07 de julho de 2026
Geral

Exposição

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

O cerrado x tecnologia

Helena Lopes e Luiza Cristina expõem em Brasília telas que revelam o olhar das artistas sobre a natureza e a informática

Uma refere-se à "arqueologia da memória", sugerindo indagações com formas e pigmentos naturais. A outra, trabalha elementos da linguagem computacional, referindo-se

às novas tecnologias e bases da informação, mundo virtual e inteligência artificial.

São as artistas plásticas Helena Lopes e Luiza Cristina Ramalho, que abriram exposição ontem, na ECT Galeria de Arte, em Brasília (DF). A mostra, que fica até o dia 28, acontece em homenagem ao Dia Mundial dos Correios (9 de outubro) e é uma realização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, por meio do Museu Postal e Telegráfico (MPT).

Helena Lopes é paulista residente em Brasília (DF), o que levou-a a usar como referências as texturas e a luminosidade do cerrado de forma literal, valendo-se, para isso, de terra e resíduos de queimadas. Nas suas telas, o material é transformado em pigmentos, tendo seus questionamentos pessoais como mote principal.

Nessa exposição, o assunto que predomina é a "mãe-terra", sua "alma feminina", enfim, imagens de seu universo pessoal, o cerrado.

Lá, a seca é gradativa, vegetação vai secando devagar, assim como a pele do corpo. A respiração fica ofegante. Com as queimadas, o ardor fica ainda mais intenso e se apaga a possibilidade de chuvas.

Segundo a artista, a memória não é privilégio só do homem, os objetos também contém memória.

"Foi durante uma visita a um assentamento na zona rural que ganhei de uma criança uma esteira (pedaço de plástico, antigo forro de banco de um ônibus) que ela usava para brincar de casinha. Conceituei que este plástico-esteira teria uma história, o que me serviu de cenário para muitas vivências. O que eu fiz foi usá-lo com matriz sobre as telas e, a cada impressão, uma nova imagem surgia trazendo um 'flashback'", explica Helena. "A questão não

é a imagem do caos da situação humana, mas o olhar estético do tempo em que vivemos", acrescenta.

Já para Luiza Cristina, as mudanças tecnológicas, em especial a informática, a micro-eletrônica e a comunicação, têm sido fatores determinantes na mudança comportamental do homem contemporâneo.

Sua poética visual situa-se na representação desses signos despidos de seus significados objetivos e incorporados

à linguagem visual como elementos puramente estéticos.

Na organização do espaço, Luiza trabalhou elementos extraídos dos processos normativos da linguagem computacional, utilizando-se da repetição de letras, números, ícones, diagramas e gráficos.

Os materiais são a tela sobre suporte rígido, o betume, o grafite, a colagem, a massa e as tintas acrílicas e vinílicas.

Durante o período de exposição as duas artistas vão estar no local a partir das 16 horas, recebendo visitas monitoradas.

Serviço

Helena Lopes e Luiza Cristina expõem na ECT Galeria de Arte, em Brasília (DF), até dia 28, grátis, de terça a sexta, das 10 às 19 horas e aos sábados, das 9 às 13 horas. Informações: (61) 426-1802

/ 426-1803.