07 de julho de 2026
Geral

Medicina Nuclear

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Radiotraçadores são aliados da especialidade

Texto:Fabiana Teófilo

A Medicina Nuclear descreve a biodistribuição corpórea dos radiotraçadores/radiofármacos administrados ao paciente. Radiotraçadores são moléculas radioativas que seguem o curso semelhante ao de moléculas naturais que compõem os órgãos e sistemas. Eles agem da mesma forma que a substância natural, ou seja, podem ser captados, produzidos ou secretados pelo órgão, não interferindo na fisiologia normal desse órgão.

As imagens obtidas através dos aparelhos após a administração do radiotraçador mostram a sua distribuição de forma natural (nos exames sem alteração) ou anormal (nos exames alterados). Qualquer modificação da fisiologia normal ou da anatomia do órgão alvo, quando presente, será detectada. Por exemplo, a molécula determinada como pertecnetato (Tecnécio) 99mTc, uma vez administrada ao corpo humano, comporta-se como o íon-iodeto (iodo). Depois, essa molécula (radiotraçador),

é "seqüestrada" pela glândula tireóide

(da mesma forma como o íon iodeto).

A glândula tireóide irá concentrar o pertecnetato-99mTc

(radiotraçador) de forma semelhante ao iodeto. Por meio da Medicina Nuclear é possível observar a biodistribuição do pertecnetato-99mTc e determinar a morfologia tireoideana, sua localização, além de identificar o comportamento funcional das células tireoideanas (normal, hipocaptante ou hipercaptante).

Os estudos radiológicos convencionais utilizam a radiação ionizante na forma de transmissão. A Medicina Nuclear baseia-se na identificação do órgão alvo, utilizando radiação ionizante na forma de emissão (visualiza o corpo/órgão alvo, de dentro para fora). O radiotraçador pode estar acoplado a uma substância (fármaco), compondo um elemento denominado de radiofármaco. As informações diagnósticas são obtidas a partir da observação da distribuição do radiofármaco no corpo, ao longo do tempo.

Esse acoplamento/ligação do radionuclídeo aos vários compostos químicos se comporta de forma semelhante aos compostos naturais encontrados no corpo. Por exemplo, radiotraçadores utilizados para estudar os ossos mimetizam o fosfato; os de vias biliares mimetizam a bilirrubina; os do coração mimetizam o potássio e os do rim mimetizam a inulina. Radiofármacos, como outras drogas não radioativas, são excretados através dos tratos gastro-intestinal e genito-urinário ou outros fluidos corpóreos. As reações adversas são extremamente raras e muito menos comuns do que as reações aos contrastes iodados utilizados na TC.

Nem todos os elementos radioativos disponíveis na natureza podem ser utilizados pela Medicina Nuclear. Entre os parâmetros que determinam os radionuclídeos que podem ser utilizados para fins médicos, incluem-se, principalmente, a meia vida, o tipo de radiação produzida e a energia emitida pela radiação.

Os principais radionuclídeos utilizados pela Medicina Nuclear incluem: Iodo (I-131/I-123), Índio (In-111), Gálio

(Ga-67), Tecnécio (Tc-99m), Tálio (Tl-201) e Samário

(Sm-153).

De todos, o mais utilizado é o Tecnécio. Os tipos de radiação mais úteis na Medicina Nuclear são os Gama e Beta. Os elementos radioativos que emitem partículas do tipo Beta são utilizados com finalidade terapêutica. A terapia representa uma porção menor, porém de grande importância desta especialidade. A maior parte da Medicina Nuclear apresenta finalidade diagnóstica e se baseia na utilização de radionuclídeos emissores de partículas Gama. Imagens obtidas por raio-X são imagens de transmissão (os raios-X gerados por uma fonte externa, tubo de raios-X atravessam os tecidos do paciente, impregnam uma placa e produzem a imagem). Para cada imagem adicional são necessárias novas exposições do paciente à radiação. Imagens de Medicina Nuclear são obtidas por emissão (os raios Gama são emitidos a partir do radionuclídeo administrado ao paciente que se concentrou no órgão alvo), atravessam o corpo e são captadas pela Gama câmara. Imagens adicionais não requerem doses extras de material radioativo, apenas um maior tempo de obtenção.

Indicações

Como na Medicina Nuclear a radiação é emitida de dentro do paciente, o estudo não é aconselhável nas gestantes. Nos estudos com raios-X, o feto pode ser protegido da radiação colocando-se blindagens de chumbo sobre o abdome da gestante. Isto não é possível na Medicina Nuclear, pois não se pode controlar o radiofármaco na corrente sangüínea. Lactantes apresentam problema semelhante, pois alguns tipos de radiofármacos apresentam excreção no leite materno.

A avaliação diagnóstica e acompanhamento terapêutico de uma grande variedade de doenças podem ser realizados pela Medicina Nuclear. De acordo com o órgão alvo ou sistema a ser avaliado, existem diversos tipos de radiotraçadores e radiofármacos disponíveis com indicação precisa ou que podem ser adaptados ao caso.