Cadeia está sob clima tenso
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A superlotação da Cadeia Pública de Bauru está gerando um clima apreensivo entre os presos. Comentários extra-oficiais garantem que eles estão preparando um movimento para reivindicar vagas no sistema da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado de São Paulo (Coespe). Com uma das celas interditada, a cadeia acolhia ontem 138 presos, uma média de 15 por xadrez, num espaço de 12 metros quadrados. A capacidade do presídio é de 70 presos.
A reclamação dos presos encontra respaldo na lei, uma vez que 31 deles já estão condenados e poderiam estar no sistema Coespe cumprindo a pena. Porém, o sistema não disponibiliza vagas há mais de dois meses e os condenados continuam vivendo como presos provisórios.
A superlotação acarreta inúmeros problemas. Dentre eles, o de acomodações que se tornam precárias. Há presos dormindo no chão sob um piso frio e úmido devido às chuvas constantes. A cadeia também tem problemas de segurança. O número de funcionários não aumenta com a elevação da população carcerária.
A cadeia possui dez celas para presos normais, mas uma delas está interditada, desde o último final de semana, quando foi cavado um túnel para fuga em massa, o que reduziu o número de xadrezes.
A reforma da cela de número 9 está sendo providenciada, mas o mal tempo tem atrapalhado as obras. Ontem, o diretor da cadeia, Ronaldo Divino, fez novo pedido de vagas para a Coespe, alegando que 30 detentos estão em situação legal de serem transferidos para o sistema prisional.
Em função dessa série de problemas, há rumores que os presos estejam planejando um movimento reivindicatório. O delegado admite que há rumores, mas não confirma.
"Eles estão insatisfeitos", disse.
Cela em reforma
A cela número 9, na verdade ocupada por 15 presos, dos quais 13 fugiram e dois optaram por ficar, está sendo reformada. O buraco que deu início ao túnel já foi tapado e a cama de alvenaria está sendo refeita pelos próprios presos. A cadeia também está ganhando outro visual com a pintura das paredes, serviço feito pelos próprios presos, segundo o delegado. Fugitivos foram 13 e não 10
A superlotação da cadeia gera muitas confusões. No último final de semana, por exemplo, ocorreu uma fuga em massa, através de um túnel, cavado do xadrez número 9, onde deveriam ter apenas 12 presos. Porém, havia 15.
O fato só foi descoberto posteriormente, quando se fez a contagem de presos, segundo o delegado Ronaldo Divino, diretor da cadeia. "O carcereiro de plantão recolheu os presos do banho de sol e não percebeu que três deles entraram na cela de número 9", explicou.
O diretor suspeita que o trio já havia combinado com os demais que ocupavam a cela 9 a fuga em massa. Segundo Divino, desses três que fugiram, um já foi recapturado. "Adão Alves já foi recapturado. Paulo Henrique Soares do Nascimento e Weverton Gomes da Silva continuam foragidos."
De acordo com o diretor da cadeia, o plantonista será punido.
"O funcionário será punido. Foi falta de atenção dele." A Delegacia Seccional, segundo Divino, já foi comunicada do fato e tomará as devidas providências.