Temporal deixa desabrigados em Bauru
Texto: Ieda Rodrigues
A chuva que caiu ontem à tarde em Bauru, em alguns bairros em forma de granizo e em outros acompanhada de ventos fortes, deixou uma família desabrigada no Jardim Mendonça, destelhou várias casas, provocou pane em semáforos e derrubou poste de iluminação pública e pelo menos nove árvores. Apesar dos estragos e transtornos, não houve registro de feridos.
A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas
(IPMet) da Unesp para hoje é de tempo nublado, com chuvas e trovoadas isoladas, como ontem. Como explicou ao JC na semana passada o diretor do IPMet, Maurício Agostinho, fenômenos como este costumam ocorrer na transição das estações, especialmente na primavera, que é caracterizada por sistemas de precipitação acompanhados de ventos fortes em pontos isolados.
Os ventos, ontem, chegaram a 50 km/h, de acordo com a medição feita pelo IPMet e a temperatura caiu de 32 graus, por volta das 12 horas, para 22 graus às 14h30. Um dos bairros mais atingidos pelo vento foi o Núcleo Octávio Rasi, onde pelo menos quatro árvores caíram, sendo uma na escola Ana Rosa Zuicker D'Annunciata, segundo informou Álvaro de Brito, presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil.
Uma árvore também caiu numa no pátio de creche no Jardim Estoril, dando bastante trabalho aos bombeiros, que atenderam várias ocorrências semelhantes. No Ferradura Mirim, onde o vento também foi forte, pelo menos dois barracos ficaram destelhados e com a estrutura ameaçada, de acordo com o titular da Secretaria das Administrações Regionais
(Sear), Celso Donizetti.
No Jardim Mendonça, um casal de idoso que teve a casa destelhada precisou ser abrigado em vizinhos. Na quadra 4 da rua Caetano Sampieri, na Vila Universitária, a terra cedeu e o vento derrubou um poste de iluminação pública, deixando a região sem energia até que a equipe da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) efetuasse o reparo.
Por volta das 15h30, hora de rush, vários semáforos da cidade, principalmente na avenida Duque de Caxias e na rua 15 de Novembro, entrarem em pane, o que deixou o trânsito muito lento e complicado. A Polícia Militar registrou vários acidentes de trânsito, mas sem vítimas ou com vítimas leves.
Apesar dos transtornos, a quantidade de chuva que caiu não foi muita. Na estação local do IPMet foi registrada a queda de milímetros de chuva ontem. Para amanhã, a tendência é de chuvas nas regiões Norte e Leste do Estado de São Paulo e ligeiro declínio da temperatura. Para sábado e domingo, a previsão
é de chuvas isoladas no Estado de São Paulo.
Sear mantém equipes de plantão e Defesa Civil reclama estrutura
Como a previsão para ontem à noite era de mais pancadas de chuva com rajadas de vento, a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) deixou duas equipes de plantão, para atender possíveis vítimas e reparar possíves estragos, segundo informou ao JC nos Bairros ontem à tarde o titular da pasta, Celso Donizetti.
Ele disse que a Sear está colocando telhas e outros materiais de construção à disposição dos moradores do Ferradura Mirim que tiveram os barracos destelhados. Esses materiais foram doados pela comunidade e estão armazenados nas Regionais Administrativas.
Enquanto isso, o presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, Álvaro de Brito, reclama que o órgão não tem a estrutura mínima para atender a população nessa época que os temporais são mais comuns. Ele voltou a lembrar que a Defesa Civil está sem colchonetes, lonas e cobertores para atender possíveis desabrigados. O ideal, pelo número de habitantes de Bauru, seria ter em estoque entre 200 e 250 colchonetes, cobertores e lonas.
O único meio de comunicação da Defesa Civil com o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e outros órgãos
é através de telefone celular, que está com baterias fracas, de acordo com Brito. Ele reclama a falta de um rádio HT e de um rádio na viatura da Defesa Civil.
"Nos últimos anos a Prefeitura gastou R$ 15 milhões com as chuvas. Todo esse dinheiro foi gasto, mas nada quase foi feito porque foi aplicado em recuperação e não em prevenção", disse.