Vereadores defendem investigação do PS
Texto: Nélson Gonçalves
Para vereadores de diferentes partidos, situação do Pronto-Socorro tem que ser apurada e pode até gerar instalação de CEI
Vereadores de diferentes partidos representados na Câmara Municipal de Bauru entendem que a situação do atendimento de urgência e emergência no Pronto-Socorro Central
é grave e deve ser apurada em toda a sua extensão. Fora isso, os parlamentares ouvidos ontem pelo JC sugerem que sejam levantados todos os indícios, inclusive em relação aos atendimentos nos postos dos bairros, para o encaminhamento da investigação. Alguns entendem que os indícios podem levar a abertura de Comissão Especial de Inquérito
(CEI) sobre o PS.
José Carlos Batata (PT), por exemplo, vê a situação como "gravíssima, inclusive já com inquéritos em andamento na Polícia, através da Delegacia da Mulher, de problemas específicos, como é o caso das gestantes. Chegou o momento de investigar as possíveis irregularidades, até porque a investigação pode, no mínimo, trazer uma radiografia mais detalhada e de um organismo de fora do sistema, que é a Câmara. A apuração, no mínimo, trará elementos para um planejamento capaz de sanear os problemas, que demonstram ser graves", disse.
O vereador entende que a Câmara Municipal "deve entrar mais a fundo nesta questão, com a missão de levantar todos os problemas, de posturas profissionais, de conduta, de falta de equipamentos e deficiências no atendimento". Batata comenta que "se os indícios a serem apresentados ao Conselho Municipal de Saúde forem fortes entendo que só uma CEI poderá ir a fundo no tema. Isso precisa ser avaliado em função dos elementos a serem apresentados".
Para o vereador Paulo Madureira (PPB), a situação precária do Pronto-Socorro não é um tema recente. "A situação já vinha sendo colocada e foi se agravando. Há um mês eu alertei a população na tribuna da Câmara sobre os problemas no Pronto-Socorro Central, é um estado de calamidade pública e precisa ser visto de perto, apurado", disse. Por outro lado, Madureira amplia que "não se pode falar em investigação do caso sem ter o caminho das responsabilidades, porque a Prefeitura não pode arcar com todos os problemas, inclusive os que não são seus. O Pronto-Socorro não atende só no Município".
Madureira disse que "a Prefeitura tem que verificar a conduta dos profissionais mas não é só isso. O Estado tem que assumir sua parte neste processo, porque participa com muito pouco para o custeio do sistema municipal e quer repassar para a cidade toda essa responsabilidade, com a municipalização dos problemas sem a contrapartida da receita, do custeio. Se abrir uma CEI eu sou a favor e quero participar, para também levantar a ausência do Estado nos repasses nesta área".
Na sessão da última segunda-feira, o vereador Roberto Bueno (PTB) comentou, na tribuna, que já estava recebendo elementos para uma apuração. Ele disse que os indícios já coletados ou que foram trazidos ao seu conhecimento
"mostram que a gravidade na saúde não é só por falta de financiamento. Estamos buscando provas para estas denúncias, indícios para uma investigação complexa, Se 10% se comprovar, o caos estará amplamente confirmado. Estou me preparando para informar os colegas vereadores sobre o que está acontecendo na saúde".
Para Antonio Carlos Garmes (PSDB) "a investigação ampla, irrestrita, é o mínimo que se espera diante de algumas informações que já surgem. Não entro no mérito sobre a morte do rapaz, do estudante, mas vejo que o caso, infelizmente, aflorou uma situação que parece ser grave não é de hoje. Existem muitos problemas de atendimento e equipamentos quebrados. Se forem apresentadas provas concretas ou elementos fortes acho que o caso deve até ser enviado direto para o Ministério Público (MP). Se os indícios surgirem e precisarem de outras informações uma CEI tem que ser levantada, é o mínimo".