07 de julho de 2026
Geral

Denúncias

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Conselho de Saúde vai analisar denúncias

Texto: Josefa Cunha

Após ter protocolado um pedido de auditoria na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) com a finalidade de apurar a situação do Pronto-Socorro Central, o Conselho Municipal de Saúde vai agora analisar denúncias contra procedimentos realizados na unidade. O organismo tem em mãos dois relatórios externos: um elaborado por um médico do Departamento de Urgência e Emergência sobre irregularidades concernentes ao corpo clínico e outro feito por alunos e professores da Unesp, contando a versão sobre o atendimento dispensado ao estudante Flávio Henrique Polaquini, que teria falecido por alegada negligência no diagnóstico do aneurisma cerebral que o vitimou.

A abertura dos problemas envolvendo o PS Central, assim como todos os que afligem a rede pública de Saúde, tem lugar certo na pauta da reunião do Conselho marcada para hoje.

"São assuntos do dia que começarão a ser discutidos. Aliás, o momento se faz oportuno para ampliarmos as discussões sobre o setor. A situação não

é grave de hoje, mas chega uma hora que pote vaza, não

é?", indagou a vereadora Maria José Majô Jandreice, presidente do Conselho.

As denúncias levadas a público pelo JC de ontem, questionando a conduta dos profissionais do PS Central, serão, segundo Majô, um item a ser acrescentado nas discussões.

"A conduta dos médicos tem que entrar em pauta, porque eles quase sempre são poupados das responsabilidades. A humanização do atendimento e responsabilização desses profissionais têm que ser amplamente debatidas", considerou.

O trabalho do Conselho, entretanto, vai ser extensivo a outros vários aspectos, a começar da cultura criada sobre o Pronto-Socorro como a salvação do mundo. A reforma da estrutura administrativa da SMS também entrará em destaque. "A secretária está hoje com as mãos atadas, tendo apenas 13% do orçamento da pasta para investimentos; o resto vai tudo para folha de pagamento de pessoal. Não estou dizendo que é para cortar o extra de 125% pago aos funcionários dos PSs, mas é preciso considerar que eles consomem 50% da folha. Alguma coisa tem de ser feita", defende.

Majô espera que os recentes episódios envolvendo o setor sirvam para estimular a tão comentada reestruturação. E na opinião dela, não se trata de achar culpados, mas de cada um se sentir um pouco responsável pelo problema.

"É uma forma de todos contribuírem para as melhoras", argumentou.

Enquanto organismo consultivo, o Conselho deverá começar a elencar as prioridades a curto, médio e longo prazos, definindo propostas para a aplicação devida dos recursos, otimização do sistema e melhor salários ao pessoal do setor. Nesse contexto, inclui-se cobranças

às outras esferas de governo também responsáveis.

"O município não pode carregar tudo nas costas", frisou.

Sinserm

O Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) também se pronunciou sobre os problemas da rede pública de Saúde, lembrando que há tempos vêm alertando para a situação de criticidade. "Desde quando participávamos do Conselho, estamos insistindo para a necessidade de se aumentar o número de profissionais. O atendimento é precário porque falta profissionais. As péssimas condições de trabalho também foram comunicadas ao prefeito, através de nossa pauta de reivindicações. O problema é que ele nunca quis conversar a respeito", disse a diretora Idelma Corral.

Para o Sinserm, os PSs transformaram-se em depósitos de doentes, e não será apenas o aparelhamento das unidades que resolverá o problema. "A Prefeitura precisa abrir concurso para contratar médicos para o setor, mas precisa também melhorar os salários, porque senão ninguém vai querer trabalhar. Na nossa opinião, as melhoras dependem de boa vontade política", disparou a sindicalista.