07 de julho de 2026
Geral

Crime

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Aluno morre baleado em Pederneiras

Texto: Adilson Camargo

José Carlos Herrera Júnior, de apenas 14 anos de idade, morreu anteontem à noite após levar um tiro dentro da escola

Apenas quatro dias depois de receber a primeira Base Comunitária da Polícia Militar de Pederneiras, o bairro Antônio de Conti foi palco de um incidente que chocou a população da cidade. José Carlos Herrera Júnior, de apenas 14 anos, morreu após ser baleado no abdômen, por um colega de classe, dentro do banheiro da escola onde estudava, anteontem à noite.

O caso, ainda não esclarecido pela polícia, foi atendido, de imediato, pelos policiais da Base recém-inaugurada, que, coincidentemente, fica ao lado da escola "Comendador João Chamas", onde se deu o incidente, por volta das 20h30.

O delegado Eduardo Samuel Sganzela, que está apurando o caso, trabalha em cima de duas hipóteses. A primeira, é a possibilidade de o disparo ter sido feito acidentalmente, enquanto outro aluno mostrava a arma para Herreira Júnior. O suspeito, na opinião da polícia, é W.H.G., 17 anos. A segunda hipótese, leva em consideração a possibilidade de um desentendimento entre os dois; o que teria motivado o disparo. Na verdade, só mesmo W.H.G. poderá esclarecer o que ocorreu, porque somente os dois estavam no banheiro naquele momento.

Porém, o suspeito, em depoimento à polícia, alegou que o disparo teria vindo de fora do banheiro, através de uma janela. Uma possibilidade contestada pelo Polícia Técnica, a qual chegou à conclusão de que o tiro teria sido à queima-roupa. A arma, um revólver, da marca Rossi, calibre 38, foi encontrada em um terreno que fica atrás do banheiro, separado um do outro por uma grade.

O delegado Sganzela acredita que o suspeito teria tentado pular essa grade, como não conseguiu começou a gritar para que o garoto atingido fosse socorrido. Encaminhado ao pronto-socorro, Herrera Júnior foi submetido a uma cirurgia de emergência, mas não resistiu e acabou falecendo durante a madrugada.

Depois de ser ouvido pelo delegado, W.H.G. desapareceu, o que acabou reforçando ainda mais a suspeita da polícia sobre ele. Embora ambos estudassem na mesma sala de aula, colegas de classe de Herrera Júnior presentes ao velório, afirmaram à reportagem do Jornal da Cidade que não havia, aparentemente, nenhum tipo de relacionamento entre os dois, seja de amizade ou de inimizade; o que deixa a Polícia Civil de Pederneiras ainda mais confusa na apuração do caso.

O comportamento da vítima, dentro da escola, foi classificado como "exemplar" pelos seus colegas. Mas não é apenas dentro da escola que Herrera Júnior apresentava bom comportamento. De acordo com sua irmã, Ana Paula, 19 anos, dentro de casa ele nunca "deu problemas". Ela não acredita num possível desentendimento entre seu irmão e qualquer outra pessoa que pudesse acabar de forma tão trágica. "Meu irmão nunca brigou com ninguém", afirmou Ana Paula. Herrera Júnior era o caçula da família e foi transferido para a escola do bairro havia pouco tempo.

Segundo informações de funcionários, a escola

"Comendador João Chamas" possui cerca de 800 alunos do ensino fundamental matriculados e nunca havia presenciado um fato semelhante em suas dependências. Diante do ocorrido, a escola ficou fechada durante todo o dia de ontem. Funcionários, diretoria e alunos, foram dispensados para acompanhar o enterro, que foi realizado às 17h30, diante de muita emoção.

O bairro Antônio de Conti, embora não seja considerado o mais problemático de Pederneiras, foi escolhido para ser sede da Base da Polícia Militar por causa do nível de violência registrado no local, segundo informações da própria polícia. Uma faixa colocada em frente a Base, faz crer que sua inauguração deverá trazer mais segurança aos moradores. Ao que parece, o trabalho que está apenas começando.