Maioria procura computação no Cips
Texto: Ieda Rodrigues
Ontem, o Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) entregou diplomas de conclusão de curso a mais uma turma de adolescentes, no total de 94 - 89 meninos e cinco meninas, apesar da crise financeira que atravessa. Após mais de três décadas de fundação, o perfil dos cursos oferecidos pela entidade foi mudando de acordo com a evolução tecnológica e a demanda de mercado.
Atualmente, o curso mais procurado é, disparado, na frente, o de computação. O Cips, na época de sua fundação, ficou conhecido por formar recos-recos
(meninos que capinavam a grama que crescia entre os paralelepípedos). Agora, está preparando meninos e meninas para trabalhar com informática. Dos 94 formandos ontem, 47 eram do curso de informática.
Os demais fizeram os cursos de gráfica, estamparia, marcenaria e embalagem. Apesar de acompanhar a evolução tecnológica, o presidente do Cips, Roberto Previdello, que já completou 90 anos e dirige a entidade desde sua fundação, tem muito a lamentar. O Cips está atendendo, em média, 300 meninos de 12 a 16 anos e tem outros 300 na fila de espera, que não podem fazer os cursos de imediato por causa da falta de recursos da entidade.
Cada curso tem a duração de seis meses, período em que o Cips também oferece ao adolescente alimentação, atendimento odontológico e encaminhamento a outros setores, como a médicos, por exemplo. Em função da legislação trabalhista, que proíbe empregar menores de 16 anos, a entidade deixou de fazer o encaminhamento para o trabalho.
Conforme explicou José Carlos Augusto Fernandes, membro do conselho do Cips, a entidade está adeqüando-se
à legislação, cortando o vínculo com o adolescente quando ele conclui o curso e, a partir daí, está pronto para entrar no mercado de trabalho. Ele disse que várias empresas procuram o Cips para contratar os adolescentes que já concluíram os cursos, mas a oferta de empregos ainda é muito pequena diante da quantidade de meninos.
Ao chamar os formandos para receber o certificado e falar da importância do trabalho do Cips, Fernandes contou que recentemente encontrou um empresário bem-sucedido, que lhe revelou ter estudado na entidade. Aos 90 anos, Previdello, emocionado e bem-humorado, disse que o segredo para uma vida longa é ajudar o outro, como vem fazendo desde a fundação do Cips.
O curso de computação é mantido com verba do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente, do Conselho da Criança e Adolescente, formado por destinações de Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas. Mas, conforme ressaltou Fernandes, o Cips também recebe colaborações de vários órgãos, entidades e até pessoas físicas, entre eles as secretarias do Bem-Estar Social, de Educação e da Cultura, Lions Club Norte, Febem e família Franciscato, cujos representantes participaram da formatura ontem.