Presidente de sessão é acusado de favorecer candidato
Texto: Rose Araujo
Uma denúncia de favorecimento a um candidato a vereador movimentou a escola Irmã Armínia Sbríssia, no bairro Nova Esperança, no início na tarde de ontem. Uma fiscal do Partido dos Trabalhadores (PT) acusou o presidente da 142.ª sessão eleitoral de ter votado no lugar de um eleitor. O juiz da 300.ª Zona Eleitoral (a qual está subordinada a sessão), Benedito Antonio Okuno, foi chamado ao local para resolver o impasse.
A fiscal do PT, Celene Aparecida Lopes Baldoni, chamou dois soldados da Polícia Militar que faziam a segurança da escola para dizer que o presidente da 142.ª sessão eleitoral, Alexandre Cheque, havia digitado o número do candidato a vereador para uma eleitora. "Eu vi quando ele levou a mulher até a urna eletrônica e digitou o número de um candidato para ela", afirmou Celene.
Cheque, por sua vez, explicou que a eleitora era conhecida sua e que pediu para que ele mostrasse apenas o número do vereador que ela já havia escolhido. "Eu não a induzi a nada. Ela me perguntou o número do candidato, eu mostrei na lista e ensinei a ela como digitar", defendeu-se.
Ele conversou por telefone com o juiz Okuno e disse que permaneceria na presidência da sessão até que a história fosse esclarecida.
O advogado Arthur Monteiro Júnior, que estava como delegado do PT, compareceu à escola e orientou Celene a registrar boletim de ocorrência sobre o fato.
Para confirmar a história, Cheque saiu para almoçar e trouxe a eleitora consigo. A mulher, que pareceu ser uma pessoa muito simples, não quis conversar com a imprensa e nem divulgou seu nome. Ela ficou revoltada com a história e disse ao juiz que já havia escolhido o seu candidato, mas não lembrava qual era o número dele. "Não preciso que ninguém vote para mim. Eu sabia em quem iria votar, só pedi uma ajuda ao rapaz. A pessoa que está criando todo esse caso está é com inveja do trabalho dele", disse.
Cheque destacou que já trabalha há 10 anos como presidente de sessão e que nunca passou por problema semelhante.
"Eu sei que errei. Não devia ter mostrado como usar a urna. Mas, não indiquei nada para a eleitora e nem digitei o número no lugar dela. Ela já sabia em quem iria votar. Eu apenas mostrei na lista de candidatos qual era o número e levei-a até a urna, pois ela estava segurando uma criança. Eu só quis ajudar".
Para a fiscal do PT, Celene Baldoni, o presidente da sessão não teve a intenção de cometer um crime eleitoral.
"Acho que ele não agiu de má fé. Mas, errou ao querer digitar para o eleitor e isso deve ser punido", disse.
Diante dos fatos e depois de ter ouvido ambas as partes, o juiz Benedito Okuno decidiu manter Cheque na presidência da sessão.
"Pelo que eu apurei, ele não cometeu nenhum crime, pois não há problema em instruir o eleitor", disse. No entanto, como a fiscal do PT afirmou que vai registrar BO, Okuno disse que vai apurar os fatos mais detalhadamente depois que for aberto inquérito.