07 de julho de 2026
Geral

Exumação

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Cadáver é exumado para provar que mulher está viva

Texto: Ieda Rodrigues

Dando seqüência às investigações do inusitado e chocante caso do homem acusado de ter se casado com a sua própria filha e para provar quem realmente está morta, a Polícia Civil exumou, ontem, o corpo que foi enterrado, no Cemitério Cristo Rei, no Parque Roosevelt, em 1993, como sendo o de Francisca de Jesus Ribeiro de Oliveira, mas que tudo indica ser o de Maria de Jesus Oliveira.

É que, há alguns meses, Francisca, que mora em Canitar

(região de Ourinhos), ao pedir a segunda via de um documento, descobriu que, legalmente, estava morta e havia sido enterrada em Bauru. Então, ela registrou um boletim de ocorrência, que levou o delegado Dinair José da Silva, do 3.º Distrito Policial, a uma série de investigações. Ele descobriu que a pessoa enterrada com o nome de Francisca é Maria, filha de Benedito Matias de Oliveira, com quem teria vivido muitos anos uma relação de marido e mulher e da qual nasceram dois filhos.

Benedito, está preso temporariamente e sendo indiciado por estupro, uso de documento falso e falsidade ideológica, confessou a história ao delegado. Ele disse que sua filha mais velha, Maria, passou a usar o nome e os documentos de Francisca, com quem foi casado, quando esta última o deixou.

Maria é filha de Benedito, fruto do seu primeiro casamento. Quando sua esposa morreu, em 1973, casou-se com Francisca, com quem viveu apenas alguns meses. Pelos depoimentos colhidos, a polícia apurou que Maria foi obrigada a manter relações sexuais com seu pai, o que ele nega. Benedito disse que sua filha consentia na relação de marido e mulher.

Com a exumação, a polícia quer provar de quem realmente é o corpo enterrado e poder concluir o inquérito. A exumação vai provar ou não a tese de que Francisca está viva, para que ela tenha sua situação legalizada, e por conseqüência, a tese de que Maria

é quem morreu. Em conseqüência, também será possível acertar os documentos dos filhos de Maria, que foram registrados como sendo filhos de Francisca e Benedito. Para isso, além do material colhido durante a exumação do corpo, os filhos de Maria e Benedito terão que passar por exames de DNA.

Exumação demorou 45 minutos

A exumação do cadáver, pedida pelo delegado Dinair José da Silva, foi realizada ontem pela manhã no Cemitério Cristo Rei, no Parque Roosevelt, pelo médico legista Basílio de Alvarenga Coutinho e o técnico em necropsia Jair Romeu, ambos do Instituto Médico Legal

(IML), na presença da Polícia Técnica. A exumação durou cerca de 45 minutos e foram retirados amostras do cabelo e de ossos.

O material, agora, será submetido a exames de DNA e comparado a exames de Benedito e dos dois filhos de Maria, para a constatação ou não da tese levantada pelo delegado com base nos depoimentos do próprio Benedito e seus familiares. Dinair explicou que a exumação é um dos últimos recursos da investigação, quando não se tem outros meios para provar ou não uma tese.

O delegado ressaltou que a exumação do corpo foi feita com a autorização do juiz corregedor, Evandro Kato. Dinair, recentemente, foi até Canitar e ouviu Francisca que, segundo ele, também ficou surpresa com toda a história descoberta. Benedito está preso temporariamente desde o final do mês passado.