Candidatos têm problemas diferentes
Texto: Nélson Gonçalves
Ao avaliar a eleição, os candidatos a prefeito apontam fatores como pesquisa eleitoral e poder econômico para justificar perdas
Os candidatos a prefeito de Bauru foram à urnas ontem com respostas diferentes para o resultado do pleito. Alguns cuidaram de apontar "culpados" para a perda de rendimento durante a campanha. Entre os três principais candidatos na eleição majoritária, a avaliação foi que a performance nas urnas vai apontar características específicas de cada concorrente, assim como elementos singulares desta eleição. Em um ponto eles concordam, esta foi a mais disputada eleição dos últimos anos em Bauru. Assim, as avaliação também trazem elementos distintos. Para um prevaleceu o poder econômico, outro se sente prejudicado em relação
às últimas pesquisas eleitorais.
Apesar do apontamento de problemas enfrentados na eleição, os candidatos procuraram demonstrar otimismo durante a manhã de ontem, quando as urnas foram instaladas. O mais pessimista na avaliação foi o ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB). Com índices baixos nas pesquisas eleitorais, Tidei de Lima voltou a centrar suas críticas na questão financeira, atribuindo a indução do voto pelas campanhas milionárias
(ver boxe).
Entre os três candidatos que apareceram nos primeiros lugares nas pesquisas, Nilson Costa (PPS) votou às 9h40 na Escola Mercedes Paes Bueno, no Jd. Higienópolis. "Eu fiz o meu papel, desempenhei um ótimo papel nesta eleição, fiz uma campanha limpa, sem ataques morais a ninguém, participei da campanha com serenidade, mostrando o trabalho do nosso governo
à frente da Prefeitura", disse Nilson Costa. Para o candidato a prefeito, seu nome foi "prejudicado pelas pesquisas, que ignoraram meu crescimento na reta final, um crescimento muito acima das médias normais. Mas eu acredito que o desempenho
é o melhor possível", disse Nilson na manhã de ontem, acreditando que poderia vencer a eleição.
Sobre ser candidato e prefeito, simultaneamente, Nilson Costa
(PPS) avaliou que passou "por uma campanha difícil, onde todas as ações da Prefeitura convergiam para críticas e nem a todas as realizações era dado o destaque merecido. Foi uma campanha difícil, tive que cuidar da Prefeitura, da administração da cidade, e ainda partir para a campanha com o restante do tempo". Em relação à avaliação do processo eleitoral, Nilson Costa comentou que a "eleição mostra que a cidade não quer mais aventura, não aceita a criação de dívidas irresponsáveis sem que as prioridades sejam avaliadas e a capacidade de investimento do Município seja levado em conta".
Para Tuga Angerami (PSB), a campanha cumpriu seu papel de "dar oportunidade ao eleitor de fazer sua escolha. Os debates foram importantes para esse discernimento. Aquele que não foi aos debates perdeu uma ótima oportunidade de levar suas propostas até a população, de discutir os problemas da cidade. Bauru precisa ser reerguida e o eleitor acompanhou este sentimento de tentativa de elevar a auto-estima própria, em muitos casos de reaprender a ter paixão por esta cidade". Tuga votou às 10h30 na Escola Ernesto Monte, no Altos da Cidade.
Tuga avaliou que "a campanha foi difícil e levar as propostas até o eleitor foi muito difícil, porque o poder econômico rondou os quatro cantos da cidade. De qualquer forma, procuramos mostrar nossos objetivos e ainda tivemos que combater tentativas de ofensa a nossa imagem, tentativas de confundir o eleitor sobre algumas de nossas propostas. A campanha foi positiva, porque o eleitor entendeu que não pode submeter a cidade a uma aventura".
Apontado na frente das pesquisas eleitorais desde o início da campanha na TV, Pedro Tobias (PDT) chegou ao Ernesto Monte
às 10h10 para votar. Antes, o candidato percorreu pontos diferentes da cidade. O candidato a prefeito pelo PDT criticou os ataques ocorridos nos programas eleitorais de rádio e televisão e também sob a forma de distribuição de panfletos (apócrifos). "A campanha foi difícil, ocorreram muitos ataques, trucagem e mentiras. Quem tinha o perfil de defensor dos direitos humanos mostrou o verdadeiro caráter, atacou, perdeu o bom senso e foi até o racismo", citou.
Para Pedro Tobias, a imprensa teve parcela de culpa na cobertura da eleição. "A imprensa em boa parte foi contra mim, eu não sei porque, eu não fiz nada para essa gente. Não é o jornalista, é o grupo. Se preocuparam bastante em me criticar. A campanha terminou e eu fiz o meu papel, fui até as ruas, até a periferia, nos quatro cantos da cidade, debater com o povo, dizer o que pretendia fazer. Nós acreditamos na vitória, mesmo tendo que combater muitos adversários, mesmo quem não era candidato", comentou.