07 de julho de 2026
Geral

Saldo da eleição

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Para PSDB, saldo da eleição é negativo

Texto: Daniela Bochembuzo

Avaliação é que aliança reduziu papel do partido no cenário político municipal, culminando na perda de uma cadeira na Câmara

O diretório municipal do PSDB realiza no próximo dia 21, sábado, uma reunião para avaliar as eleições municipais. De antemão, Rubens Spíndola, presidente local do partido, avalia que o saldo foi bastante negativo para os tucanos. Um desses indicativos está na representação da legenda na Câmara Municipal, que em 2001 passa a contar com duas cadeiras, uma a menos do que na gestão atual.

Edmundo Albuquerque e Toninho Garmes permanecem no Legislativo, enquanto o próprio Spíndola cede o posto para se tornar suplente do PSDB. Essa mudança, avalia o presidente do partido, é resultado da composição desastrosa dos tucanos com o PDT, PTB e mais seis partidos, que juntos formaram a aliança Viva Bauru e apoiaram Pedro Tobias à Prefeitura.

"A aliança foi danosa para os interesses de Bauru e do PSDB. Depois de quatro anos com um ótimo trabalho na Câmara Municipal, o partido sai dessa eleição com saldo negativo. A impressão que temos é que ficamos amassando barro, não avançamos para o desenvolvimento", avalia Spíndola.

Para o presidente do PSDB, a coligação trouxe uma série de obstáculos ao partido. Um deles foi resultado da ausência de um tucano na chapa majoritária. Sem participação direta na eleição para a Prefeitura, Spíndola avalia que a legenda perdeu espaço na disputa eleitoral e, conseqüentemente, no cenário político de Bauru. "Ricardo Carrijo era um bom candidato a vice-prefeito, mas não popular o suficiente e isto trouxe prejuízos no final da campanha à aliança", analisa.

Outros problemas encontrados pelo PSDB tiveram como cerne a dificuldade de relacionamento com assessores de Pedro Tobias, reduzindo a participação do partido no direcionamento da campanha. Pelos tucanos, por exemplo, Tobias teria participado de todos os debates realizados entre prefeitáveis.

"Sempre fomos favoráveis à transparência. Aparecer nos debates era necessário para dar guarida a isso, dando chances para o eleitorado conhecer quem era o candidato e o que pensava. Sem isso, ficou muito difícil mantê-lo

à frente das pesquisas. Com essa estratégia, a aliança acabou levando junto o PSDB, que perdeu espaço no cenário político municipal", critica Spíndola.

Embora o presidente local do PSDB não fale abertamente, as rusgas foram explicitadas no último programa proporcional. Ao contrário dos demais, o partido não trouxe o símbolo e as cores da coligação, optando por um cenário e linguagem diferentes. Desvinculado da aliança Viva Bauru, o programa permitiu aos candidatos

à vereança falarem mais abertamente sobre suas propostas.

Diante de tantos empecilhos ao longo da campanha, Spíndola não estranha a postura de Pedro Tobias na Assembléia Legislativa, que esqueceu o apoio recebido pelo PSDB em solo local e partiu para o ataque contra o governador Mario Covas logo na primeira sessão pós-eleição.

"Todos sabiam do posicionamento político dele antes da disputa. Ele é um deputado de oposição e vai manter isso na Assembléia. Mas se tivesse ganho a Prefeitura, seria diferente. Para melhor administrar Bauru, teria que valer-se do apoio do PSDB e buscar a parceria com o governo do Estado", lembra o presidente.

Mas a maioria dos membros do PSDB local não encara com naturalidade essa traição de Pedro Tobias. A mudança de postura do pedetista já está alimentando as rixas internas que existiam antes da eleição, no momento em que o partido descartou apoiar Tuga Angerami e optou por coligar-se ao PDT. Por esse motivo e também pelos problemas financeiros que a legenda atravessou durante a eleição, é que a próxima reunião do diretório municipal tucano promete ser quente.

Caberá aos tucanos avaliar por qual razão um partido que tem um presidente e um governador do Estado de São Paulo reeleitos não consegue chegar à Prefeitura de Bauru, nem mesmo como coadjuvante. E pior: perde uma cadeira na Câmara Municipal à beira de um período crucial, que é a corrida eleitoral para 2002.