07 de julho de 2026
Geral

Racionamento

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

DAE não descarta racionamento de água

Texto: Ieda Rodrigues

A população precisa economizar água porque o volume do rio Batalha abaixou e um racionamento não está descartado. O alerta foi dado ontem pelo presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Sérgio Macedo, que lembrou que muita água é desperdiçada em banhos demorados demais, limpeza de calçadas e quintais usando jato d'água, torneiras esquecidas abertas e outras atividades do dia-a-dia.

Se houver racionamento, cerca de 120 mil pessoas da Zona Sul, Centro e Zona Sudeste, que hoje recebem água Batalha, serão atingidas. Por isso, a orientação do DAE é para que todos economizem e, assim, não seja necessário fazer racionamento. Sérgio Macedo ressaltou que economia não significa deixar de fazer atividades essenciais, como banho, limpeza da casa e lavagem de roupas, mas usar água na quantidade necessária.

Ontem, já por conta da redução do volume de água do rio Batalha, de quase um metro, uma das três bombas que fazem a captação teve que ser desligada

à tarde. Se o consumo não caiu durante à tarde e noite, pode ser que alguns bairros já estejam com o abastecimento prejudicado hoje. Se for preciso racionar água, o DAE deve optar por um rodízio no abastecimento, de modo que a população saiba os horários que terá

água nas torneiras e possa fazer reservação.

O risco de falta d'água em Bauru está ligado a dois fatores. Primeiro: aumento do consumo nos últimos dias devido ao forte calor, com temperaturas chegando a atingir 35 graus. Segundo: exaustão do rio Batalhão em função do período de estiagem no início deste ano e da destruição da mata ciliar nos últimos anos, que acarretou assoreamento.

Conforme explicou o presidente do DAE, as bombas estavam captando

água acima do limite da capacidade do rio Batalha para poder atender o aumento do consumo da população. Nos dias mais quentes, como ontem e anteontem, a quantidade de

água consumida em alguns bairros, os de maior densidade populacional, chega a aumentar em até 40%.

Para não ocorrer um colapso, ontem à tarde uma das bombas deixou de captar água do Batalha e seria ligada

à noite. De acordo com o presidente do DAE, para que a situação seja normalizada é preciso que não haja aumento na quantidade de água consumida normalmente, pelo menos até a chegada do período de chuvas na cabeceira do rio.

Ontem à tarde, choveu em alguns pontos da cidade, mas não caiu nenhuma gota de água na cabeceira do rio Batalha. Sérgio Macedo ressaltou que a situação do Batalha é "de sinal amarelo. Quando vamos ter o sinal vermelho, não sabemos. Esperamos que isso não ocorra e por isso pedimos a colaboração da população", disse.

Limpeza com jato d'água e banhos são vilões

A lavagem de calçadas e quintais usando jato d'água, ao invés de vassoura, e os banhos demorados demais são os principais vilões do desperdício de água por parte da população. Também contribuem para o desperdício torneiras deixadas abertas no intervalo de atividades como escovação de dentes e lavagem de louça, e as descargas do vaso sanitário.

Em apenas uma descarga, podem ser consumidos 30 litros de água. No entanto, já existe no mercado modelos de descargas mais econômicas, que consomem menos água, apesar de ser minoria nos banheiros. Por dia, em média, uma pessoa precisa de 200 litros de água para todas suas atividades, desde alimentação, higiene pessoal e de sua casa.

Entretanto, pelos cálculos do presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), Sérgio Macedo, o bauruense consome, em média 212 litros. Apesar de a diferença parecer pequena, considerando toda a população da cidade, a quantidade de água usada sem necessidade é significativa e pode causar racionamento em épocas mais de temperaturas mais quentes.

O DAE também desperdiça água durante os processos de produção e distribuição. Segundo Macedo, o índice de desperdício do DAE está em torno de 24% do total de água produzida. De acordo com ele, esse índice é aceitável, considerando que a rede de distribuição de Bauru é bastante antiga e, em conseqüência, está mais propensa a apresentar vazamentos.

Em países de Primeiro Mundo o índice de desperdício

é de 20%, mas Macedo reconhece que o DAE poderia estar melhor neste quesito. Para reduzir o desperdício na produção e distribuição, a autarquia teria que fazer altos investimentos, de acordo com Macedo.

Por dia, a Estação de Tratamento de Água

(ETA) capta do rio Batalha e produz 43 milhões de litros de água, que atende cerca de 120 mil pessoas, ou seja, 50% da cidade. A outra metade da cidade é abastecida por

água dos poços artesianos, no total de 27. Conforme Sérgio Macedo, a água do poço artesiano é mais cara que a superficial, a de rios, pois é preciso gastar energia para bombeá-la.

DAE estuda captar água no Córrego da Água Parada

Por já ter detectado que o rio Batalha está operando em sua capacidade máxima, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) está estudando outra fonte para abastecer a cidade. A alternativa mais viável é captar água do Córrego da Água Parada, na altura da ponte do rio Verde, a cerca de 15 quilômetros de Bauru.

No entanto, para utilizar o Córrego da Água Parada

é preciso construir uma estação de tratamento perto do rio, o que demanda altos investimentos. Por isso, segundo Sérgio Macedo, essa proposta é para médio e longo prazos, para atender Bauru nos próximos 20 anos. Por enquanto, o DAE está analisando a qualidade da água do córrego, para saber se realmente compensa o investimento.

A curto prazo, a alternativa encontrada pelo DAE para aumentar a produção de água e assim conseguir atender a demanda atual de Bauru é perfurar mais poços artesianos. Segundo Sérgio Macedo, está prevista a perfuração de seis poços nos próximos quatro anos, apesar da

água retirada do subsolo sair mais cara ao DAE.

Mas o presidente do DAE lembrou que não é em qualquer lugar que compensa perfurar poços, em função da quantidade de água disponível no subsolo. As regiões hoje atendidas pelo Batalha, por exemplo, têm pouca água no subsolo. Os seis poços artesianos previstos são para as regiões Noroeste e Norte, onde os poços podem produzir mais água.

Os vilões do desperdício

* Lavar calçadas com jato d'água

* Banhos demorados

* Torneiras esquecidas abertas

* Descarga do vaso sanitário

* Vazamentos na produção e distribuição

Números da água

* Rio Batalha produz 43 milhões de litros por dia

* 27 poços artesianos produzem 43 milhões de litros por dia

* Vazamentos do DAE desperdiçam 27 milhões de litros por dia

* Desperdício da população - sem estimativa