07 de julho de 2026
Geral

Construção civil

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Crescimento da construção civil deverá ficar abaixo de 4,5%

Texto: Rose Araujo

Crises financeiras externas são apontadas como as principais responsáveis pela performance insatisfatória do setor

O setor da construção civil não deverá apresentar índice satisfatório de crescimento esse ano. Pelo menos essa é a previsão do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon). De acordo com o presidente da entidade, Artur Quaresma Filho - que esteve em Bauru ontem para a abertura da Semana Integrada de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Mega Sipat 2000) -, até agosto, o crescimento tinha atingido apenas 1,8%, sendo que o esperado para o ano todo

é 4,5%. "Acredito que vai ficar bem abaixo do índice previsto pelas indústrias", salientou.

Mesmo assim, ele acredita que o resultado será melhor do que no ano passado. "Em 1999 nós andamos para trás no PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil. Esse ano, o crescimento está sendo positivo, porém alguns fatores acabaram por segurar um pouco os investimentos nesse setor", salientou. De acordo com ele, a crise do petróleo e os problemas financeiros e políticos da Argentina acabaram por atrapalhar o desenvolvimento de obras no Brasil.

As eleições municipais, que poderiam ter alavancado o setor, tiveram uma característica peculiar esse ano, com poucas inaugurações, o que acabou não refletindo no crescimento. "No entanto, vale destacar que esse pleito trouxe um novo panorama para o Brasil, aumentando a credibilidade do País lá fora, o que poderá fomentar investimentos futuros", explicou.

Uma pesquisa feita pelo Departamento de Economia do SindusCon recentemente, coordenada pelo professor e economista Fernando Garcia, da Fundação Getúlio Vargas, mostra que o País tem um déficit habitacional de 5 milhões de moradias. Segundo Quaresma Filho, isso se deve a uma carência de políticas para estimular o setor. "Não adianta fazer um programa habitacional com apenas um determinado financiamento para esse fim. É preciso traçar planos e metas, determinando quanto será atingido esse ano, no ano que vem e de que forma isso será feito. Realmente, isso é uma coisa que não existe no Brasil atualmente", destacou o presidente do SindusCon.

O trabalho feito pela entidade elaborou o Índice de Desenvolvimento Habitacional (IDHab), utilizando dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio, de 1998, e do IBGE, adotando a metodologia do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), criado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Numa escala que vai de zero a um, o IDHab do Brasil foi classificado como 0,74, o que indica um posicionamento intermediário. Se ficasse acima disso, poderia ser considerado elevado e, abaixo de 0,6, significaria um baixo nível de desenvolvimento habitacional.

O estudo apontou que, atualmente, 30 milhões de brasileiros vivem em condições habitacionais precárias, sem saneamento básico e energia elétrica, em casas construídas com materiais inadequados, como taipa ou pau-a-pique.

Mega Sipat 2000

Quaresma Filho explicou que a Mega Sipat 2000, que está sendo realizada em Bauru até sexta-feira, é um projeto piloto que deve ser estendido por todo o Estado no ano que vem. Trata-se de um evento que tem por objetivo difundir entre os trabalhadores da construção civil a idéia da prevenção de acidentes em canteiros de obra. "São Paulo tem um decréscimo no número de mortes no trabalho da ordem de 40%. Isso ainda é um número muito grande, já que nossa meta é zero", salientou.

Ele destacou que não é fácil atingir esse objetivo. É preciso treinar, qualificar e requalificar os trabalhadores, empregados e empregadores e, isso, segundo ele, leva muito tempo.

De acordo com Quaresma, hoje o mercado emprega cerca de 435 mil trabalhadores formais no Estado. Sessenta por cento estão concentrados na Grande São Paulo.

Durante os cinco dias da Mega Sipat 2000, que está sendo realizada no Senai de Bauru, deverão participar cerca de 500 trabalhadores da região. A programação inclui palestras, gincanas, orientação médica e odontológica, distribuição de preservativos e cuidados básicos nos canteiros de obra.