPI da CBF, declarou que faltam apenas alguns detalhes para a formação da Comissão.
Álvaro disse que todas as exigências regimentais já foram cumpridas.
VOCÊ SABIA?
Você sabe quem é o ministro de Esporte do Brasil? Se eu sou jornalista esportivo, teria a obrigação de saber quem é o titular do Ministério, mas fiquei sabendo só ontem, ao ler a Folha de S. Paulo. A manchete da Folha Eleições é a seguinte:"Ministro usa cargo para ajudar sua mulher". Diz o olho (espécie de sub-título):"Carlos Melles, titular da pasta de Esporte e Turismo, prometeu facilitar a liberação de recursos para obras em São Sebastião do Paraíso, caso Marilda Melles seja eleita prefeita do município". Não à toa nosso fracasso na Olimpíada. Afinal, não sabemos nem o nome do ministro brasileiro do Esporte.