07 de julho de 2026
Geral

Beleza

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Quero ser linda!

Texto: Gustavo Cândido

Preocupadas em estar sempre belas, seja para atrair a atenção masculina, se sentir bem dentro do seu grupo ou simplesmente por amor próprio, as adolescentes e mulheres recém saídas dessa fase, procuram cada vez mais o auxílio de cirurgiões plásticos. Algumas até chegam a superar o medo de agulhas e sangue para se submeter às cirurgias que podem transformá-las de gata borralheiras, em Cinderelas.

"Gostaria de colocar silicone nos seios se pudesse", diz a estudante Luciléia Matos, 17 anos. Apesar da idade, ela acredita que seria bom ganhar mais busto mesmo que para isso tivesse que passar por uma cirurgia. "A moda agora é ter seios grandes mas eu acho legal de qualquer jeito", afirma. O alvo da também estudante Érika De Angelo Assumpção, 21 anos, são as orelhas. "Acho que elas são muito grandes, me sinto complexada", explica. Ela garante que, caso tivesse a chance, mudaria o visual das orelhas, "não posso nem prender o cabelo direito", diz.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, das 300 mil cirurgias realizadas em 99, 10% foram feitas em adolescentes e jovens entre 15 e 25 anos. A previsão para este ano esse número suba para 12%. As plásticas de mama, nariz, face e lipoaspiração foram as mais freqüentes. Além das facilidades tecnológicas, que têm aumentado muito nos últimos anos, uma das razões para o aumento das cirurgias plásticas nessa faixa etária, segundo a Sociedade, é o constante aparecimento de personalidades na mídia, falando sobre as plásticas.

Exagero

Em grande parte dos casos a cirurgia nem é uma questão vital para a estética da pessoa. Chega a ser um exagero querer mudar alguma coisa. A estudante Joana D'Arc Matos, 18 anos, por exemplo, tem um corpo proporcional e de formas harmoniosas que a levaram a fazer alguns trabalhos como modelo, mesmo assim ela gostaria de colocar uma prótese na região glútea.

"Acho que um pouco de bumbum a mais não tem problema", explica.

"Eu não acredito que seja um exagero querer ficar mais bonita, afinal a concorrência é grande", tenta justificar a secretária Elaine Chaves, 23 anos. "Faria quantas plásticas fossem necessárias", revela. A principal, segundo ela seria uma lipoaspiração,

"acho que se fizesse só uma lipo já estava bom, com o resto eu me viro", brinca "modestamente".

Para uma pessoa que já estampou tantas revistas e jornais e sempre está desfilando, a modelo Cristina Pimentel também não precisaria reclamar da aparência, mas ela diz que não gosta do formato do nariz, "é muito arrebitado, todo mundo sempre fica falando", reclama. Cristina também acha que poderia aumentar o número do sutiã,

"gostaria de ter 'mais seio', independente da moda", afirma, confessando que mesmo assim não tem muita coragem de submeter à cirurgia.

Criando coragem

Mesmo sem suportar a idéia de tomar uma injeção, a estudante Maria Eduarda dos Santos, 23 anos, diz que faria uma cirurgia para diminuir o tamanho dos seios. "Sei que agora a moda é ter peito grande, mas acho que o meu é muito exagerado", explica. Segundo a estudante o seu caso não é uma questão de luxo mas de estética mesmo. "Toda mulher gosta de se sentir bonita. Tenho muito seio e pouco bumbum, então fica uma coisa desproporcional. A solução seria ou aumentar um ou diminuir outro. Por isso perco até o medo da operação", diz.

"Com tantos casos de problemas com implantes de silicone, no começo tinha medo de pensar em operar, mas agora vou colocar", diz uma bancária que preferiu não se identificar. Segundo ela, a evolução da medicina tem tornado as próteses mais seguras, "senão não haveria tanta gente colocando, não é mesmo", questiona. No seu caso, ela afirma não ser apenas um caso de modismo, "meus seios são muito pequenos e uma mulher com seios fartos é muito mais feminina e sensual", diz.

Em busca da perfeição

Nem sempre as cirurgias plásticas proporcionam o resultado esperado pela paciente, mas isso não é o suficiente para acabar com o desejo de "entrar na faca novamente". A estudante universitária Priscila Rossigali, 21 anos, está se preparando para fazer uma cirurgia, mas não para mudar e sim para corrigir e voltar ao mesmo estado de antes.

"Quando tinha 18 anos coloquei silicone nos seios, mas ficaram meio tortos, meio desproporcionais, agora vou tirar", diz. A experiência negativa a fez ficar prevenida contra o silicone,

"não recomendaria uma cirurgia dessas", afirma. Mas no geral sua opinião não mudou tanto assim,

"não colocaria silicone de novo mas acho que a mulher tem que se olhar no espelho e se sentir perfeita, se achar que precisa fazer alguma coisa, tem que fazer", decreta, dizendo que também está pensando em fazer uma pequena lipoaspiração no futuro.

De acordo com a revista Isto É, as próteses de silicone estão em falta nas prateleiras brasileiras. Com a chegada do verão, a procura pelo material aumentou tanto que os fabricantes não deram conta da demanda. As cirurgias estão tendo que ser marcadas com dez dias de antecedência.