07 de julho de 2026
Geral

Carros

André Tomazela
| Tempo de leitura: 5 min

Quem compra carro médio troca, agora, de dois em dois anos

Texto: André Tomazela

Uma grande parcela da classe média prefere migrar para o setor de populares ou médios intermediários e continuar atualizando anualmente os seus veículos

A classe média, que há cinco anos comprava veículos de porte médio das principais marcas, com faixa de preço entre R$ 27 mil e R$ 30 mil está migrando, atualmente, para modelos mais em conta e para o setor dos populares. Outro dado importante é que as pessoas que compravam um modelo há 5 anos atrás, conseguiam atualiza-lo ano a ano. Hoje em dia, essa atualização é feita de dois em dois anos.

O gerente geral da Meta Veículos, concessionária da marca Fiat para Bauru e Região, Francisco Kotzen, revelou que o público comprador de carros médios da marca, como o Brava, Siena e Palio Weekend, sofreu um achatamento de 40 a 50% nos últimos cinco anos. Esse público teria migrado para o setor de carros populares, que apresentou aumento de venda (modelos Palio e Mille) em torno de 30%, representando 70% do total de vendas da concessionária. "Hoje na nossa linha, o sonho de aquisição da classe média

é o Brava, com faixa de preço que varia entre R$ 27 mil e R$ 35 mil. O modelo mais caro da marca, o top de linha,

é o Marea, que tem faixa de preço entre R$ 33 mil e R$ 47 mil. O público que comprava Brava e Marea, hoje, está comprando Siena e Palio Weekend, o que mostra um achatamento nas vendas dos veículos médios e uma migração para os intermediários, com preço mais baixo", afirma.

A razão para essa queda nas vendas dos veículos médios, segundo Francisco, se deu em função do aumento de preços, que estaria associado a melhoras tecnológicas, como itens de segurança de série nos veículos produzidos atualmente.

"Eu tinha um público de 200 pessoas que comprava carros médios anualmente. Essas pessoas pararam de comprar. Elas trocam de carro de dois em dois anos agora. Em contrapartida, ganhamos um público para carro popular, que troca o veículo anualmente", comenta Francisco.

Aumento de preço não seria a causa da classe média estar atualizando os seus veículos de dois em dois anos, na opinião do gerente de vendas da Amantini Veículos, Fernando Vieira de Mello. De acordo com ele, o tempo de financiamento, do leasing e a garantia do veículo, geralmente de 24 meses, seriam os motivos que teriam levado à troca bienal. O gerente não tem percebido nenhuma queda de vendas ou migração do público de carros médios da Chevrolet para o setor de populares. As vendas do Vectra e do Astra representam cerca de 20% do total de vendas da Amantini. O Astra, pode ser considerado um veículo intermediário, com uma faixa de preço de R$ 25 mil a R$ 38 mil e o Vectra, seria o modelo mais caro, com faixa de preço entre R$ 33 mil e R$ 50 mil.

Para a Martins Veículos, também concessionária da Chevrolet, quem comprava um carro médio continua comprando. E quem acha que o Vectra tem o preço muito alto, está migrando para o Astra, que seria um modelo com faixa de preço bem variável, atendendo a diversos tipos de público. Nivaldo Cecílio Cristianini Júnior, gerente de vendas da Martins, afirma que os modelos Vectra e Astra representam cerca de 35% das revendas.

Ford Focus e Volkswagen Bora

A Ford e a Volkswagen, não apresentavam modelos compatíveis com um carro médio intermediário, para concorrer com o Marea da Fiat e os modelos da Chevrolet, o Astra e o Vectra. Os consumidores de carro médio da Ford tinham com opção o Escort, e os da Volkswagen, o Polo Classic. Atualmente a Ford está lançando o Focus, para entrar nesse segmento de mercado. Segundo o gerente de vendas da Disbauto (Ford), Job Terrin Júnior, a classe média está preferindo ainda o Escort e o Escort SW, com preço em torno de R$ 23 mil. "É o veículo de porte médio mais barato da Ford, no momento", afirma. Com o lançamento do Focus, que estará disponível nas concessionárias até o final do mês, com faixa de preço entre R$ 35 mil e R$ 40 mil, a Ford passa a concorrer com outras marcas no setor de carros médios. "Aqueles que têm o Mondeo 95 ou 96, estão querendo trocá-los por carros mais atualizados. O Focus vem como uma grande opção e já tem lista de pedido na concessionária", afirma Job. Representando 60% de vendas da Disbauto, o setor dos populares também vem sendo bastante procurado pela classe média, principalmente os modelos Fiesta e Ka.

No caso da Volkswagen, o Gol 16 v, quatro portas juntamente com a Parati 16 v, seriam os carros mais vendidos da marca para a classe média atualmente. Com faixa de preço entre R$ 18 mil e R$ 22 mil, estes modelos representam 60% das vendas da Baurucar, concessionária da Volks em Bauru. Segundo o gerente de vendas José Antônio Rossini, a Volks está lançando o Bora, veículo médio, com preço entre R$ 35 mil e R$ 45 mil, para concorrer diretamente com o Vectra da Chevrolet. "Até então, a montadora não tinha nenhum veículo, entre o Passat e o Golf, que pudesse concorrer no setor de carros médios", comenta. Entre os médios intermediários, os modelos bem vendidos da Volks são o Golf (R$ 32 mil a R$ 35 mil) e o Santana (R$ 26 mil a R$ 28 mil). José Antônio não percebeu nenhum achatamento nas vendas de carros médios nos últimos anos. O setor representa 20% das vendas da Baurucar.

Aumento nos preços

Nos últimos cinco anos, o preço de carros médios aumentou consideravelmente. Segundo a cotação Auto Mercado & Cia, um Vectra GLS custava em 1995, R$ 13,9 mil e hoje custa R$ 44,4 mil. Já o Astra GL custava, em 1998, R$ 17,8 mil e, hoje, custa R$ 29,9 mil.

O Brava SX da Fiat custava, no ano passado R$ 22,4 mil e, hoje, custa R$ 29,1 mil. O Polo Classic, da Volks também teve seu preço aumentado de R$ 16 mil em 1997, para R$ 25,4 mil em 2000. Já o Golf, também da Volks, subiu de R$ 22,7 mil para R$ 29,3 mil no último ano.