Em Confiança
Leonardo de Brito
NOSSO FRACASSO
Acabou na noite brasileira de sábado, a última real esperança do nosso País trazer uma medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Sydney. O cavaleiro Rodrigo Pessoa, número 1 no ranking mundial, foi eliminado no concurso de saltos na prova de hipismo. Rodrigo entrou na pista precisando apenas zerar seu percurso para conquistar o título olímpico, já que Khaled Al Eid, da Arábia Saudita, havia feito uma falta no percurso anterior. Rodrigo derrubou o primeiro obstáculo e passaria ao desempate caso não cometesse mais nenhuma falta. No entanto, o cavalo Baloubet du Rouet - considerado o melhor e um dos mais caros do mundo, com o qual Rodrigo conquistou a Copa do Mundo em 1999 e 2000 - parou por três vezes na frente de um mesmo obstáculo, o que caracterizou a eliminação do brasileiro, que já não estava mais na briga por medalha após a primeira parada de seu cavalo. A desclassificação de Rodrigo, favorito absoluto ao ouro, fez desabar a equipe brasileira de hipismo, pois Andre Johannpeter já não tinha mais chances de medalha. Aliás, pela primeira vez, desde os Jogos de Munique-76, o Brasil deixou de ganhar medalha de ouro. Em Sydney, os brasileiros conquistaram o total de 12 medalhas: seis de prata e seis de bronze, terminando em 52º lugar no quadro de medalhas. Uma desastrosa campanha campanha, porém, sem muita surpresa. Afinal, o fracasso em Sydney retrata a situação do País.
VENCEDORES
Cuba, a grande potência esportiva da América Latina, caiu do oitavo para o nono lugar no quadro de medalhas em Sydney, em relação a Atlanta-96, mas ganhou duas douradas e três de prata a mais em sua conta, embora uma de bronze a menos. A ilha caribenha havia conseguido nos Jogos do Centenário nove ouros, oito pratas e oito bronzes, enquanto na Austrália seu histórico foi de 11-11-7. O vôlei, boxe, atletismo, judô, a luta greco-romana e o takwondo foram os esportes que ajudaram a enriquecer o currículo dos cubanos. De todas as suas medalhas de ouro, há duas que se revestem de especial importância, porque significam a confirmação de um domínio que se estende desde Barcelona-92, no caso das meninas do voleibol e do pugilista peso pesado Félix Savón. No topo, como nos velhos tempos: Estados Unidos em primeiro e Rússia em segundo. Bela campanha da China, que ficou em terceiro lugar, seguida da Austrália.
LOCOMOTIVAS
A Maratona para homens foi a última prova das Olimpíadas de 2000. Cem atletas largaram para percorrer os 42,195 quilômetros de prova e cruzar a faixa no Estádio Olímpico de Sydney. Apesar de um pelotão que se matinha à frente, a briga pelo ouro olímpico ficava mesmo entre os etíopes Testafaye Tola e Gezahgne Abera e o queniano Eric Wainaina. No fim da prova, Abera abriu larga vantagem e entrou sozinho no estádio, terminando a prova em 2h10min11s. Wainaina chegou logo em seguida, com 2h10min31s, e ficou com o bronze. Tola ficou com a medalha de prata, com 2h11min10s. Correr é com os africanos, autênticas locomotivas.
BELA FESTA
Os Jogos de 2000, a maior festa do planeta, segundo os australianos, teve uma bela festa de encerramento. Estimativa de 3,5 bilhões de telespectadores e aproximadamente um milhão de pessoas no Estádio Olímpico e seus arredores. A milionária cerimônia de encerramento começou com um evento-surpresa, no qual um cortador de grama percorria todos os cantos do estádio assustando a multidão de voluntários que corriam da máquina. Graças a uma câmera carregada pelo suposto cortador de grama, os telespectadores viram os bastidores do estádio, também com pessoas abrindo caminho para o personagem. Na seqüência, uma apresentação com aborígenes australianos, mostrando sua cultura com dança e muito raio laser. Então, entraram os atletas carregando bandeiras, um por país - o nadador australiano Ian Thorpe abriu o batalhão e pavilhão brasileiro foi empunhado pela jogadora de basquete Alessandra, medalha de bronze.
PASSAGEM POLÊMICA
Wanderley Luxemburgo, com pouco mais de dois anos no cargo, teve uma passagem das mais polêmicas na Seleção Brasileira, tanto na principal quanto na olímpica. Quando ele assumiu o cargo substituindo Zagallo, pouco depois da derrota de 3 a 0 para a França, na final da Copa do Mundo de 1998, fez um projeto de trabalho, objetivando os títulos dos Jogos Olímpicos de Sydney e da Copa do Mundo de 2002. Mas seu trabalho começou a ser contestado nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, onde a Seleção Brasileira apresenta a pior participação de sua história na competição. A derrota de 3 a 0 para o Chile, em Santiago, foi a maior do nosso país até agora em todas as Eliminatórias, desde 1954. Com o fracasso do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney, o prestígio de Wanderley ficou mais abalado ainda, até ser demitido. Dirigindo as Seleções Brasileiras principal e olímpica, Luxemburgo teve o seguinte retrospecto, em 55 jogos: 36 vitórias, 12 empates e sete derrotas. De positivo, ele conseguiu os títulos da Copa América de 1999 e do Torneio Pré-Olímpico deste ano.
INFERNO ASTRAL
A demissão do cargo de técnico da Seleção não encerrou o inferno vivido por Wanderley Luxemburgo. O treinador vai depor hoje na Polícia Federal, acusado de falsidade ideológica porque a idade contida na sua identidade
é incorreta. A pena prevista para o crime é de um a cinco anos. No passaporte de Luxemburgo, consta que ele teria 45 anos, com data de nascimento de 1955. Quando o treinador chegou ao Brasil, um dos seus advogados admitiu que ele tem 48 anos, tendo nascido em 1952.
CIDADÃO 2000
Recebo e agradeço convite do Preve Objetivo para a solenidade de abertura da Olimpíada Cidadão 2000, competição interna da organização de ensino dirigida por Gérson Trevizani e José Luís Garcia Peres. A festa será amanhã, às 8h30, no ginásio de esportes do Preve Objetivo.