07 de julho de 2026
Geral

Nova Câmara

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 5 min

Nova Câmara terá cinco ex-legisladores

Texto: Daniela Bochembuzo

Candidatos eleitos tomam fôlego nesta semana antes de iniciar reuniões com segmentos que os elegeram

Cinco dos 11 candidatos que serão responsáveis pela renovação do Legislativo bauruense em 2001 já passaram pela Câmara Municipal. O grupo traz dois ex-suplentes e três vereadores, todos ávidos por dar continuidade ao trabalho que iniciaram no passado recente.

Esse é o caso de José Walter Lelo Rodrigues (PTB), vereador de 1977 a 1996 e atual primeiro suplente do seu partido. Pastor, o candidato foi eleito com 2.062 votos, grande parte conseguido junto à comunidade evangélica e a grupos da Igreja Católica, da qual sua mãe é praticante.

Antes de esboçar o atual sorriso pela vitória nas urnas, Lelo passou por um período difícil, que incluiu a sua destituição da presidência do PTB local e o posterior abandono dos sonhos de ser candidato a prefeito. Hoje, encara o caso como uma "página virada".

"Aquela situação me obrigou a reestruturar minha visão sobre a política e a mudar meus objetivos, mas nunca perdi a fé. O plano correto vem de Deus. Tenho vontade de ajudar a curar Bauru e isso é que me move", afirma.

Lelo garante que voltará à Câmara Municipal com "força total" e trabalhará pela implantação de projetos de lei, de sua autoria, aprovados em outros mandatos. Entre eles, cita o passe-integração e a criação da guarda municipal. "Estou elaborando outros projetos e tenha esperança nos novos integrantes da Câmara Municipal. Independente do partido, sinto que eles estão desejosos de acertar, de fazer Bauru progredir", acredita.

Walter Costa (PPS) também elogia a nova safra do Legislativo, incluindo os vereadores que conseguiram se reeleger. "O nível melhorou em 80%. Os candidatos que foram eleitos são gente de valor e não há nenhum aproveitador", garante.

O candidato eleito do PPS quer retomar o trabalho encerrado, contra sua vontade, na década de 90. Na ocasião, ele afirma ter sido acusado injustamente de corrupção pelo prefeito cassado Antonio Izzo Filho, fato que o levou a sofrer um derrame e a ficar impedido de fazer campanha para vereador. Mesmo assim, recebeu 1.206 votos.

Costa atribui o seu retorno aos amigos, que o ajudaram a buscar votos e contribuíram financeiramente para a campanha. "Não tenho mérito nenhum nessa vitória. Devo tudo a colegas que trabalharam por mim e confiaram na minha força de trabalho", diz o vereador eleito, que pretende descansar por alguns dias antes de iniciar trabalhos visando o novo mandato.

Estafado com os últimos dias de campanha, Osvaldo Paquito

(PFL) é outro candidato eleito que pretende descansar antes de pensar no mandato conquistado. Depois de dez dias de férias, ele começa a realizar reuniões com a base para o levantamento de necessidades junto à Vila Independência, Jardim Ouro Verde, Jardim Ferraz e Jardim Solange.

Suplente por três meses, no período de 1992 a 1996, Paquito afirma que cumprirá sua função de fiscalizar os trabalhos do Executivo. Como vereador da futura base governista, entretanto, garante que contribuirá com Nilson Costa (PPS).

"Quero conversar com o prefeito. O vereador depende muito do administrador público e tenho certeza que podemos desenvolver um trabalho em conjunto. Quero viabilizar projetos para o bem da cidade", adianta.

Paquito acredita que poderá fazer um trabalho de peso em razão da experiência que adquiriu enquanto suplente. O vereador eleito afirma que tem um projeto político dividido em duas frentes: cidade e programas sociais, e que são baseados em sua experiência de vida. "Agora, estando no poder, fica mais fácil ajudar", aposta.

Como vereador, José Humberto Santana (PDT) pretende contribuir para o fortalecimento político do movimento assistencial de Bauru. Seu projeto se baseia na experiência adquirida enquanto voluntário do Centro Espírita Amor e Caridade e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais

(Apae). Além disso, é membro do Conselho Municipal da Assistência Social, o que lhe garante informações aprofundadas sobre o setor.

"Fiquei feliz com a vitória porque isso mostra que minha campanha esteve sintonizado com a base com a qual trabalho. Por isso, não reclamo da campanha, foi algo gostoso, importante e que indicou uma conscientização crescente por parte dos eleitores. Estou cansado fisicamente, mas contente em poder assumir uma cadeira na Câmara e poder propor projetos para o crescimento humano", relata.

Santana foi suplente em duas ocasiões, durante a administração de Tidei de Lima (PMDB), quando teve a oportunidade de substituir três vereadores, e em dois momentos da gestão de Antônio Izzo Filho, quando votou pela aceitação de denúncia contra o então vereador Hélio Pires e, em seguida, pela sua cassação. "Aprendi muito", afirma.

Colega de partido de Santana, a quem elogia muito, Faria Neto

(PDT) retorna à Câmara Municipal cheio de idéias. Ex-vereador e ex-prefeito de Avaí e ex-prefeitável e ex-legislador de Bauru, o candidato afirma que encarou a sua campanha mais difícil.

"Esta foi a pior eleição que encarei. Havia muitos candidatos fortes, inclusive dentro do próprio PDT. Foi uma guerra, que consegui vencer com o apoio da minha esposa Marli, do Grupo Preve e da comunidade católica de Santa Rita de Cássia. Sem eles, não estaria comemorando agora", agradece.

Dentre os apoiadores, Faria Neto diz ter conseguido muitos votos em função da exibição de seu programa na TV Preve. Em retribuição, pretende ampliar a atração, trazendo competições entre bairros e entrevistas com quem considera importante para a cidade.

"Vou continuar a prestar esse serviço", garante.

O fato de acumular experiência como vereador e prefeito, diz, lhe garantiram ponderação no momento de criticar.

"Vou fiscalizar a Prefeitura, não sem antes levantar dados. Tenho ainda muitos projetos, como a eliminação dos 40 minutos de troca de plantão, uma reivindicação antiga dos funcionários da Saúde e que agora espero poder atender", finaliza.